O SONHO DO BERÇO ESPLÊNDIDO E O ACORDAR DE UM PESADELO

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Publicada em 16/04/2018 às 05:44:00

O nosso hino, aquela metáfora  de ufanismos ilimitados, se fez adequado ao tamanho enorme de todas as exuberâncias, aquelas,que a ¨terra  mais garrida¨ magnanimamente oferece aos filhos amados, desde entretanto, que, seguindo o dístico da positivista bandeira  verde - ouro anil, garantam a ordem,  e assim façam fluir o progresso. Tudo muito bonitinho, tudo muito certinho,e a pátria amada salve salve, seguiria em frente, fagueira , lépida, impoluta.

 

¨Não verás no mundo país como este ¨ , já cantava o poeta naquele tom de ufano-nativismo acoplado nas cartilhas que o Ministério da Educação espalhava, para criar,  nas escolas, um vago sentimento de brasilidade,  sustentado   na exaltação da natureza dadivosa,  prodigalizando a pátria amada com um repertório fabuloso de infinitas riquezas.

 

Os brasileiros, bem-aventurados, eram únicos herdeiros deum quase jardim de Éden, a terra imensa que dormitava ¨ao som do mar e à luz do céu profundo¨. Seriam eles, então, os beneficiários únicos de tudo aquilo que a terra ¨mais garrida¨ oferecia, e assim, usufruindo com exclusividade dos nossos rios, das nossas matas, de tudo o que a pátria lhes proporcionava, seriam, para sempre, habitantes satisfeitos ou apenas acomodados, de um país cuja realização plena era remetida ao futuro.

 

E dessa forma construiu-se a nossa fraudulenta História oficial, ou oficialesca.

 

A estrutura de poder e mando, mudando de trajes, ou seja, adequando ao tempo, apenas a aparência modernizada, fez o transito desde a Colônia para o Império, onde mais enfatuou-se, enchendo-se com os atavios  de nobreza, tendo, bem ali, a Corte por mais perto.  Entrou, República adentro,  sem perder a simbologia dos baronatos, e  empoderou-se e, mais ainda, com as estrelas da Guarda Nacional, presenteadas para hierarquizar a organização, com patentes de coronel aos grandes senhores de terra,  postos de major até a intelectuais,  que se faziam solícitos na construção da narrativa conservadora, uma espécie de ¨deixe como está para ver como é que fica ¨, ou, ¨¨ se mexer o caldo desanda.

 

Mas a trajetória não foi assim tão quieta, nem o povo tão submisso, como desejariamaqueles a quem Raymundo Faoro espelhou, na definição sempre atual do seu livro Os Donos do Poder,  leitura que deveria ser exigida nas nossas escolas tão amorfas em face do pensamento.

 

Fala-se na espada de Caxias a sufocar revoltas separatistas, ou sociais. O duque de Caxias, o chefe militar que virou adjetivo, nas casernas e fora delas, foi, de fato, fundamental para que o Brasil tivesse hoje essa geografia, tal como outros heróis esquecidos, tanto no usoinevitável da força, como na arte da diplomacia, ou na supremacia do argumento em cortes internacionais.

 

A própria geografia física do Brasil é uma conquista, quase sem armas, um diferencialde habilidades em relação a outros países, como por exemplo os Estados Unidos, que esmagou o México, para acrescentar mais estrelas à sua bandeira, simbolizando terras conquistadas, Texas, Novo México, Califórnia, e por ai vai.

 

Sempre fomos infensos às vozes da mudança, ou a elas aderimos de forma equivocada, como acontece agora com a audiência conferida ao vozerio radical, seja de bolsonaristas, seja de lulistas, estes últimos, tomados de um certo desespero, diante do desmoronar da figura ícone, que poderia ser também um ícone da nossa história como país,  não houvesse capitulado, aderido,  e se misturado aos ¨300 picaretas¨ que ele mesmo, quando  deputado federal denunciou,  horrorizado com as entranhas  dos podres poderes, com as quais passou a conviver, ao frequentar, faz tempo, o nosso agora inteiramente desmoralizado Congresso, como desmoralizado está o Executivo, e desmoralizando-se, a cada dia, o Supremo Tribunal Federal.

 

O berço esplendido se tornou espinhento, o sonho virou pesadelo, e os brasileiros, infelizmente desesperançados, fogem agora rumo a Portugal, onde até o fado já se livroudaquela chatice lacrimejante, algo a  ver com os tempos  sem graça e sem alegria do rabugento Oliveira Salazar.

 

UM DETRAN SERVINDO
COM MAIS AGILIDADE
Qualquer coisa relacionada aos serviços que o DETRAN presta ao público, fica a depender de uma extensa e labiríntica rede burocrática. É, quase sempre um tormento, resolver problemas relacionados a veículos e a quem os dirige.
Na presidência do DETRAN, pela primeira vez uma mulher, a advogada Luciana Cândida Deda de Melo Menezes, espera-se que ela possa, finalmente, vencer a barreira  do atraso e fazer do DETRAN um apêndice reformado e modernizado, no conjunto da máquina estatal, que, deploravelmente, se define como burocrática.Ninguém acreditaria que Donald Trump estaria a bombardear a Síria motivado pela humanística causa de deter os ataques com armas químicas que o feroz  e inquebrável Bashar el Assad, faz contra seu próprio povo. Nem se sabe com certeza se os gases venenosos teriam mesmo sido usados, ou se tudo não passa de uma farsa para encobrir outros propósitos. Algo idêntico à barbaridade que fez George Bush em relação ao Iraque.  O que espanta, em tudo isso, é a adesão da França a uma estupidez desse tamanho, saída da cabeça de um ególatra perigoso. Da Inglaterra o apoio não chega a ser incomum, pois a  subserviência de Londres a   Washington, é uma inversão histórica das antigas  relações de poder entre a Metrópole e a Colônia.
Trump não se dará por satisfeito enquanto não levar o mundo a uma catástrofe. Na Síria estão fortes contingentes da Rússia. Qualquer erro de pontaria, levará o mundo à beira do precipício. O fim do clima pós guerra fria era uma exigência do complexo militar -industrial que dá as cartas nos Estados Unidos. Para o Estado Militarista que o general Dwight Eisenhower denunciou, ao sair da presidência, a paz, significa prejuízos.Num episódio poucas vezes registrado na história ser-
gipana, o Tribunal de Justiça condenou dois deputa-
dos estaduais. Receberam uma pena que poderá ser de doze ou dezessete anos. O julgamento ficou inconcluso, somo se sabe, por ter um desembargador pedido vista aos processos. Mas retornará nos próximos dias, e, não havendo mudança de votos, a condenação será confirmada. O ocorrido é um registro dos tempos que vivemos. Há um forte ativismo judicial, uma forte tendência a aplicar penas, a determinar o encarceramento.
A opinião pública ocupa o cenário, numa  dessas raras ocasiões em que o brasileiro troca o hábito de xingar juízes de futebol, para xingar juízes togados, que absolvem. E dai nasce o debate, tanto com motivação oportunista , como também de uma grave preocupação com os rumos das nossas instituições, se é que elas ainda existem.
O poder derivado das urnas esvaziou-se, esvaiu-se no descrédito, ou na indignação popular.
A farra indiscriminada aos cofres públicos, da qual, gostem ou não gostem dela, a Lava Jato identificou, e criminalizou os seus mais destacados protagonistas,não acabou, apesar de tudo, e agora,menos ostensivamente  continua, principalmente naqueles locais onde exista menos ativismo do MP, menos presença do fator cidadania.
Nessa conjuntura, não se poderá dizer que exista a prevalência de um poder. Ocorre, apenas,o preenchimento de um espaço institucional esvaziado. Sem esse protagonismo judicialandaríamos mais acelerados em direção ao caos que nos espreita.
O Poder Judiciário, por sua vez, não escapa imune. Há forte criticas, insatisfações, geradas principalmente a partir da distancia que separa os níveis salariais, e faz com que, os de cima,  sejam vistos como privilegiados, sentimento que mais se aguça em face dos penduricalhos acrescentados aos vencimentos.
Mas a opinião públicatambém não se conformaria  com um poder judiciário omisso, ou, o que seria muito pior, conivente com tudo o que se identifica sob a forma de ilícitos, fraudes, malandragens.
 Evidentemente, as ruas não devempautar as ações do Judiciário, mas é inevitável a busca de uma sintonia com os gemidos ou os gritos ,  saídos daquilo que há pouco tempo se chamava, depreciativamente, de povaréu, populacho, patuleia, gentalha, chusma, plebe e até escória. A revolução francesa colocou em cena o¨san- culote ,¨ o povo quase andrajoso, derrubando as muralhas da Bastilha.
Desde que Ortega Y Gasset escreveu A Rebelião das Massas, o pensamento liberal começou adar espaço menos preconceituoso para ¨ aquilo ¨, hoje  cerimoniosamente tratado como opinião pública.
Mas, sintetizando tudo: A partir de uma denúncia bem formatada pelo Ministério Público, de um relatório consciencioso ealinhado aos códigos, elaborado pelo desembargador Roberto Fonseca Porto, e mais a acusação em plenário incisiva e convincente do Procurador Geral Roni Almeida, o pleno, mesmo com a sessão suspensa, praticamente já condenou os deputados estaduais Augusto Bezerra e Varzinhas, a uma pena de doze anos,  que a desembargadora Iolanda Guimarães entende que deverá ser de dezessete. 
Não é uma situação confortável para os dois parlamentares. Augusto, já tendo percorrido uma longa carreira com mandatos sucessivos, e Varzinhas exercendo o segundo. Há espaço ainda pararespiros, o que não falta nessa nossa justiça predominantemente recursal, e que,  por isso, como  tanto insistia o desembargador agora aposentado Pascoal Nabuco, se torna ineficiente, retardatária , e nisso se desgasta.
Uma batata quentíssima, a ser colocada sobre a mesa do deputado presidente da Assembleia,  Luciano Bispo,  que tem, desde  iniciado o seu período na presidência  agido com habilidade e muito diálogo, buscando superar o pesado clima no Legislativo, surgido desde que nele se introduziu um empresário politico sem mandato, mas, com muita capacidade de envolvimento e sedução. Tudo o que acontece agora, o tempo punitivo, tem sua origem naquele incomum instante da influencia de uma força estranha e externa sobre os rumos do Legislativo.

A MÁQUINA DA VIDA E O PACIENTE FRUSTRADO

A hemodiálise é a única esperança para os pacientes que têm os rins paralisados.  A máquina, à qual se atrelam duas, três vezes por semana,significa para eles a possibilidade de viver, ou a morte chegando rápida. A hemodiálise não pode ser interrompida, retardada. O tratamento aos  paciente renais é um dos procedimentos mais delicados, e depende do bom funcionamento de uma máquina, que é cara, e exige manutenção especializada, cuidados permanentes, principalmente no que se refere à assepsia.

 

A Central de Nefrologia anexa ao HUSE, o Hospital João Alves, funcionava de forma precária,  os pacientes faziam a longa espera numa sala em que à tarde o sol batia forte, e o calor era insuportável.O Secretario da Saúde  Almeida Lima, reformou o prédio, adquiriu novas máquinas e o governador Jackson Barreto, que se despedia do governo, quis inaugurar a Central. Aconteceu o ato, a placa foi descerrada, a sala visitada onde estavam as máquinas. Faltou dizer porém que a Central só funcionaria, efetivamente, no dia 20, portanto, 15 

 

dias após a inauguração. As máquinas teriam de ser testadas, alguns trechosda obra concluídos. No dia seguinte uma inspeção verificou que as máquinas não estavam mais no lugar, e isso, evidentemente gerou um escândalo, levou Sergipe desprimorosamente à  ser noticia no Jornal Nacional. O governador Belivaldo Chagas, que acabava de assumir, não gostou nada daquilo, e do que viu, de um modo geral no HUSE. Sobre Almeida e mais ainda sobre Jackson começou o inevitável bombardeio da crítica. Não poderia ser de outra forma, ainda mais agora, quando quase já vivemos clima de campanha eleitoral. O site do senador Valadares que o diga. Belivaldo tem seu próprio estilo de Governar, e costuma cobrar com muita ênfase, que haja eficiência, para que resultados sejam apresentados, então, convocou Almeida Lima. O Secretário explicou queefetivamente acontecera um erro, por não ter sido explicado, divulgado intensamente, que as instalações somente estariam prontas para atender ao público quinze dias depois. As máquinas não eram fake, existiam, mas estavam ainda sendo testadas. Belivaldo deu-lhe um prazo para por em funcionamento a Central de Hemodiálise. O prazo é o dia vinte, sexta-feira. Na visita surpresa que fez ao HUSE, Belivaldo não gostou do que viu, exonerou o diretor, nomeou outro, o médico Darcy Tavares, que dirigia o Hospital de Itabaiana, mostrando resultados positivos. Almeida Lima após a recomendação do Tribunal de Contas, para que não exerça, cargos simultâneos, deverá deixar a presidência da polêmica Fundação de Saúde. Não procede a informação de que o governador Belivaldo já teria convidado um outro nome para ocupar o lugar de Almeida. Belivaldo irá estabelecer regras, e vai cobrar resultados práticos, tais como arealização de centenas de cirurgias eletivas que estão numa demorada fila de espera, e estabelecer um padrão de atendimento no HUSE, compatível com a dignidade humana.

 

A HISTÓRIA DE UM GENIAL SERGIPANO

Comecemos transcrevendo um e-mail :

 

¨Oi professor Valdemberg,

 

Eu escrevo para lhe contar que o CNS, ( ConseilNational de RechercheScientifique ) acabou de anunciar o resultado do concurso para 6 vagas de Directeur de Recherche, o cargo final na carreira, e eu ganhei uma delas.

 

Obviamente, eu tenho de agradecer ao senhor por tudo o que me ensinoudentro e fora da matemática,  e nada disso teria acontecido sem a sua generosidade para comigo.

 

Abraços para o senhor e dona Luiza,

 

Mateus. ¨

 

Explicando: o Conselho Nacional de Pesquisa Científica, é a maior instancia da ciência francesa  visando a aplicação prática do conhecimento no campo das ciências exatas. O concurso para preenchimento das seis ambicionadas vagas, foi disputado por cientistas franceses e estrangeiros

 

 Mateus é um jovem senhor matemáticoque vive em Paris, há uns dez anos.

 

Ele é sergipano, nascido e criado na rua Rio Grande do Sul, Aracaju.  Filho de pais professores, Mateus estudava na Escola Dona Carlota, um colégio particular instalado na avenida Barão de Maruim, nas proximidades da Praça Camerino.  Mateus desinteressou-se pelas aulas, chegou a dizer mesmo que queria sair da escola, e abandonar o ensino formal. Tinha então 12 anos.

 

Corria a década dos noventa. Naquele tempo o professor doutor em matemática e física Valdemberg Araújo da Silva, era o Diretor do Departamento de Matemática da UFS. Valdemberg, dando aulasde geometria para integrantes de uma Sociedade Lacaniana, ouviu de uma professora um relato sobre o caso do menino Mateus, que não queria estudar, e ela, amiga das pais dele estava muito preocupada com a atitude do menino, que demonstrava ter um elevado grau de inteligência. Valdemberg se dispôs a ir conversar com Mateus. Foi à casa dos pais dele e pediu para conversar a sós com o menino. Fez-lhe então apenas duas perguntas,( o teor ele nem lembra mais ) mas, recorda bem que uma, era uma espécie de teste para avaliar  o grau do raciocínio lógico do aluno inquieto, a outra, especifica para entender melhor o caráter do jovem, algo que passava pelo sentimento de humildade.

 

Surpreso com as respostas, Valdemberg convidou Mateus para estudar com ele matemática, no campus da UFS, desde que ele permanecesse na escola. No outro diaa uma hora da tarde, Mateus já estava no Departamento de Matemática. Levava caderno lápis eum pequeno vaso plástico onde estava cuidadosamente cortadas, farias de melão. É a merenda que mamãe disseque eu tenho de trazer todo dia, explicou encabulado Mateus.

 

Valdemberg deu a primeira aula, pegou um livro de álgebra do segundo grau, o entregou para que Mateus lesse as primeiras quatro páginas. Na aula seguinte, Mateus chegou dizendo que lera quarenta. Valdemberg fez um teste, e verificou que ele aprendera tudo. A partir de então Mateus foi devorando livros, passou pelos do segundo grau e Valdemberg começou a tratar com ele de matemática do grau superior.  Breve, Mateus já transitava pela analise matemática, pelo cálculo.

 

Valdemberg foi participar de um encontro de matemáticos em Feira de Santana, onde teria de fazer palestras sobre análise matemática. Levou com ele o aluno que cada dia mais o surpreendia.  Fez a primeira palestra para uma plateia de uns dez matemáticos. No dia seguinte, um tanto indisposto,perguntou a Mateus se ele poderia substituí-lo. O menino hesitou,mas ele  foi incisivo: você vai. Saiu Mateus, e umas duas horas depois,Valdemberg foi até o local do encontro, que era o campus da Universidade Federal da Bahia. Chegou à porta da sala onde Mateus falava, e resolvia complicadíssimas equações assistido por uma plateia de mais de cem pessoas.  Vieram, atraídas para assistir a aula do menino gênio.

 

Resumo da ópera: Com 13 anos Matheus levado por Valdemberg foi fazer um mestrado no IMPA, Instituto de Matemática Pura e Aplicada, no Rio de Janeiro. O professor Jacó Palis, era diretor do IMPA , conheceu Mateus, entusiasmou-se com ele, mas, havia um obstáculo,a lei estabelecia a idade mínima para o mestrado, o professor Jacó resolveu tudo mandando que encontrassem uma lei que permitisse o ingresso do menino. Encontraram, e aos 15 anos ele já saltara do mestrado para o doutorado.

 

Um detalhe: os pais de Mateus queriam ir com ele morar no Rio, afinal, Marteus era uma criança. Sendo professores, não poderiam abandonar o trabalho. Era Secretário da Educação o sempre lembrado Luiz Antônio Barreto. Ser humano de qualidades imensas, Luiz entendeu que seria dever do governo assegurar o espaço para ofantástico Mateus. Os pais ganharam então uma licença especial remunerada e puderam ir morar no Rio. Por coisas assim, lúcidas, perfeitas, mas que não estariam devidamente enquadradas na imobilidade das leis, talvez Luiz tenha sofrido o que sofreu.

 

Aos 21 anos, Mateus fazia concurso para professor da Universidade de Paris, onde leciona, já tendo ultrapassado os trinta anos.

 

Segundo Valdemberg, Mateus não se considera gênio, nem sequer superinteligente, e fica encabulado quando a ele se referem como dotado de uma inteligência incomum.

 

Na UFS, o professor Valdemberg continua o seu trabalho voltado paradar uma base de proteção e acesso ao ensino a jovens que se mostram vocacionados para a matemática. O resultado desse trabalhoé revelado em tantos outros ¨Mateus ¨que agora são professores ou pesquisadores em universidades brasileiras e de outros países. Um deles, Ítalo Raoni, no Silicon Valley na California, é matemático da equipe do facebook

 

Esta semana o Departamento de matemática da UFS recebeu seis jovens mineiros, são eles, Laiz Dias Lima 17 anos, de São João do Paraiso;  Zenildo da Silva Souza, 18, de Indaiabira;  Farlene Antunes Amaral, 17 de Berizal ; Evelyn Mendes Pereira, 17, de Berizal;  Lilian Rocha Silva, 18, São João do Paraiso;  e  Alexandro dos Santos, 18, de São João do Paraiso. São municípios do norte de Minas Gerais. Eles fazem parte de um programa nacional de incentivo à matemática. Vão estudaraqui em Aracaju e farão o vestibular.

 

OS QUE FAZEM AS LEIS E OS QUE APLICAM AS LEIS

Num episódio poucas vezes registrado na história sergipana, o Tribunal de Justiça condenou dois deputados estaduais. Receberam uma pena que poderá ser de doze ou dezessete anos. O julgamento ficou inconcluso, somo se sabe, por ter um desembargador pedido vista aos processos. Mas retornará nos próximos dias, e, não havendo mudança de votos, a condenação será confirmada. O ocorrido é um registro dos tempos que vivemos. Há um forte ativismo judicial, uma forte tendência a aplicar penas, a determinar o encarceramento.

 

A opinião pública ocupa o cenário, numa  dessas raras ocasiões em que o brasileiro troca o hábito de xingar juízes de futebol, para xingar juízes togados, que absolvem. E dai nasce o debate, tanto com motivação oportunista , como também de uma grave preocupação com os rumos das nossas instituições, se é que elas ainda existem.

 

O poder derivado das urnas esvaziou-se, esvaiu-se no descrédito, ou na indignação popular.

 

A farra indiscriminada aos cofres públicos, da qual, gostem ou não gostem dela, a Lava Jato identificou, e criminalizou os seus mais destacados protagonistas,não acabou, apesar de tudo, e agora,menos ostensivamente  continua, principalmente naqueles locais onde exista menos ativismo do MP, menos presença do fator cidadania.

 

Nessa conjuntura, não se poderá dizer que exista a prevalência de um poder. Ocorre, apenas,o preenchimento de um espaço institucional esvaziado. Sem esse protagonismo judicialandaríamos mais acelerados em direção ao caos que nos espreita.

 

O Poder Judiciário, por sua vez, não escapa imune. Há forte criticas, insatisfações, geradas principalmente a partir da distancia que separa os níveis salariais, e faz com que, os de cima,  sejam vistos como privilegiados, sentimento que mais se aguça em face dos penduricalhos acrescentados aos vencimentos.

 

Mas a opinião públicatambém não se conformaria  com um poder judiciário omisso, ou, o que seria muito pior, conivente com tudo o que se identifica sob a forma de ilícitos, fraudes, malandragens.

 

 Evidentemente, as ruas não devempautar as ações do Judiciário, mas é inevitável a busca de uma sintonia com os gemidos ou os gritos ,  saídos daquilo que há pouco tempo se chamava, depreciativamente, de povaréu, populacho, patuleia, gentalha, chusma, plebe e até escória. A revolução francesa colocou em cena o¨san- culote ,¨ o povo quase andrajoso, derrubando as muralhas da Bastilha.

 

Desde que Ortega Y Gasset escreveu A Rebelião das Massas, o pensamento liberal começou adar espaço menos preconceituoso para ¨ aquilo ¨, hoje  cerimoniosamente tratado como opinião pública.

 

Mas, sintetizando tudo: A partir de uma denúncia bem formatada pelo Ministério Público, de um relatório consciencioso ealinhado aos códigos, elaborado pelo desembargador Roberto Fonseca Porto, e mais a acusação em plenário incisiva e convincente do Procurador Geral Roni Almeida, o pleno, mesmo com a sessão suspensa, praticamente já condenou os deputados estaduais Augusto Bezerra e Varzinhas, a uma pena de doze anos,  que a desembargadora Iolanda Guimarães entende que deverá ser de dezessete. 

 

Não é uma situação confortável para os dois parlamentares. Augusto, já tendo percorrido uma longa carreira com mandatos sucessivos, e Varzinhas exercendo o segundo. Há espaço ainda pararespiros, o que não falta nessa nossa justiça predominantemente recursal, e que,  por isso, como  tanto insistia o desembargador agora aposentado Pascoal Nabuco, se torna ineficiente, retardatária , e nisso se desgasta.

 

Uma batata quentíssima, a ser colocada sobre a mesa do deputado presidente da Assembleia,  Luciano Bispo,  que tem, desde  iniciado o seu período na presidência  agido com habilidade e muito diálogo, buscando superar o pesado clima no Legislativo, surgido desde que nele se introduziu um empresário politico sem mandato, mas, com muita capacidade de envolvimento e sedução. Tudo o que acontece agora, o tempo punitivo, tem sua origem naquele incomum instante da influencia de uma força estranha e externa sobre os rumos do Legislativo.

 

AVENTURAS OU DESVENTURAS DE UM PEQUENO EMPRESÁRIO

Lula Pedreira é um pequeno empresário. Ele é baiano. Os Pedreira formam uma família grande da região da chapada, terra de muitos coronéis e muitas contendas. Lula foi cedo para Salvador. Inteligente, ¨fazedor de amizades¨, não se contentou com o curso universitário, preferiu a aventura,  no Brasil  nada auspiciosa, de ser empresário. Empreender, entre nós é verbo novo, tão difícil de ser conjugado no presente que, até faz surgir a ideia pessimista de que no futuro, conjuga-lo, será pior ainda. Empreender não é apenas uma coisa difícil, é quase uma atitude heroica. Mas, naquele tempo , virada dos anos oitenta para noventa,  quem tivesse algum capital disponível era tentado a aplicá-lo no over night,  e ter um rendimento surpreendente , desde que não parasse para contar o dinheiro, porque, ao fim,  ele já ter-se-ia desvalorizado. Lula, pessoa cheia de relações, pensou investir na noite frequentada pela sua roda de amigos. Instalou uma boate e começou a fazer sucesso. Bom negócio na época era sempre aquele onde entrasse dinheiro na hora, e todo dia. Isso acontecia nas boates e restaurantes, onde a remarcação dos preços de comidas e bebidas, se fazia diariamente. Lula, com algum dinheiro, o aplicava no  Banco da Bahia. Ângelo Calmon de Sá o poderoso banqueiro, ex- ministro, frequentava sua boate, era seu amigo. Lula aplicava suas economias, fazia toda a movimentação financeira no Banco Econômico da Bahia, que parecia super sólido, até quando foi fechado, em meio à inúmeras peripécias. Lula, o empreendedor iniciante faliu, encerrou o negócio. Foi ser gerente de boates que sobreviviam na noite movimentada soteropolitana.  Conheceu Albano Franco, e logo veio o convite para que ele fosse trabalhar no turismo sergipano. Lula aceitou, e na EMSETUR fez um excelente trabalho, principalmente na Bahia, que é o maior polo emissor para Aracaju. Um dia, no aeroporto de Salvador, que ainda se chamava Dois de Julho, estava Lula com um amigo, esperavam conexão para São Paulo. Lula avistou o ex-banqueiro e ex-ministro Calmon de Sá na fila, num portão de embarque ao lado. Comenta com o amigo: ¨Veja só, o ¨deus¨ desceu ao chão, não vai de jatinho, nem está no embarque Vip, que milagre¨. Calmon o avista, e aproxima-se afável: ¨Lula Pedreira, como vái? Como estão seus negócios?¨  E Lula sem titubear responde- ¨Não tenho mais negócios ministro, quebrei, perdi tudo no seu banco¨. A conversa ali acabou.

 

Pois então, passado tanto tempo, Calmon de Sá não é mais banqueiro, e hoje está  ¨pobre¨, deve ter uns quinhentos milhões de dólares, e ainda move ação contra a União, a quem culpa pelo colapso do Econômico. Ex-banqueiro, ele transita pelo mundo das facilidades exclusivíssimas, pelas regalias dos poderosos. Já Lula Pedreira é de novo empreendedor. Mantém, faz uns oito anos, uma lavanderia moderna, ali no entorno do farol da UNIT. Perdeu o medo de bancos, entende que agora o sistema está mais confiável, mas, as dificuldades para o pequeno empresário, asseguraele, só fizeram aumentar. Diz isso, e retira do bolso um papel com a anotação de todas as obrigações que tem de cumprir, todas onerosas,e que demandam tempo. As obrigações e os custos são desproporcionais para a dimensão do seu negócio. Lula é apenas um, entre os milhões de micro e pequenos empresários brasileiros que fazem mágicas, e vão sobrevivendo. Sem eles, o desemprego hoje de doze por cento, estaria em torno dos vinte, e as ruas das grandes cidades, seriam praças de guerra

 

ALBANO E SUAS ANÁLISES POLÍTICAS E DIPLOMÁTICAS

Jozailto Lima no seu blog, fez uma longa entrevista com Albano, e uma introdução que é quase uma biografia do entrevistado. Mesmo alongando-se, o texto de Jozailto sempre faz agradável o seu percurso, ele maneja a narrativa com engenho e arte. Jozailto fez o trânsito para a rede virtual, depois de afastar-se do jornal Cinform, que recentemente encerrou a fase impressa, recorrendo ao mundo das telinhas. Nesse processo de¨globalização da aldeia¨ foram precursores DiogenesBrayner, emérito professor de jornalismo, e os cívicos gladiadores, Cláudio Nunes e Adiberto Souza. A tendência dominante agora é aderir à telinha, mas será um dia triste, principalmente para aqueles com vida mais espichada, quando acontecer a última leitura do ultimo jornal impresso.

 

 Mas, retornando à entrevista do garimpeiro de concordâncias, Albano Franco,o ponto fundamental para o momento político, foi uma certa dúvida ou suspeita que ele, ao seu jeito, teria deixado no ar. Albano quis efetivamente dizer que a oposição em Sergipe dissolveu-se, quando o senador Valadares resolveu criar uma terceira via. Diplomático como sempre, ele não quis externar preferencias, ressaltando, todavia, aquela que há muito vem declarando em relação a André Moura. Albano diz um tanto constrangido talvez, que não acredita num processo amplo de rejeição ao líder de Temer no Congresso. Ele não costuma fazer declarações prévias de voto, mas no caso de André, ele já dissera,  antes, que o apoiaria como candidato ao governo do estado, agora, preferiria  vê-lo como candidato ao Senado.  André tem uma reeleição certa, e a opção pelo Senado certamente envolve riscosde derrota, com todas as suas consequências, inclusive a de perder o manto do foro privilegiado.

 

TRUMP ACOSSADO FAZ GUERRA PARA DISFARÇAR

Ninguém acreditaria que Donald Trump estaria a bombardear a Síria motivado pela humanística causa de deter os ataques com armas químicas que o feroz  e inquebrável Bashar el Assad, faz contra seu próprio povo. Nem se sabe com certeza se os gases venenosos teriam mesmo sido usados, ou se tudo não passa de uma farsa para encobrir outros propósitos. Algo idêntico à barbaridade que fez George Bush em relação ao Iraque.  O que espanta, em tudo isso, é a adesão da França a uma estupidez desse tamanho, saída da cabeça de um ególatra perigoso. Da Inglaterra o apoio não chega a ser incomum, pois a  subserviência de Londres a   Washington, é uma inversão histórica das antigas  relações de poder entre a Metrópole e a Colônia.

 

Trump não se dará por satisfeito enquanto não levar o mundo a uma catástrofe. Na Síria estão fortes contingentes da Rússia. Qualquer erro de pontaria, levará o mundo à beira do precipício. O fim do clima pós guerra fria era uma exigência do complexo militar -industrial que dá as cartas nos Estados Unidos. Para o Estado Militarista que o general Dwight Eisenhower denunciou, ao sair da presidência, a paz, significa prejuízos.

 

UM DETRAN SERVINDOCOM MAIS AGILIDADE

Qualquer coisa relacionada aos serviços que o DETRAN presta ao público, fica a depender de uma extensa e labiríntica rede burocrática. É, quase sempre um tormento, resolver problemas relacionados a veículos e a quem os dirige.
Na presidência do DETRAN, pela primeira vez uma mulher, a advogada Luciana Cândida Deda de Melo Menezes, espera-se que ela possa, finalmente, vencer a barreira  do atraso e fazer do DETRAN um apêndice reformado e modernizado, no conjunto da máquina estatal, que, deploravelmente, se define como burocrática.