O perigo na esquina

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Às mulheres, o bocado mais amargo da História
Às mulheres, o bocado mais amargo da História

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Publicada em 12/04/2018 às 06:35:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Eu não tenho tempo 
para as séries de te-
levisão. As maratonas em frente ao aparelho estragam a vista e escravizam a curiosidade melhor empregada em filmes e livros. Mas toda regra tem exceção. 'The Handmaid's Tale - O conto da Aia' ecoa as urgências, temores e ansiedades próprias dos nossos dias, amplificando o perigo. Nunca estivemos tão próximos de viver uma distopia.
Brave new world!, para lembrar Huxley. Na realidade da série, uma adaptação do romance 'O conto da Aia', de Margaret Atwood, o indivíduo é anulado de todas as formas imagináveis. O dissenso é crime. O Estado é o espírito e a razão. E as mulheres provam, como sempre, o bocado mais amargo da História.
'The Handmaid's Tale' já foi perfeitamente definida como um pesadelo totalitário. Um atentado terrorista ceifa a vida do Presidente dos Estados Unidos, incapaz de lidar com uma crise demográfica às avessas, pretexto sob o qual uma espécie de seita católica toma o poder com o intuito declarado de restaurar a paz. O grupo transforma o país na República de Gilead, instaurando um regime baseado nas leis do antigo testamento.
Como todo trabalho digno de menção, a série estrelada por Elisabeth Moss é repleta de nuances. O pressuposto moral amparando o novo regime e a sua casta de privilegiados, no entanto, não deixa margem para dúvidas. O papel social de cada cidadão é uma herança divina. E, para os eleitos deste mundo, a força é um atributo sagrado, além de ser também a sua maior garantia.

Eu não tenho tempo  para as séries de te- levisão. As maratonas em frente ao aparelho estragam a vista e escravizam a curiosidade melhor empregada em filmes e livros. Mas toda regra tem exceção. 'The Handmaid's Tale - O conto da Aia' ecoa as urgências, temores e ansiedades próprias dos nossos dias, amplificando o perigo. Nunca estivemos tão próximos de viver uma distopia.
Brave new world!, para lembrar Huxley. Na realidade da série, uma adaptação do romance 'O conto da Aia', de Margaret Atwood, o indivíduo é anulado de todas as formas imagináveis. O dissenso é crime. O Estado é o espírito e a razão. E as mulheres provam, como sempre, o bocado mais amargo da História.
'The Handmaid's Tale' já foi perfeitamente definida como um pesadelo totalitário. Um atentado terrorista ceifa a vida do Presidente dos Estados Unidos, incapaz de lidar com uma crise demográfica às avessas, pretexto sob o qual uma espécie de seita católica toma o poder com o intuito declarado de restaurar a paz. O grupo transforma o país na República de Gilead, instaurando um regime baseado nas leis do antigo testamento.
Como todo trabalho digno de menção, a série estrelada por Elisabeth Moss é repleta de nuances. O pressuposto moral amparando o novo regime e a sua casta de privilegiados, no entanto, não deixa margem para dúvidas. O papel social de cada cidadão é uma herança divina. E, para os eleitos deste mundo, a força é um atributo sagrado, além de ser também a sua maior garantia.