"Dificuldade é como sombra"

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Abrindo caminhos na ponta da faca
Abrindo caminhos na ponta da faca

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Publicada em 05/04/2018 às 02:38:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O guitarrista Julio 
Andrade não co-
nheceu facilidade na vida. Após 14 anos à frente da banda The Baggios, com uma indicação ao Grammy Latino embaixo do braço, o filho ilustre de São Cristóvão segue abrindo caminhos na ponta da faca. Quem se dispor a conferir o EP 'Juliana', com lançamento na pauta do Teatro Atheneu, esta semana, vai se deparar com uma música de caráter confessional. Trata-se, nas palavras do próprio, de desatar o nó preso na garganta.
Jornal do Dia - O single confirma a tendência notável no último disco, em direção a uma sonoridade menos blues/roots, confere? 
Julio Andrade - A minha raiz está no blues e no rock, mas o tempo me trouxe outras paixões dentro da música e, sempre que posso, agrego esses novos elementos a minha essência, gerando sons novos. É um processo natural soar diferente, eu busco isso, eu quero que cada material lançado seja uma nova experiência para mim e para as pessoas que nos escutam. Esse EP, em particular, foi feito para a irmã que perdi há 9 anos, vítima de feminicídio. Tenho praticado escrever em primeira pessoa, falar de experiências mais pessoais e desatar alguns nós. 
Jornal do Dia - 'Brutown' certamente superou as expectativas da banda. Qual a estratégia pra não deixar a peteca cair?
Julio Andrade - Essa vontade insaciável de descobrir novos sons e a busca para se reinventar traz mais instiga, me mantém vivo e entusiasmado. Quando trabalho em algo novo, uma das perguntas recorrentes é: "O que isso vai somar para a música desse mundo? O que isso vai somar para a obra da banda?". Isso me faz trilhar novos rumos, é a minha forma de alimentar o amor pelo que faço. 
Jornal do Dia - A trajetória dos Baggios revela a possibilidade de falar ao mundo com os dois pés na aldeia. Ainda há alguma espécie de pressão para vocês mudarem de mala e cuia para o sul maravilha?
Julio Andrade - Há alguns pontos em favor de estar em São Paulo, principalmente para quem trabalha com arte. Às vezes penso em estar lá por algum período mais longo, mas vários fatos comprovam que uma coisa não anula a outra, e eu prefiro levar uma vida mais calma, no meu ritmo, criando sons dentro de uma atmosfera que se aproxima mais do que eu sou realmente. 
Jornal do Dia - E o ingresso de Rafael Ramos no time, já é oficial? 
Julio Andrade - Sim, quando ele começou a tocar com a gente, ele estava com outra banda, não sabíamos se ele conseguiria dar conta. Hoje ele faz a maioria dos nossos shows, tem trabalhado com a gente na pré-produção do nosso próximo disco e é um músico que admiramos bastante. 
Jornal do Dia - Eu lembro das dificuldades enfrentadas pelas banda in early years, do tom queixoso assumido em algumas de nossas conversas. Olhando pelo retrovisor, 14 anos depois, você se arrepende de alguma coisa? 
Julio Andrade - Nada. Pelo contrário, eu vivo agradecendo todos os dias pela resistência necessária para viver um sonho antigo. Dificuldade é como sombra, vive aqui do lado, sempre, para a gente superar e dar valor ao que fazemos. Não lembro um dia sequer que não tive dificuldade, seja para escrever algo novo, agendar show, fazer tour, lançar disco, comprar equipamentos. O grande lance é saber lidar com ela, não se afobar, tudo vem lentamente, mas vem.
The Baggios lança o EP 'Juliana':
sexta-feira, 06 de abril, 21h, no Teatro Atheneu.

O guitarrista Julio  Andrade não co- nheceu facilidade na vida. Após 14 anos à frente da banda The Baggios, com uma indicação ao Grammy Latino embaixo do braço, o filho ilustre de São Cristóvão segue abrindo caminhos na ponta da faca. Quem se dispor a conferir o EP 'Juliana', com lançamento na pauta do Teatro Atheneu, esta semana, vai se deparar com uma música de caráter confessional. Trata-se, nas palavras do próprio, de desatar o nó preso na garganta.
Jornal do Dia - O single confirma a tendência notável no último disco, em direção a uma sonoridade menos blues/roots, confere? 
Julio Andrade - A minha raiz está no blues e no rock, mas o tempo me trouxe outras paixões dentro da música e, sempre que posso, agrego esses novos elementos a minha essência, gerando sons novos. É um processo natural soar diferente, eu busco isso, eu quero que cada material lançado seja uma nova experiência para mim e para as pessoas que nos escutam. Esse EP, em particular, foi feito para a irmã que perdi há 9 anos, vítima de feminicídio. Tenho praticado escrever em primeira pessoa, falar de experiências mais pessoais e desatar alguns nós. Jornal do Dia - 'Brutown' certamente superou as expectativas da banda. Qual a estratégia pra não deixar a peteca cair?
Julio Andrade - Essa vontade insaciável de descobrir novos sons e a busca para se reinventar traz mais instiga, me mantém vivo e entusiasmado. Quando trabalho em algo novo, uma das perguntas recorrentes é: "O que isso vai somar para a música desse mundo? O que isso vai somar para a obra da banda?". Isso me faz trilhar novos rumos, é a minha forma de alimentar o amor pelo que faço. 
Jornal do Dia - A trajetória dos Baggios revela a possibilidade de falar ao mundo com os dois pés na aldeia. Ainda há alguma espécie de pressão para vocês mudarem de mala e cuia para o sul maravilha?
Julio Andrade - Há alguns pontos em favor de estar em São Paulo, principalmente para quem trabalha com arte. Às vezes penso em estar lá por algum período mais longo, mas vários fatos comprovam que uma coisa não anula a outra, e eu prefiro levar uma vida mais calma, no meu ritmo, criando sons dentro de uma atmosfera que se aproxima mais do que eu sou realmente. 
Jornal do Dia - E o ingresso de Rafael Ramos no time, já é oficial? 
Julio Andrade - Sim, quando ele começou a tocar com a gente, ele estava com outra banda, não sabíamos se ele conseguiria dar conta. Hoje ele faz a maioria dos nossos shows, tem trabalhado com a gente na pré-produção do nosso próximo disco e é um músico que admiramos bastante. 
Jornal do Dia - Eu lembro das dificuldades enfrentadas pelas banda in early years, do tom queixoso assumido em algumas de nossas conversas. Olhando pelo retrovisor, 14 anos depois, você se arrepende de alguma coisa? 
Julio Andrade - Nada. Pelo contrário, eu vivo agradecendo todos os dias pela resistência necessária para viver um sonho antigo. Dificuldade é como sombra, vive aqui do lado, sempre, para a gente superar e dar valor ao que fazemos. Não lembro um dia sequer que não tive dificuldade, seja para escrever algo novo, agendar show, fazer tour, lançar disco, comprar equipamentos. O grande lance é saber lidar com ela, não se afobar, tudo vem lentamente, mas vem.
The Baggios lança o EP 'Juliana':
sexta-feira, 06 de abril, 21h, no Teatro Atheneu.