Política e políticos

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Publicada em 12/04/2018 às 07:22:00

 

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB
O Beato Paulo VI ensinou que a polí-
tica é a mais alta forma do exercí-
cio da caridade, porque é um serviço prestado a um povo que delegou a alguém poderes especiais na busca do bem comum. O mesmo ensinou São João Paulo II em suas viagens ao redor do mundo, lembrando aos homens do poder que eles estavam ali a serviço do povo, para o bem da comunidade humana, e não para seus interesses pessoais.
Alguns pensadores são bem severos em suas apreciações sobre a política e os políticos. D'Alembert, em suas "Mélanges de littérature", ensina que a guerra é a arte de destruir os homens, da mesma forma que a política é a arte de enganá-los. Maurice Barrès proclama que a política não é assunto próprio de filósofos e moralistas, porque é a arte de tirar de uma situação embaraçosa a melhor escolha possível. Já o conhecido Otto von Bismarck, disse: "A política não é uma ciência, como muitos professores imaginam, mas sim uma arte". Louis Dumur, em seus "Petits aphorismes", denuncia que "a política é a arte de servir-se dos homens, fazendo-os crer que se serve a eles". Já Walter B. Pitkin, em sua obra "The twilight of the American mind", é muito severo e pessimista ao afirmar: "Os políticos são gente semifracassada em seus negócios particulares e profissões. São homens de mentalidade medíocre, moral duvidosa e portentosa vulgaridade".
Mas temos também alguns exemplos de políticos notáveis pela seriedade de comportamento.
Começo com o brasileiro Adroaldo Mesquita da Costa - nasceu em 1894 em Taquari (RS), onde morreu em 1985. Foi aluno dos jesuítas em São Leopoldo (RS). Deputado constituinte em 1946, foi Ministro do Interior no governo Dutra, de l947 a 1950. Também jornalista, fundou o Diário de Notícias, de Porto Alegre. Notabilizou-se pela retidão de caráter e integridade de conduta.
Giorgio La Pira - foi prefeito de Florença em dois períodos do agitado pós-guerra italiano, de 1951 a 1957 e de 1961 a l965. Cognominado "o prefeito santo", já tem em seu processo de beatificação o título de Servo de Deus.
Outro político cristão notável da Itália é Igino Giordani (1894-1980). Foi bibliotecário da Biblioteca Vaticana e com Chiara Lubich é o fundador do Movimento dos Focolares, onde viveu a política de comunhão. Ativo na política italiana, após a segunda guerra mundial, participou como deputado da Assembleia Constituinte que deu forma à república italiana. Definia a política como "a caridade em ato". Tinha no Movimento o nome de Foco. Faleceu em Rocca di Papa na casa dos Focolarinos. Também está em curso seu processo de beatificação e canonização.
Temos ainda no Brasil um exemplo de integridade moral e visão esclarecida do bem comum. Curiosamente, seu nome completo era João Augusto Fernandes Campos Café Filho, mas ficou conhecido apenas por Café Filho. Nasceu em Natal - RN em 1899 e morreu no Rio de Janeiro em 1970. Era Vice-Presidente de Getúlio Vargas, pelo Partido Social Progressista, quando explodiu a grave crise, nascida do atentado a Carlos Lacerda na rua Toneleros, que matou o Major Vaz. Atribuiu-se sua origem a Gregório Fortunato, famoso e poderoso guarda-costas de Getúlio. No clima de angústia em que a nação se viu atirada, Vargas dizia que um mar de lama invadira o Palácio do Catete, sede do governo. Foi aí que, num gesto de nobreza e verdadeiro patriotismo, Café Filho disse a Getúlio: "O que melhor podemos fazer pelo Brasil neste momento é renunciarmos. Eu garanto ao senhor que renunciarei à Presidência, logo que o senhor renunciar". Mas, infelizmente, Getúlio preferiu "sair da vida para entrar na história" - como ele escreveu - com um tiro de revólver no coração. Café Filho foi Presidente apenas de 24 de agosto de l954 a 8 de novembro de 1955, quando foi deposto.
Precisamos de bons exemplos para os nossos dias...  
* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió
(foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)
dedvaldo@salesianorecife.com.br

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB


O Beato Paulo VI ensinou que a polí- tica é a mais alta forma do exercí- cio da caridade, porque é um serviço prestado a um povo que delegou a alguém poderes especiais na busca do bem comum. O mesmo ensinou São João Paulo II em suas viagens ao redor do mundo, lembrando aos homens do poder que eles estavam ali a serviço do povo, para o bem da comunidade humana, e não para seus interesses pessoais.
Alguns pensadores são bem severos em suas apreciações sobre a política e os políticos. D'Alembert, em suas "Mélanges de littérature", ensina que a guerra é a arte de destruir os homens, da mesma forma que a política é a arte de enganá-los. Maurice Barrès proclama que a política não é assunto próprio de filósofos e moralistas, porque é a arte de tirar de uma situação embaraçosa a melhor escolha possível. Já o conhecido Otto von Bismarck, disse: "A política não é uma ciência, como muitos professores imaginam, mas sim uma arte". Louis Dumur, em seus "Petits aphorismes", denuncia que "a política é a arte de servir-se dos homens, fazendo-os crer que se serve a eles". Já Walter B. Pitkin, em sua obra "The twilight of the American mind", é muito severo e pessimista ao afirmar: "Os políticos são gente semifracassada em seus negócios particulares e profissões. São homens de mentalidade medíocre, moral duvidosa e portentosa vulgaridade".
Mas temos também alguns exemplos de políticos notáveis pela seriedade de comportamento.
Começo com o brasileiro Adroaldo Mesquita da Costa - nasceu em 1894 em Taquari (RS), onde morreu em 1985. Foi aluno dos jesuítas em São Leopoldo (RS). Deputado constituinte em 1946, foi Ministro do Interior no governo Dutra, de l947 a 1950. Também jornalista, fundou o Diário de Notícias, de Porto Alegre. Notabilizou-se pela retidão de caráter e integridade de conduta.
Giorgio La Pira - foi prefeito de Florença em dois períodos do agitado pós-guerra italiano, de 1951 a 1957 e de 1961 a l965. Cognominado "o prefeito santo", já tem em seu processo de beatificação o título de Servo de Deus.
Outro político cristão notável da Itália é Igino Giordani (1894-1980). Foi bibliotecário da Biblioteca Vaticana e com Chiara Lubich é o fundador do Movimento dos Focolares, onde viveu a política de comunhão. Ativo na política italiana, após a segunda guerra mundial, participou como deputado da Assembleia Constituinte que deu forma à república italiana. Definia a política como "a caridade em ato". Tinha no Movimento o nome de Foco. Faleceu em Rocca di Papa na casa dos Focolarinos. Também está em curso seu processo de beatificação e canonização.
Temos ainda no Brasil um exemplo de integridade moral e visão esclarecida do bem comum. Curiosamente, seu nome completo era João Augusto Fernandes Campos Café Filho, mas ficou conhecido apenas por Café Filho. Nasceu em Natal - RN em 1899 e morreu no Rio de Janeiro em 1970. Era Vice-Presidente de Getúlio Vargas, pelo Partido Social Progressista, quando explodiu a grave crise, nascida do atentado a Carlos Lacerda na rua Toneleros, que matou o Major Vaz. Atribuiu-se sua origem a Gregório Fortunato, famoso e poderoso guarda-costas de Getúlio. No clima de angústia em que a nação se viu atirada, Vargas dizia que um mar de lama invadira o Palácio do Catete, sede do governo. Foi aí que, num gesto de nobreza e verdadeiro patriotismo, Café Filho disse a Getúlio: "O que melhor podemos fazer pelo Brasil neste momento é renunciarmos. Eu garanto ao senhor que renunciarei à Presidência, logo que o senhor renunciar". Mas, infelizmente, Getúlio preferiu "sair da vida para entrar na história" - como ele escreveu - com um tiro de revólver no coração. Café Filho foi Presidente apenas de 24 de agosto de l954 a 8 de novembro de 1955, quando foi deposto.
Precisamos de bons exemplos para os nossos dias...  
* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió(foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)dedvaldo@salesianorecife.com.br