Teatro com todos os nervos

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\'O conselho\' não é recomendado para espíritos delicados
\'O conselho\' não é recomendado para espíritos delicados

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Publicada em 06/04/2018 às 23:54:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Um espetáculo de te-
atro no qual a at-
mosfera reúne todo o enunciado. Apesar de assinado por Euler Lopes, único autor de sua geração com voz própria, pronunciada em alto e bom som, 'O conselho' passa ao largo de um entendimento lógico, ancorado no verbo histriônico dos atores se esgoelando no palco. O texto comunica uma situação, a de personagens obrigados aos próprios limites. Tudo o mais como que mastiga a espinha dos incautos.
'O conselho' realiza uma espécie de teatro físico, no qual o desconforto é dos principais valores concorrentes. Não é recomendável, portanto, aos de espírito delicado. Há um investimento muito saliente na exploração dos sentidos. Iluminação, cenário, sonoplastia e até um odor nauseabundo impregnando o ambiente desafiam o espectador obstinado na jornada. A sensação é de andar em círculos, confinado.
Não é a primeira vez que um grupo de teatro local apela direto aos nervos de seus convidados. Abundam exemplos de ousadia e esforços orientados para a renovação da linguagem dramática, aqui e agora. A montagem da Cia A Tua Lona, no entanto, vai um pouco mais além, rompe a quarta parede de modo o mais incisivo. 'O conselho' só se realiza plenamente no outro, por meio de um perverso pacto de cumplicidade.
Corajoso, impressionante, sufocante, sensorial. A estréia do espetáculo foi sucedida pela manifestação generalizada do deslumbramento. Quem viu se disse profundamente afetado. E não é pra menos: A montagem se dedica a futucar a platéia na própria carne. Ninguém é poupado.
'O conselho' no IV Festival Sergipano de Artes Cênicas:
07 e 08 de abril, 20 horas, no Teatro Tobias Barreto.

Um espetáculo de te- atro no qual a atmosfera reúne todo o enunciado. Apesar de assinado por Euler Lopes, único autor de sua geração com voz própria, pronunciada em alto e bom som, 'O conselho' passa ao largo de um entendimento lógico, ancorado no verbo histriônico dos atores se esgoelando no palco. O texto comunica uma situação, a de personagens obrigados aos próprios limites. Tudo o mais como que mastiga a espinha dos incautos.
'O conselho' realiza uma espécie de teatro físico, no qual o desconforto é dos principais valores concorrentes. Não é recomendável, portanto, aos de espírito delicado. Há um investimento muito saliente na exploração dos sentidos. Iluminação, cenário, sonoplastia e até um odor nauseabundo impregnando o ambiente desafiam o espectador obstinado na jornada. A sensação é de andar em círculos, confinado.
Não é a primeira vez que um grupo de teatro local apela direto aos nervos de seus convidados. Abundam exemplos de ousadia e esforços orientados para a renovação da linguagem dramática, aqui e agora. A montagem da Cia A Tua Lona, no entanto, vai um pouco mais além, rompe a quarta parede de modo o mais incisivo. 'O conselho' só se realiza plenamente no outro, por meio de um perverso pacto de cumplicidade.
Corajoso, impressionante, sufocante, sensorial. A estréia do espetáculo foi sucedida pela manifestação generalizada do deslumbramento. Quem viu se disse profundamente afetado. E não é pra menos: A montagem se dedica a futucar a platéia na própria carne. Ninguém é poupado.
'O conselho' no IV Festival Sergipano de Artes Cênicas:
07 e 08 de abril, 20 horas, no Teatro Tobias Barreto.