Como as pessoas vêm as outras!

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Publicada em 17/04/2018 às 00:08:00

 

* José Wilson Brito Couto
Quando galgamos umacerta idade, por volta de uns setenta a oitenta anos por exemplo, por força da própria  existência, adquirimos, e assistimos várias passagens na vida e que ficaram gravadas na nossa memória. Algumas boas, outras menos, e uma infinidade de ruins  e que encheram  os arquivos do nosso pensamento. Dai surgiu a ideia de observar o cotidiano, a maneira como nós humanos nos comportamos olhando  as outras  pessoas.  E para que isso aconteça, inicialment , a visão é primeiro sentido que vem a nos ajudar. Diferente de como vemos um animal, a maneira com que o ser humano encara outro de sua mesma espécie, é completamente contrária, pois entra no jogo os sentimentos próprios  da chamada "raça humana",  Vários são os sentimentos que governam o homem moderno. Sentimentos de amor e paz, de ódio e de vingança, de ciúmes ou inveja, de humildade e de orgulho, de compaixão e de desprezo,de paz e de destemperança, de desejo e de repúdio, de ganância ou de conformismo, e muitos e muitos outros resultantes da criação desta parte de nosso organismo, chamada cérebro. Estava eu na rua  no trânsito dentro do meu carro, e próximo a mim um rapaz de cor, deficiente, de muletas, aleijado das duas pernas, a mendigar umas míseras moedas naturalmente para seu sustento ou de sua família. Típico do exemplo do desprezado pelo poder público. Fiquei a observar seu comportamento e das pessoas para quem ele humildemente estendia a mão. Necessitado, ele insistia no pedido, e já acostumado de dez pessoas uma ou duas lhes dava uma moeda, o que ele gentilmente agradecia, pedindo a Deus pelo doador. Mas observando o seu semblante, não mudava a fisionomia, nem quando era agraciado pela esmola, nem pela negatividade do retorno. E só ele sabia o por que estava pedindo. No entanto, na cara de quem poderia dar aquela contribuição  , notava-se aos que atendiam, uma meia satisfação, e para os que não atendiam notava-se um pouco de desprezo, ou um pouco de incomodo. Não estou com essa observação me excluindo do contesto, pois sou humano também. Ninguém, em tempo algum, naquela hora pensaria - e se fosse ao contrário? E essa atitude é uma prática que nos ocorre diariamente tanto para quem nos interpela, como para os que nós interpelamos. Somos sempre críticos em relação as outras pessoas, bondosamente  ou as vezes cruelmente. Amemo-nos todos como irmãos, assim diz nossa religião e procuremos olhar os outros com amor e compaixão.
* José Wilson Brito Couto é professor emérito da UFS (aposentado)

* José Wilson Brito Couto


Quando galgamos umacerta idade, por volta de uns setenta a oitenta anos por exemplo, por força da própria  existência, adquirimos, e assistimos várias passagens na vida e que ficaram gravadas na nossa memória. Algumas boas, outras menos, e uma infinidade de ruins  e que encheram  os arquivos do nosso pensamento. Dai surgiu a ideia de observar o cotidiano, a maneira como nós humanos nos comportamos olhando  as outras  pessoas.  E para que isso aconteça, inicialment , a visão é primeiro sentido que vem a nos ajudar. Diferente de como vemos um animal, a maneira com que o ser humano encara outro de sua mesma espécie, é completamente contrária, pois entra no jogo os sentimentos próprios  da chamada "raça humana",  Vários são os sentimentos que governam o homem moderno. Sentimentos de amor e paz, de ódio e de vingança, de ciúmes ou inveja, de humildade e de orgulho, de compaixão e de desprezo,de paz e de destemperança, de desejo e de repúdio, de ganância ou de conformismo, e muitos e muitos outros resultantes da criação desta parte de nosso organismo, chamada cérebro. Estava eu na rua  no trânsito dentro do meu carro, e próximo a mim um rapaz de cor, deficiente, de muletas, aleijado das duas pernas, a mendigar umas míseras moedas naturalmente para seu sustento ou de sua família. Típico do exemplo do desprezado pelo poder público. Fiquei a observar seu comportamento e das pessoas para quem ele humildemente estendia a mão. Necessitado, ele insistia no pedido, e já acostumado de dez pessoas uma ou duas lhes dava uma moeda, o que ele gentilmente agradecia, pedindo a Deus pelo doador. Mas observando o seu semblante, não mudava a fisionomia, nem quando era agraciado pela esmola, nem pela negatividade do retorno. E só ele sabia o por que estava pedindo. No entanto, na cara de quem poderia dar aquela contribuição  , notava-se aos que atendiam, uma meia satisfação, e para os que não atendiam notava-se um pouco de desprezo, ou um pouco de incomodo. Não estou com essa observação me excluindo do contesto, pois sou humano também. Ninguém, em tempo algum, naquela hora pensaria - e se fosse ao contrário? E essa atitude é uma prática que nos ocorre diariamente tanto para quem nos interpela, como para os que nós interpelamos. Somos sempre críticos em relação as outras pessoas, bondosamente  ou as vezes cruelmente. Amemo-nos todos como irmãos, assim diz nossa religião e procuremos olhar os outros com amor e compaixão.
* José Wilson Brito Couto é professor emérito da UFS (aposentado)