Cantando na chuva em Copacabana

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DELICIEI-ME COM O MAGNETISMO E A BELEZA INCOMPARÁVEL DA PRAIA MAIS LINDA DO MUNDO
DELICIEI-ME COM O MAGNETISMO E A BELEZA INCOMPARÁVEL DA PRAIA MAIS LINDA DO MUNDO

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Publicada em 02/10/2012 às 15:16:00

Já no Rio de Janeiro, eu e todos os passageiros e tripulantes, do bimotor DC-7 da VARIG, fomos obrigados a sobrevoar a cidade sob um temporal assustador, durante mais de vinte minutos, até que a situação permitisse a aterrissagem sem riscos, na pista do aeroporto, Santos Dumont. Enquanto muitos passageiros estavam vomitando e outros assustados, quase em pânico, eu permanecia absolutamente tranquilo, em que pese a minha condição de "marinheiro" de primeira viagem. Dentro de mim a certeza de que Deus não iria permitir que eu morresse aos dezoito aninhos sem conhecer a cidade dos meus sonhos. Ah, não ia mesmo!
Ao adentrar o imenso saguão do aeroporto, entre muitos rostos apreensivos e ansiosos, divisei a figura sempre serena do meu amigo Antônio Pedro, o Toinho, ele que, sergipano de Laranjeiras, residia há muitos anos no Rio de Janeiro, para onde fora transferido na condição de funcionário concursado da Empresa de Correios e Telégrafos. Em carta, ele prometera ir me aguardar no aeroporto e de lá seguiríamos para o seu apartamento, na Avenida Mem de Sá, no centro histórico da outrora capital do Brasil. Apaixonado pelo Rio, ele estava feliz ao abraçar-me, dando-me as boas-vindas. Era uma sexta-feira à noite, cerca de dezenove horas e, no domingo, eu deveria seguir para Cascadura, zona norte da cidade, para hospedar-me na cada de minha tia Mundinha, irmã da minha mãe.

Ao embarcarmos no táxi, falei para Toinho que, antes, queria conhecer Copacabana e seguimos para lá, eu ansioso por pisar naquele emblemático calçadão com traçados geométricos, da Avenida Atlântica e deliciar-me com o magnetismo e a beleza incomparável da praia mais linda do mundo, tão decantada em prosa e versos. Logo no início da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, paralela à Avenida Atlântica, descemos e logo me vi diante daquele imenso mar azul e da imponência dos arranha-céus em contraste com o classicismo sedutor do tradicional Hotel Copacabana Palace, cenário de incontáveis deliciosas comédias da Atlântida, onde pontificavam grandes estrelas, como Oscarito, Grande Otelo, Eliana, Anselmo Duarte, Fada Santoro, Adelaide Chiozzo, Sônia Mamede, Cyl Farney e tantos outros, verdadeiros ídolos populares no final da década de 40 e em todo o decorrer dos anos 1950.

Pedi a Toinho para me beliscar para ter a certeza de que não estaria sonhando. Não, não era sonho, eu estava vivenciando, talvez, o melhor momento de minha curta existência. A felicidade era tanta que me senti como personagem de um musical da Atlântida e comecei a dançar e cantar:
"Rio de Janeiro, gosto de você
Gosto de quem gosta
Deste céu, deste mar, desta gente feliz!..."
Ao termino da canção, logo emendava outra
"O Rio amanheceu cantando
Toda a cidade amanheceu em flor
Os namorados vão pra rua em bandos
Porque a primavera é a estação do amor!..."
E concluía, apoteoticamente, sob os aplausos incentivadores de Toinho e assombro dos passantes:
"Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil!..."
Era um grande passeio e passeio é vida. Quero que seja sempre assim, pensei. Que noite linda de transição! Também estou em transição, mas agora, prevendo as próximas etapas, devo comparar onde estive com onde estava. Quero tudo: as dores e os medos também, porque tudo significa estar vivo. E mais ainda, no Rio de Janeiro. (Extraído do meu livro de memórias inédito, "Um Estanciano Arteiro no Rio de Janeiro).