Nova máquina de radioterapia do Huse já está em funcionamento

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
O novo acelerador nuclear do Huse já está atendendo a 12 pacientes com câncer
O novo acelerador nuclear do Huse já está atendendo a 12 pacientes com câncer

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 08/04/2018 às 00:59:00

A chegada da nova máquina de radio-terapia reforça o Sistema Único de Saúde no Estado de Sergipe, enche o coração dos pacientes de esperança, mas pouco representa para a diminuição da fila de espera pelo tratamento. A ansiedade segue a mesma, e os números, nada positivos indicados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), impulsionam grupos de defesa do cidadão contribuinte a seguir lutando por melhorias emergenciais. Em entrevista concedida na manhã de ontem ao Jornal do Dia, a coordenadora do Grupo Mulheres do Peito, Sheila Galba, lamentou que apenas duas máquinas estejam em pleno funcionamento no Estado.

Para esse ano o Inca prevê o surgimento de cinco mil novos casos de câncer em Sergipe, sendo mil, somente em Aracaju. Com a plena exceção do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), que recebeu uma nova máquina na última quarta-feira, 04, todas as demais unidades públicas ou filantrópicas que recepcionam pacientes do SUS não possuem o equipamento especializado. Com isso, conforme estatística atualizada no final do mês passado, 365 pessoas seguem lutando pela vida enquanto aguardam na fila o convite para iniciar o respectivo tratamento. Esse número, por ser variável, pode, hoje, possuir um índice superior.

A nova máquina do Huse já atende hoje 12 novos pacientes. Para Galba, é possível se deparar com uma mistura sentimentos já que esse equipamento é fruto de uma luta iniciada com o governador Jackson Barreto de Lima ainda no início do seu mandato, em janeiro de 2015. "Fico feliz por saber que, com o apoio de Zezinho Sobral e de Conceição Mendonça, conseguimos com Jackson adquirir essa máquina; um avanço, sem sombra de dúvidas. Por outro lado é triste saber que tantas pessoas às quais lutavam conosco, infelizmente não estão hoje em vida para comemorar essa conquista. A demora foi tanta que elas não puderam usufruir desse progresso", disse.
Grandiosa parcela responsável pelo retrocesso desse tratamento, segundo análise da coordenadora, está diretamente ligada ao descaso vivenciado pela Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia, em Aracaju. Com a máquina de radioterapia danificada desde a primeira quinzena de janeiro, dezenas de pacientes seguem com o tratamento suspenso por tempo ainda indeterminado. Visivelmente emocionada ao se tratar deste assunto, Sheila lamenta que a falta operacional do maquinário é apenas um, dos inúmeros problemas impostos pelo sistema. Ela disse não entender o motivo para tanta demora na manutenção da máquina.

"O que nos intriga é saber que a máquina quebrou no dia 15 de janeiro e apenas no dia 19 de fevereiro foi que um engenheiro chegou em Aracaju para tentar concertar. Outra questão: o perito viu que uma peça estava danificada, não encontrou no mercado brasileiro, viajou aos Estados Unidos para comprar e quando voltou de lá, ao invés de vir direto para Aracaju, desceu em Belo Horizonte e por lá ficou mais 15 dias", declarou. Na semana passada o profissional voltou a Aracaju, e tem trabalhado para tentar reativar o equipamento o mais rápido possível. A direção do HC trabalha com a possibilidade de reiniciar os serviços na próxima terça-feira, mas essa meta, assim como em outras oportunidades deste ano, pode ser adiada.

Em janeiro, justamente no período em que a máquina quebrou, 42 pacientes eram atendidos pelo Hospital de Cirurgia. Com a suspensão, quatro pessoas morreram, sendo três homens e uma mulher. Sem estrutura básica, o Grupo Mulheres do Peito lamentam que inúmeros pacientes permaneçam amargando a falta de assistência pública constitucional há mais de 80 dias. A não funcionalidade da máquina de radioterapia do HC é apontado pelos críticos como o problema mais midiático. Por trás dele existem muitos outros que interferem diretamente no quadro clínico dos usuários do sistema.

"Se vocês chegarem qualquer dia no setor de oncologia do Hospital de Cirurgia vão se deparar com salas praticamente esvaziadas. A máquina quebrada apenas tem visibilidade maior, mas na unidade não nos deparamos com médicos oncologistas. Isso acontece, por exemplo, porquê há mais de seis meses não se tem remédio para fornecer às pessoas. Não tem nada, é um verdadeiro descaso", criticou. Sheila Galba voltou a enaltecer a aquisição da nova máquina implantará no Huse, e aproveitou para pedir ao Ministério Público Estadual e ao Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe uma ação redobrada no sentido de viabilizar melhorias imediatas para o HC.
"Volto a agradecer em nome de tantas centenas de pessoas pela chegada da nova máquina no Hospital de Urgência. Mesmo com a demora e com a perda lamentável de tantas vidas, esse equipamento ajudará a salvar muitas outras. Por outro lado, venho pedir encarecidamente que os nossos representantes executivos e fiscais dos órgãos de fiscalização e justiça ampliem as ações. É inadmissível que pessoas sigam sofrendo há meses em virtude da precarização do sistema em especial no Hospital de Cirurgia. Precisamos mudar a atual realidade para que os números do Inca não nos faça perder tantas pessoas que estarão iniciando mais uma batalha pela vida", pontuou.