Opiniões sobre a prisão de Lula

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Publicada em 08/04/2018 às 00:59:00

Quem já viu, que veja de novo. Quem não viu, que veja agora. Atentemos para essas três opiniões sobre a condenação e prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
1 -"O objetivo, fica agora mais evidente do que nunca, era prender Lula o mais rapidamente possível. Infelizmente, para o país, para a política, para o direito, há obviamente um caso de perseguição política a essa altura. Fim de conversa, não tem mais o que dizer, não tem mais como dourar a pílula. Há um caso claro de perseguição política. O TRF-4 julgou Lula num prazo inédito, que não usou pra ninguém. O TRF-4 julgou os embargos num prazo inédito, que não usou para ninguém. E manda executar a sentença num prazo igualmente inédito, não esperando nem mesmo o recurso a que a defesa tem direito".

"Cada vez mais estou convencido de que estamos lidando com fanáticos, porque não dar ao Lula nem o direito a um recurso a que ele tem direito, independente da justeza ou não da condenação, aí realmente é deixar claro o seguinte: nós fazemos nesse país o que bem entendemos. E, infelizmente, como não há direita liberal no Brasil, a direita no Brasil hoje é direita xucra, com raras exceções. Sabe qual o problema da direita brasileira? Ela odeia gente de língua presa, ela odeia gente de nove dedos, ela odeia gente de origem operária. Ah, mas ele roubou. Mentira! Mentira porque está cercada de outros ladrões. Uma direita que não respeita direitos constitucionais, uma direita que não respeita as leis, uma direita que não respeita direitos individuais, uma direita que permite que a justiça se comporte como poder absoluto, negando a um condenado até um recurso a que ele tem direito, isto não é direita liberal. Isto é, no mínimo, direita fascistoide. Porque aí a questão é a seguinte: já que nós não conseguimos nos impor eleitoralmente, então vamos tirar de circulação aquele que se impôs."

2 -"Quando uma ministra do Supremo (Rosa Weber), depois de ter sido pressionada da forma que foi (pelo comandante do Exército), capitula em suas convicções para acomodar interesses alheios à lei e ao direito, que foi o que ela fez e tentou explicar no seu voto, temos uma Corte que não é suprema de si mesma, e as pessoas percebem isso. Era obrigação do Supremo afirmar sua competência sobre o assunto, independentemente da opinião de qualquer autoridade da República".
"Como que ela diz que é contra a prisão em segunda instância e vota a favor dela em um caso concreto? Imagine a seguinte situação: ela é juíza na Alemanha nazista e acredita que a cassação dos direitos civis dos judeus seja errada. Ela votaria a favor só para ir com a maioria que nem ela fez?"
"A Corte estava rachada, ela não foi com maioria nenhuma. O voto de minerva foi da presidente Cármen Lúcia. A presidente, aliás, não observou o princípio ancestral de, em dúvida, ser pró réu. Em uma decisão rachada em 5 a 5, ou seja, em dúvida, ela foi contra o réu".
"Se eles forem até o fim, o Lula ganhar e conseguir na Justiça o direito de assumir, vai ter um golpe civil militar para impedir."

3 -"Ter um ex-presidente da república como Lula condenado é muito negativo para o Brasil".
"Não é possível simplesmente esperar o trânsito em julgado, porque isso não existe mais na prática".
"A única coisa que me conforta nisso tudo é que toda essa crise que estamos vivendo é fruto de uma desinstitucionalização criada pelo PT".
"Foram péssimas indicações para o Supremo. Pessoas que não eram conhecidas foram indicadas, não tinham formação, não tinham pedigree. Eram para preencher vagas como de simpatizantes do MST, de causas, de grupo afro, sem respeitar a institucionalização do País, por ser amigo de algum político."
Para os apaixonados que veem na defesa de Lula coisa de petralha: as três opiniões são de senhores declaradamente antipetistas e antilulistas.
A primeira citação é do jornalista Reinaldo Azevedo, comentarista da Rádio Bandeirantes, comumente citado como guru da direita.

A segunda é de Roberto Romano, professor de ética e filosofia da Unicamp. Ele mesmo afirma: "Não sou petista ou especialmente a favor de Lula, fui muito crítico aos governos do PT aliás, mas o que aconteceu foi gravíssimo. Oficializou-se o desrespeito completo à Constituição".
A terceira é citação do ministro Gilmar Mendes, que mais de uma vez já disse que não gosta do PT e de Lula. Como se juiz pudesse declarar suas preferências partidárias e políticas, mas aí é outra história.
O que cabe deixar registrado é que não é paranoia de esquerdo pata desconfiar "que a acusação talvez não fosse suficiente para prender um ex-presidente enquanto há outros corruptos envolvidos em desvios maiores que continuam soltos", como bem lembrou o brasilianista Riordan Roett, diretor do Programa de Estudos da América Latina da Universidade Johns Hopkins, em Washington, DC, ouvido pelo UOL.
"É evidente que houve uma tentativa de derrubar o projeto do PT. Começaram pelo ponto mais fraco, que era Dilma, e depois viram que precisariam derrubar também Lula. Quiseram fazer isso antes que ele pudesse ser eleito presidente mais uma vez", afirmou categoricamente James Green, professor de história e estudos brasileiros na Universidade Brown, também nos EUA, igualmente ouvido pelo UOL, observando que a prisão de Lula é resultado de um desejo de acabar com o PT e com a esquerda do Brasil.
E quem afirmar o contrário não estará sendo honesto com suas convicções.