Uma cantada com segundas intenções

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Publicada em 24/04/2018 às 00:54:00

 

Antonio Passos
Os índices oficiais dizem que a inflação oscila em torno de 3% ao ano. Por outro lado, a imprensa diz que os planos de saúde querem um aumento na casa dos dois dígitos, ou seja: igual ou acima dos 10%. Mais que isso: os planos de saúde querem instituir o pagamento de franquias para uso, além das mensalidades que serão aumentadas.
No colo de quem cairá de imediato essa conta? Lamento informar, mas, a bomba vai explodir no bolso da classe média. Pobre classe média - apoiou as elites antidemocráticas acreditando que a vida ia melhorar. Mal essas elites se apossaram do poder político, rasparam a panela do pobre e já estão metendo a mão no bolso da classe média.
Como dizia Tia Ogli, no terceiro ano primário na Escola Estadual 15 de Outubro: "quem avisa amigo é". Não foi por falta de aviso. Diversos coletivos políticos, os sindicatos e suas centrais e os partidos de esquerda se esgoelaram gritando para a classe média que seria um ato suicida apoiar as elites. Não teve jeito, classe média caiu no golpe.
Obviamente, os planos de saúde são um negócio das elites econômicas cuja clientela é a classe média. Os pobres vão ao SUS, os ricos pagam pelo atendimento particular e a classe média paga aos planos de saúde para ter talvez o que, se o sistema fosse democrático, viesse a ser o padrão de atendimento disponibilizado para todos.
Mas vejam que aliada terrível para a classe média tem sido essa elite econômica. Faz uns cinco anos estavam de braços dados, unindo forças para barrar um esboço de democracia que crescia no Brasil. Agora, mal se apoderaram do palácio de planalto e a classe média já tomou vários pés na bunda. Esse dos planos de saúde é mais um.
Dizem os analistas que quando começar a vigorar a franquia o uso dos planos cairá drasticamente. Ou seja, como além dos pagamentos mensais será preciso ainda pagar mais uma franquia para usar o plano, os usuários evitarão o uso na medida do suportável. E quando o cliente não tiver, de modo nenhum, dinheiro para a franquia?
Tem mais. Dizem ainda os mesmos analistas que a classe média, evitando ao máximo pagar as franquias, começará a procurar, naquilo que considerar mais simples, atendimento no SUS. Ou seja, o SUS, que durante 20 anos não terá aumento orçamentário, terá ainda uma quantidade maior de pessoas procurando seus serviços.
As mudanças pleiteadas pelos planos de saúde correspondem apenas a um dos itens do programa de ações das elites antidemocráticas - embora a classe média tenha preferido enganar-se vendo outras coisas. Pobre classe média! Vestida de verde e amarelo entregou-se nos braços da elite, vítima de uma cantada com segundas intenções.
* Antonio Passos é jornalista

Antonio Passos


Os índices oficiais dizem que a inflação oscila em torno de 3% ao ano. Por outro lado, a imprensa diz que os planos de saúde querem um aumento na casa dos dois dígitos, ou seja: igual ou acima dos 10%. Mais que isso: os planos de saúde querem instituir o pagamento de franquias para uso, além das mensalidades que serão aumentadas.
No colo de quem cairá de imediato essa conta? Lamento informar, mas, a bomba vai explodir no bolso da classe média. Pobre classe média - apoiou as elites antidemocráticas acreditando que a vida ia melhorar. Mal essas elites se apossaram do poder político, rasparam a panela do pobre e já estão metendo a mão no bolso da classe média.
Como dizia Tia Ogli, no terceiro ano primário na Escola Estadual 15 de Outubro: "quem avisa amigo é". Não foi por falta de aviso. Diversos coletivos políticos, os sindicatos e suas centrais e os partidos de esquerda se esgoelaram gritando para a classe média que seria um ato suicida apoiar as elites. Não teve jeito, classe média caiu no golpe.
Obviamente, os planos de saúde são um negócio das elites econômicas cuja clientela é a classe média. Os pobres vão ao SUS, os ricos pagam pelo atendimento particular e a classe média paga aos planos de saúde para ter talvez o que, se o sistema fosse democrático, viesse a ser o padrão de atendimento disponibilizado para todos.
Mas vejam que aliada terrível para a classe média tem sido essa elite econômica. Faz uns cinco anos estavam de braços dados, unindo forças para barrar um esboço de democracia que crescia no Brasil. Agora, mal se apoderaram do palácio de planalto e a classe média já tomou vários pés na bunda. Esse dos planos de saúde é mais um.
Dizem os analistas que quando começar a vigorar a franquia o uso dos planos cairá drasticamente. Ou seja, como além dos pagamentos mensais será preciso ainda pagar mais uma franquia para usar o plano, os usuários evitarão o uso na medida do suportável. E quando o cliente não tiver, de modo nenhum, dinheiro para a franquia?
Tem mais. Dizem ainda os mesmos analistas que a classe média, evitando ao máximo pagar as franquias, começará a procurar, naquilo que considerar mais simples, atendimento no SUS. Ou seja, o SUS, que durante 20 anos não terá aumento orçamentário, terá ainda uma quantidade maior de pessoas procurando seus serviços.
As mudanças pleiteadas pelos planos de saúde correspondem apenas a um dos itens do programa de ações das elites antidemocráticas - embora a classe média tenha preferido enganar-se vendo outras coisas. Pobre classe média! Vestida de verde e amarelo entregou-se nos braços da elite, vítima de uma cantada com segundas intenções.
* Antonio Passos é jornalista