República sem poderes

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Publicada em 25/04/2018 às 23:25:00

 

*  Inocêncio Nóbrega
A 8ª Cúpula das Américas, realizada em Lima, elegeu como tema principal, o combate à corrução. Representações de 14 países subscreveram documento de compromisso de inibi-la no serviço público. Dentre essas personalidades Michel Temer, um dos maiores useiros e vezeiros dessa prática, no Continente. Uma seguinte questão central, por eles debatida, é varrer o bolivarianismo, valorosamente  defendido pela Venezuela.
A assembleia peruana, num revide à XV Cúpula da Aliança Bolivariana para os Povos da América Latina, levada a efeito em março anterior, até pela qualidade da maioria de seus participantes, a julgar pelo primeiro mandatário brasileiro, alçado ao cargo por força de um golpe de estado, não reflete, necessariamente, os anseios de moralidade  das sociedades que se dizem representarem. A começar pela própria nação anfitrioa, cujo recente presidente foi preso e outro forçado a renunciar, em razão de denúncias de atos delituosos, orquestradas por uma Justiça, à semelhança da nossa, ambas engajadas na vinculante doutrina da lawfare.
Mensalão e a Lava-Jato, em sintonia com o Judiciário, têm uma história em comum: apuração, condução processual e punição de possíveis infratores, por ilícitos no trato do dinheiro público. Ainda que usem o despudor para alcançarem seus objetivos, sem lisuras e atropelando preceitos consagrados na Constituição Federal,  conforme suas convicções. Trabalham, sem dúvida, com altas somas milionárias, subtraídas ou desviadas dos seus legais destinos.  Formalizam ações aparentemente moralizantes, mas que nem de longe recuperam o País de seu lamentável e continuado projeto de fracasso econômico. Deixam-se seduzir pelo viés doméstico, sem direção aos anseios maiores do Brasil, sua soberania. Onde estão a coragem e a empáfia, que tanto usam seus juízes, desembargadores e ministros, por meio de seletivas condenações, a políticos ou não, mantendo incólumes os agentes das multinacionais abutres do imperialismo? Não há registros de investigação nessa área. Covardia explícita.
Cotejemos, então, as duas situações.  O contabilizado pela República de Curitiba, grosso modo corresponde a 0,008% ao montante de recursos desviados do País. Sem falarmos na perda de ativos, proveniente das privatizações. Dados do Banco Central, em 2002 a remessa de lucros para o exterior atingiu a US$ 24,2 bilhões! Tal sangria nunca foi motivo de preocupação dos doutos jurisconsultos. Para os quais a prisão de alguns servem de troféu, embora uma Vale do Rio Doce continue com seu prestígio de predador de nossas riquezas no subsolo e potencial sonegador de impostos. 
Verdade se diga, vivemos uma República sem Poderes.  Respeitadas as exceções, harmônicos entre si, na desordem institucional e desmonte republicano.  Encontros, como o do Peru, são vozes no vazio. 
*  Inocêncio Nóbrega é jornalista
inocnf@gmail.com

*  Inocêncio Nóbrega


A 8ª Cúpula das Américas, realizada em Lima, elegeu como tema principal, o combate à corrução. Representações de 14 países subscreveram documento de compromisso de inibi-la no serviço público. Dentre essas personalidades Michel Temer, um dos maiores useiros e vezeiros dessa prática, no Continente. Uma seguinte questão central, por eles debatida, é varrer o bolivarianismo, valorosamente  defendido pela Venezuela.
A assembleia peruana, num revide à XV Cúpula da Aliança Bolivariana para os Povos da América Latina, levada a efeito em março anterior, até pela qualidade da maioria de seus participantes, a julgar pelo primeiro mandatário brasileiro, alçado ao cargo por força de um golpe de estado, não reflete, necessariamente, os anseios de moralidade  das sociedades que se dizem representarem. A começar pela própria nação anfitrioa, cujo recente presidente foi preso e outro forçado a renunciar, em razão de denúncias de atos delituosos, orquestradas por uma Justiça, à semelhança da nossa, ambas engajadas na vinculante doutrina da lawfare.
Mensalão e a Lava-Jato, em sintonia com o Judiciário, têm uma história em comum: apuração, condução processual e punição de possíveis infratores, por ilícitos no trato do dinheiro público. Ainda que usem o despudor para alcançarem seus objetivos, sem lisuras e atropelando preceitos consagrados na Constituição Federal,  conforme suas convicções. Trabalham, sem dúvida, com altas somas milionárias, subtraídas ou desviadas dos seus legais destinos.  Formalizam ações aparentemente moralizantes, mas que nem de longe recuperam o País de seu lamentável e continuado projeto de fracasso econômico. Deixam-se seduzir pelo viés doméstico, sem direção aos anseios maiores do Brasil, sua soberania. Onde estão a coragem e a empáfia, que tanto usam seus juízes, desembargadores e ministros, por meio de seletivas condenações, a políticos ou não, mantendo incólumes os agentes das multinacionais abutres do imperialismo? Não há registros de investigação nessa área. Covardia explícita.
Cotejemos, então, as duas situações.  O contabilizado pela República de Curitiba, grosso modo corresponde a 0,008% ao montante de recursos desviados do País. Sem falarmos na perda de ativos, proveniente das privatizações. Dados do Banco Central, em 2002 a remessa de lucros para o exterior atingiu a US$ 24,2 bilhões! Tal sangria nunca foi motivo de preocupação dos doutos jurisconsultos. Para os quais a prisão de alguns servem de troféu, embora uma Vale do Rio Doce continue com seu prestígio de predador de nossas riquezas no subsolo e potencial sonegador de impostos. 
Verdade se diga, vivemos uma República sem Poderes.  Respeitadas as exceções, harmônicos entre si, na desordem institucional e desmonte republicano.  Encontros, como o do Peru, são vozes no vazio. 
*  Inocêncio Nóbrega é jornalistainocnf@gmail.com