O mundo em chamas

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Quem se importa?
Quem se importa?

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Publicada em 13/04/2018 às 22:45:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Solidariedade é uma 
palavra fora de 
moda. Desde ontem, a imagem de um manifestante em chamas impressiona os quatro cantos do mundo, recebe comentários de admiração em todos os pontos cardeais do planeta. Mas, alheia às circunstâncias preocupantes do episódio, indiferente a qualquer contexto, a humanidade de todos os povos só tem olhos para a beleza plástica do registro, pouco se importando com a situação e o personagem de carne e osso. Às favas a História!
O estudante Víctor Salazar teve as roupas incendiadas pela explosão de uma motocicleta, durante um protesto em Caracas, em maio do ano passado. A imagem foi capturada pelo fotógrafo Ronaldo Schemidt, premiado no World Press Photo 2018. Um registro assim impressionante deveria revelar o drama de uma população inteira, inimiga declarada do caudilho encastelado num pedaço encharcado de petróleo da América Latina. Mas, de novo: quem se importa?
Há tensão em todas as partes. Guerras, refugiados, terrorismo, massacres. As rebeliões frequentes nos presídios brasileiros; o assassinato de uma vereadora eleita com votação expressiva, no Rio de Janeiro, no entanto, são assimilados como fatos corriqueiros, esquecidos impunemente. Em Terra Brasílis, o mal é cuidadoso, não divulga imagens capazes de se fixar às retinas. E, por consequência, já não comove.
As Jornadas de Junho mereceram o último ponto de exclamação da crônica política e cultural tupiniquim, uma declaração de violência inútil, assinada pelo ativismo Black Bloc. Depois disso, tudo virou pretexto para as ocupações e as passeatas, uma marcha barulhenta para lugar nenhum, um movimento de autômatos, animados com a mesma paixão da tinta no carimbo dos burocratas. 
Hoje, a reação mais comum à tragédia nossa de cada dia é a de um sujeito anestesiado. Quando o jornalista Vladimir Herzog foi suicidado numa cela do DOI/CODI, ao contrário, o absurdo impresso numa fotografia ordinária emocionou Deus e o mundo. Não há, ali, o olhar de um profissional atento à ordem da composição, nenhuma preocupação de natureza estética. O assombro que ainda incomoda é filho jamais reconhecido da História.

Solidariedade é uma  palavra fora de  moda. Desde ontem, a imagem de um manifestante em chamas impressiona os quatro cantos do mundo, recebe comentários de admiração em todos os pontos cardeais do planeta. Mas, alheia às circunstâncias preocupantes do episódio, indiferente a qualquer contexto, a humanidade de todos os povos só tem olhos para a beleza plástica do registro, pouco se importando com a situação e o personagem de carne e osso. Às favas a História!
O estudante Víctor Salazar teve as roupas incendiadas pela explosão de uma motocicleta, durante um protesto em Caracas, em maio do ano passado. A imagem foi capturada pelo fotógrafo Ronaldo Schemidt, premiado no World Press Photo 2018. Um registro assim impressionante deveria revelar o drama de uma população inteira, inimiga declarada do caudilho encastelado num pedaço encharcado de petróleo da América Latina. Mas, de novo: quem se importa?
Há tensão em todas as partes. Guerras, refugiados, terrorismo, massacres. As rebeliões frequentes nos presídios brasileiros; o assassinato de uma vereadora eleita com votação expressiva, no Rio de Janeiro, no entanto, são assimilados como fatos corriqueiros, esquecidos impunemente. Em Terra Brasílis, o mal é cuidadoso, não divulga imagens capazes de se fixar às retinas. E, por consequência, já não comove.
As Jornadas de Junho mereceram o último ponto de exclamação da crônica política e cultural tupiniquim, uma declaração de violência inútil, assinada pelo ativismo Black Bloc. Depois disso, tudo virou pretexto para as ocupações e as passeatas, uma marcha barulhenta para lugar nenhum, um movimento de autômatos, animados com a mesma paixão da tinta no carimbo dos burocratas. 
Hoje, a reação mais comum à tragédia nossa de cada dia é a de um sujeito anestesiado. Quando o jornalista Vladimir Herzog foi suicidado numa cela do DOI/CODI, ao contrário, o absurdo impresso numa fotografia ordinária emocionou Deus e o mundo. Não há, ali, o olhar de um profissional atento à ordem da composição, nenhuma preocupação de natureza estética. O assombro que ainda incomoda é filho jamais reconhecido da História.