Palavras gastas

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Publicada em 27/04/2018 às 23:20:00

 

Acusado de lavar dinheiro com a 
compra e a reforma de imóveis 
realizados em nome de amigos e parentes próximos, o presidente Michel Temer partiu para a ofensiva. A investigação em curso no âmbito da Polícia Federal seria uma calúnia, uma perseguição criminosa. Ocorre que com tal expediente, o de se defender realizando ataques, o presidente recorre, assumidamente, a palavras gastas, utilizados por grande parte dos acusados de crime, do ladrão de galinhas ao colarinho branco.
A retórica surrada do presidente ganhou corpo por meio dos veículos oficiais. Em pronunciamento no Palácio do Planalto, o presidente afirmou que a PF é ruim de cálculo. Segundo ele, qualquer professor de matemática poderia concluir que os seus rendimentos são compatíveis com o patrimônio acumulado ao longo de sua vida profissional. Mas, ainda que seja esse o caso (o inquérito não foi concluído), a forma utilizada para se defender, insinuando a ilegalidade de uma investigação obediente a todos os ritos formais, depõe contra o presidente. Quem não deve, não teme.
Temer não subiu nos tamancos e elevou o tom à toa. Um jornal de circulação nacional teve acesso ao inquérito, que corre sob sigilo, um fato em si mesmo dos mais graves. Segundo o apurado pelo periódico, nos limites da liberdade de imprensa, o presidente teria recebido propina para favorecer empresas do setor portuário por meio de um decreto. As operações imobiliárias na mira da PF seriam o expediente adotado para lavar a dinheirama.
Temer esquece que, afora as prerrogativas do cargo, é brasileiro igual a todos os outros. De nada adiantará, portanto, o esforço realizado no sentido de desmoralizar a Polícia Federal. Pelo bem da República, os fatos precisam ser confrontados com os indícios e, finalmente, vir à tona.

Acusado de lavar dinheiro com a  compra e a reforma de imóveis  realizados em nome de amigos e parentes próximos, o presidente Michel Temer partiu para a ofensiva. A investigação em curso no âmbito da Polícia Federal seria uma calúnia, uma perseguição criminosa. Ocorre que com tal expediente, o de se defender realizando ataques, o presidente recorre, assumidamente, a palavras gastas, utilizados por grande parte dos acusados de crime, do ladrão de galinhas ao colarinho branco.
A retórica surrada do presidente ganhou corpo por meio dos veículos oficiais. Em pronunciamento no Palácio do Planalto, o presidente afirmou que a PF é ruim de cálculo. Segundo ele, qualquer professor de matemática poderia concluir que os seus rendimentos são compatíveis com o patrimônio acumulado ao longo de sua vida profissional. Mas, ainda que seja esse o caso (o inquérito não foi concluído), a forma utilizada para se defender, insinuando a ilegalidade de uma investigação obediente a todos os ritos formais, depõe contra o presidente. Quem não deve, não teme.
Temer não subiu nos tamancos e elevou o tom à toa. Um jornal de circulação nacional teve acesso ao inquérito, que corre sob sigilo, um fato em si mesmo dos mais graves. Segundo o apurado pelo periódico, nos limites da liberdade de imprensa, o presidente teria recebido propina para favorecer empresas do setor portuário por meio de um decreto. As operações imobiliárias na mira da PF seriam o expediente adotado para lavar a dinheirama.
Temer esquece que, afora as prerrogativas do cargo, é brasileiro igual a todos os outros. De nada adiantará, portanto, o esforço realizado no sentido de desmoralizar a Polícia Federal. Pelo bem da República, os fatos precisam ser confrontados com os indícios e, finalmente, vir à tona.