O primeiro tucano

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Publicada em 17/04/2018 às 23:48:00

 

Os políticos com direito a foro 
privilegiado e alguma culpa no 
cartório certamente são todos solidários ao colega senador Aécio Neves, tornado réu pela primeira turma do Supremo Tribunal Federal, sob a acusação de corrupção passiva e obstrução da Justiça. Mais importante do que a conversão da denúncia em Ação Penal, no entanto, é o precedente inaugurado ontem. Aécio Neves é o primeiro tucano finalmente enquadrado pela operação Lava Jato.
O senador Aécio Neves não senta sozinho no banco dos réus. Por onde passa boi, passa boiada. Dirigentes de vários partidos, das mais diversas vertentes e filiações ideológicas, temem que o caso alimente o entusiasmo dos tribunais, e consolide um entendimento mais rigoroso sobre o crime de corrupção. A classe política brasileira não está acostumada a responder pelos seus atos.
A procuradora Raquel Dodge reforçou a linha de acusação estabelecida por Rodrigo Janot, o seu antecessor no cargo. Segundo ela, Aécio deve ser processado por ter recebido R$ 2 milhões do empresário Joesley Baptista, ainda que não tenha oferecido nenhum favor em troca. Os poderosos consideram o caso emblemático porque o Supremo autorizou a denúncia contra Aécio apenas dez dias depois de negar Habeas Corpus ao ex-presidente Lula. Aparentemente, nenhum político está a salvo.
Sinal dos tempos. Aqui mesmo, em Sergipe, políticos caindo de velhos estão sendo confrontados com os próprios malfeitos, muitos anos depois da primeira denúncia. O périplo da Operação Navalha é exemplar de como o poder se converte, por vezes, em obstáculo ao cumprimento regular da Justiça. Uma distorção que o Supremo tem tudo para decretar com os dias contados.

Os políticos com direito a foro  privilegiado e alguma culpa no  cartório certamente são todos solidários ao colega senador Aécio Neves, tornado réu pela primeira turma do Supremo Tribunal Federal, sob a acusação de corrupção passiva e obstrução da Justiça. Mais importante do que a conversão da denúncia em Ação Penal, no entanto, é o precedente inaugurado ontem. Aécio Neves é o primeiro tucano finalmente enquadrado pela operação Lava Jato.
O senador Aécio Neves não senta sozinho no banco dos réus. Por onde passa boi, passa boiada. Dirigentes de vários partidos, das mais diversas vertentes e filiações ideológicas, temem que o caso alimente o entusiasmo dos tribunais, e consolide um entendimento mais rigoroso sobre o crime de corrupção. A classe política brasileira não está acostumada a responder pelos seus atos.
A procuradora Raquel Dodge reforçou a linha de acusação estabelecida por Rodrigo Janot, o seu antecessor no cargo. Segundo ela, Aécio deve ser processado por ter recebido R$ 2 milhões do empresário Joesley Baptista, ainda que não tenha oferecido nenhum favor em troca. Os poderosos consideram o caso emblemático porque o Supremo autorizou a denúncia contra Aécio apenas dez dias depois de negar Habeas Corpus ao ex-presidente Lula. Aparentemente, nenhum político está a salvo.
Sinal dos tempos. Aqui mesmo, em Sergipe, políticos caindo de velhos estão sendo confrontados com os próprios malfeitos, muitos anos depois da primeira denúncia. O périplo da Operação Navalha é exemplar de como o poder se converte, por vezes, em obstáculo ao cumprimento regular da Justiça. Uma distorção que o Supremo tem tudo para decretar com os dias contados.