Educação democrática

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Publicada em 02/10/2012 às 15:55:00

O acirramento dos embates ideológicos e eleitorais ameaça o espírito cívico que deveria alimentar os debates relacionados à chamada festa da democracia. A situação é mais grave nos municípios interioranos, onde impera um clima de ódio político que obriga a presença das tropas federais. Nenhuma cidade, contudo, está a salvo da intolerância. Mesmo nos grandes centros urbanos, a proximidade do pleito provoca uma animosidade primitiva, muitas vezes estimulada por lideranças partidárias.

Juízes eleitorais de 21 cidades já encaminharam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seus pedidos de reforço de tropas do Exército para garantir a segurança da votação. Aqui em Sergipe, por exemplo, Monte Alegre já foi autorizada a receber as forças federais. Outros 15 pedidos aguardam julgamento em Brasília: Aquidabã, Canhoba e Ilha das Flores (Baixo São Francisco), Canindé de São Francisco, Graccho Cardoso e Poço Redondo (Sertão), Pirambu, Japaratuba e Carmopolis (Vale do Cotinguiba), Macambira, São Domingos e Campo do Brito (Agreste), Salgado e Lagarto (Centro-Sul), e Estância (Sul).

A democracia numa sociedade autodirigida pressupõe que a liberdade de um seja a liberdade de todos - o respeito aos direitos da minoria condiciona a manutenção do processo democrático. A democracia não pode ser vista apenas no sentido formal, limitada ao princípio da maioria. Conjuga-se, sobretudo, seu sentido material: observam-se os direitos das minorias. É preciso permitir que as minorias de hoje se tornem a maioria de amanhã, e isso não apenas em relação à representação política, mas também quanto ao diálogo em espaço público aberto à busca do bem comum e da promoção da verdadeira cidadania.

Há que se observar, portanto, o respeito ao contraditório. É certo que os eleitores gozam de certo poder de decisão. Todavia a democracia não se encontra restrita às eleições. De fato, essas a compõem, mas o processo democrático também permeia os debates, ações políticas dos cidadãos com diferentes pendores ideológicos e atuações dos três Poderes que constituem o Estado Democrático de Direito. Não há elemento dispensável em tal equação. Contra o estampido bruto da violência, a educação.