Conversa com a presidenta.

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Publicada em 02/10/2012 às 15:55:00

Juliano Moreira dos Santos, 35 anos, sociólogo de Guarulhos (SP) - Sei que há uma proposta dentro do governo de escolas em tempo integral. Como funcionaria isso? Já temos escolas públicas que atuam em tempo integral?

Presidenta Dilma - Juliano, já temos 32 mil escolas públicas com ensino em tempo integral em todo o país, como parte do programa de Ensino Integral Mais Educação, e queremos chegar a 60 mil até 2014. Nestas escolas, no turno oposto ao das aulas, os alunos têm acompanhamento pedagógico obrigatório e os professores ajudam nas tarefas, tiram dúvidas e reforçam, com aulas, o aprendizado, principalmente de português e matemática. Muitas vezes, há atividades fora da sala de aula - jogar xadrez, por exemplo, exercita o raciocínio lógico e ajuda no aprendizado da matemática; a música e o esporte ajudam na concentração e na disciplina. Mas a principal atividade é mesmo o reforço das matérias curriculares. Além disso, os alunos têm na escola café da manhã, almoço e lanche da tarde. Após o lançamento do Brasil Sem Miséria, estamos levando o programa prioritariamente às escolas onde há maioria de crianças que recebem o Bolsa Família. Já conseguimos elevar de 5.300, em 2011, para quase 18 mil, neste ano, as escolas que têm maioria de alunos do Bolsa Família e oferecem educação integral.

André Falcão Ferreira, 26 anos, contador de Teresina (PI) - Presidenta, as obras da copa de 2014 e as medidas de estímulo, de curto prazo, ao consumo, não contiveram a queda no crescimento. Que medidas vossa excelência planeja implementar visando um crescimento maior e mais estável?

Presidenta Dilma - André, o ritmo de crescimento da economia brasileira começou a acelerar, e continuamos gerando emprego - foram 2,2 milhões no ano passado e mais 1,38 milhão até agosto de 2012. Isto é resultado das medidas adotadas para assegurar crescimento sólido e sustentável, grande parte delas no âmbito do Plano Brasil Maior (www.brasilmaior.mdic.gov.br/). Não são apenas estímulo ao consumo, mas, principalmente, incentivo ao investimento. Já temos a taxa básica de juros mais baixa da história (7,5%).

Em setembro, desoneramos a folha de pagamento de mais 25 setores, somando agora 40 segmentos produtivos que recolhem o INSS com base em alíquota sobre o faturamento, e não mais sobre a folha.

Somente em 2013, as empresas economizarão cerca de R$ 12,8 bilhões com essa medida e o benefício total pode chegar a R$ 60 bilhões até 2016. Estamos adquirindo R$ 8,4 bilhões em máquinas e equipamentos, para estimular a produção industrial. O Programa de Investimentos em Logística aplicará R$ 133 bilhões para duplicar rodovias e ampliar em 10 mil km nossa malha ferroviária. O custo da eletricidade cairá até 28% para as empresas, a partir de 2013, e, em média, 16,2% para as residências. Autorizamos 21 estados a investir adicionalmente até R$ 58,3 bilhões em infraestrutura até 2014. São exemplos de medidas que ampliam nosso mercado interno e estimulam o investimento privado e do Estado, necessárias para o crescimento sustentado e com mais competitividade.

Giordano Frederico da Cunha Bispo, 24 anos, estudante de Itabaiana (SE) - Estou sentindo falta das notícias sobre as obras do PAC. Como estão as obras da transposição? Pararam? Estão em licitação?

Presidenta Dilma - Giordano, o Projeto de Integração do Rio São Francisco está em obras em nove dos 16 lotes, com mais de 4 mil trabalhadores, número que deve subir para 6 mil em breve. Eles estão construindo túneis, canais, aquedutos e barragens, com mais de 1,2 mil equipamentos em operação. Já há um lote concluído, o do canal de aproximação do Eixo Norte, feito pelo Exército, e o Ministério da Integração Nacional já autorizou o início das obras do Lote 5, em Jati, no Ceará. Os cinco lotes restantes, que foram paralisados, serão relicitados ainda neste ano. Todo o empreendimento está orçado em R$ 8,2 bilhões, com previsão de conclusão em 2015. O projeto também contempla quase R$ 1 bilhão para 38 ações socioambientais, como pesquisas arqueológicas e monitoramento da fauna e da flora. O Projeto de Integração do Rio São Francisco é uma obra estratégica do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que levará água para 12 milhões de pessoas em 390 municípios de quatro estados do Nordeste: Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. É hoje a maior obra de infraestrutura hídrica para usos múltiplos executada diretamente pelo governo federal. Continue acompanhando o andamento das obras por meio do site http://www.mi.gov.br .