Temer contra Sergipe

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Publicada em 17/04/2018 às 00:09:00

 

* Antonio Passos
Desde quando ocupou a cadeira presidencial Temer está perseguindo Sergipe. Seria extremismo dizer que ele faz isso porque não gosta dos sergipanos. O que sugere o perfil de Temer é que somos para ele somente uma quantia entre um milhão e meio e dois milhões de votos. Esses números são muito pequenos na composição nacional, porém, podem ajudar na resolução de alguns problemas específicos.
Temer perseguiu Sergipe perseguindo o governo do estado. Não foram poucos os episódios explícitos de perseguição: a suspensão de empréstimo já aprovado na CEF para Sergipe, o anúncio da "hibernação" da FAFEN e agora, mais recentemente, o bloqueio provocado pela Secretaria do Tesouro Nacional - esses são casos que busquei aleatoriamente na memória. Só isso já seria muita coisa.
Não é para menos, considerando o perfil autoritário assumido por Temer. Se fosse um governante democrático, trataria os governadores de modo republicano, em respeito aos votos que elegeu cada um deles, independentemente da filiação partidária ou de alianças pragmáticas e muitas vezes turvas. Temer ressuscita assim uma velha máxima: para os amigos tudo, para os inimigos a perseguição.
O governador Jackson Barreto, mesmo sendo correligionário de Temer, foi um dos dirigentes estaduais que mais apareceu ao lado da presidenta Dilma até a consumação do golpe que a afastou. Foi também o primeiro governador a denunciar a chantagem contra os estados no caso da liberação de empréstimos pela CEF. Jackson é ainda adversário local de importantes aliados de Temer.
Após ocupar a presidência do país, Temer passou a tratar Jackson Barreto não como adversário, mas, como inimigo. Isso não é exatamente uma novidade. No final da década de 1970, quando comecei a me interessar por política, o Brasil e Sergipe eram assim. Os governadores eram nomeados pelo presidente e o prefeito que não se curvasse ao governador, comia o pão de o diabo amassou.
Contrário ao tratamento dado por Temer a Jackson tem sido a atenção dispensada pelo presidente ao deputado sergipano André Moura, líder do governo no congresso. Contudo, os dois tratamentos, embora opostos, revelam a mesma coisa. Como já dito acima, mostram a ênfase dada por Temer ao velho vício político descrito na frase: para os amigos tudo, para os inimigos a perseguição.
Agora, no que ainda resta a Temer, a perseguição pode diminuir. As histórias políticas de Jackson Barreto e a do atual governador, Belivaldo Chagas, são bem diferentes. Penso que as possibilidades de aproximação entre os governos Belivaldo e Temer são mais largas do que eram para Jackson - em que pese Belivaldo e André estarem colocados como adversários no quadro sucessório estadual.
Se o que especulo no parágrafo anterior vier a se configurar, talvez Belivaldo possa restabelecer o pagamento de salários aos servidores públicos dentro do mês trabalhado, o que afastaria dele a mais barulhenta das críticas feitas contra Jackson. Isso renderia uma boa dose de prestígio junto a um importante seguimento do eleitorado, considerando a força do discurso que foca apenas o imediato.
* Antonio Passos é jornalista

* Antonio Passos


Desde quando ocupou a cadeira presidencial Temer está perseguindo Sergipe. Seria extremismo dizer que ele faz isso porque não gosta dos sergipanos. O que sugere o perfil de Temer é que somos para ele somente uma quantia entre um milhão e meio e dois milhões de votos. Esses números são muito pequenos na composição nacional, porém, podem ajudar na resolução de alguns problemas específicos.
Temer perseguiu Sergipe perseguindo o governo do estado. Não foram poucos os episódios explícitos de perseguição: a suspensão de empréstimo já aprovado na CEF para Sergipe, o anúncio da "hibernação" da FAFEN e agora, mais recentemente, o bloqueio provocado pela Secretaria do Tesouro Nacional - esses são casos que busquei aleatoriamente na memória. Só isso já seria muita coisa.
Não é para menos, considerando o perfil autoritário assumido por Temer. Se fosse um governante democrático, trataria os governadores de modo republicano, em respeito aos votos que elegeu cada um deles, independentemente da filiação partidária ou de alianças pragmáticas e muitas vezes turvas. Temer ressuscita assim uma velha máxima: para os amigos tudo, para os inimigos a perseguição.
O governador Jackson Barreto, mesmo sendo correligionário de Temer, foi um dos dirigentes estaduais que mais apareceu ao lado da presidenta Dilma até a consumação do golpe que a afastou. Foi também o primeiro governador a denunciar a chantagem contra os estados no caso da liberação de empréstimos pela CEF. Jackson é ainda adversário local de importantes aliados de Temer.
Após ocupar a presidência do país, Temer passou a tratar Jackson Barreto não como adversário, mas, como inimigo. Isso não é exatamente uma novidade. No final da década de 1970, quando comecei a me interessar por política, o Brasil e Sergipe eram assim. Os governadores eram nomeados pelo presidente e o prefeito que não se curvasse ao governador, comia o pão de o diabo amassou.
Contrário ao tratamento dado por Temer a Jackson tem sido a atenção dispensada pelo presidente ao deputado sergipano André Moura, líder do governo no congresso. Contudo, os dois tratamentos, embora opostos, revelam a mesma coisa. Como já dito acima, mostram a ênfase dada por Temer ao velho vício político descrito na frase: para os amigos tudo, para os inimigos a perseguição.
Agora, no que ainda resta a Temer, a perseguição pode diminuir. As histórias políticas de Jackson Barreto e a do atual governador, Belivaldo Chagas, são bem diferentes. Penso que as possibilidades de aproximação entre os governos Belivaldo e Temer são mais largas do que eram para Jackson - em que pese Belivaldo e André estarem colocados como adversários no quadro sucessório estadual.
Se o que especulo no parágrafo anterior vier a se configurar, talvez Belivaldo possa restabelecer o pagamento de salários aos servidores públicos dentro do mês trabalhado, o que afastaria dele a mais barulhenta das críticas feitas contra Jackson. Isso renderia uma boa dose de prestígio junto a um importante seguimento do eleitorado, considerando a força do discurso que foca apenas o imediato.
* Antonio Passos é jornalista