Acordo com médicos permite transferência de pacientes do Huse para novas cirurgias

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Belivaldo em reunião com médicos e diretores do Cirurgia
Belivaldo em reunião com médicos e diretores do Cirurgia

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Publicada em 29/04/2018 às 00:56:00

Gabriel Damásio

A nova superintendên-cia do Hospital de Ur-gência de Sergipe (Huse) já começou a fazer a transferência dos pacientes que aguardam vagas para cirurgias e outros tratamentos especializados em outros hospitais do Estado. As remoções começaram neste sábado e a previsão do superintendente do Huse, Darcy Tavares, é de que até 20 pacientes sejam levados ao Hospital de Cirurgia. Esta foi uma das primeiras medidas já tomadas para melhorar o fluxo de atendimento no maior público do estado.

De acordo com Darcy, ainda existem cerca de 70 pacientes da capital e do interior que estão internados no Huse e aguardando vagas para os outros procedimentos. Isto porque o hospital é classificado como "porta aberta" e recebe todos os casos considerados mais urgentes. "Estamos tomando as nossas medidas, melhorando o nosso fluxo interno, mas o Huse sozinho não vai resolver todo o problema. Por isso, nós estamos em tratativas com o Cirurgia e com outros hospitais para estabelecer um melhor fluxo dessas cirurgias e tentar acomodar os pacientes da melhor forma possível", disse Darcy.

O principal problema que prejudicava estas transferências foi resolvido na noite desta sexta-feira, quando o governador Belivaldo Chagas fez uma reunião de urgência com toda a diretoria do Cirurgia, onde a realização das cirurgias eletivas estava parada prejudicando o fluxo de pacientes que estão sofrendo na fila, principalmente do Huse. A entidade reclamava de alguns repasses atrasados e de diferenças salariais entre categorias de cirurgiões. "O Hospital Cirurgia é uma peça fundamental na engrenagem do sistema de saúde de Sergipe. Se ele não funcionar trava tudo. Fiz essa reunião para buscar a solução definitiva desse problema. A população não pode ficar sofrendo desse jeito. Não vou aceitar", disse Chagas.
Na reunião, o governador definiu que de imediato serão repassados R$ 5 milhões e que vai regularizar os repasses mês a mês tanto os que são provenientes da Secretaria de Estado da Saúde como do Ipesaúde. "Quando somamos esses dois repasses temos aí cerca de R$ 7 milhões por mês. Meu compromisso é manter a regularidade desses pagamentos e o compromisso do Hospital Cirurgia é de realizar as cirurgias a pleno vapor para que não haja mais essas filas de cirurgias que tanto fazer a população sofrer. Essa é a fila da vergonha. Vamos acabar com isso", afirmou o governador.

Darcy Tavares destacou que o acordo entre Estado e Cirurgia permitirá um aumento maior do fluxo de transferências de pacientes, o que pode colaborar muito para resolver a questçao da superlotação e do excesso de pacientes internados. "Essa medida resolutivo do governador Belivaldo Chagas vai permitir que possamos resolver o atendimento dessas pessoas que sofrem aqui nos corredores e que não tinham perspectiva de realizarem suas cirurgias. Esse trabalho integrado é bom para todos, HUSE, Hospital Cirurgia, mas principalmente, para o povo sofrido que vai ter seu problema resolvido", afirmou.
A previsão do superintendente é que os outros pacientes sejam transferidos em poucos dias para outros hospitais da capital e do interior, oferecendo menos transtornos a pacientes do interior. Uma das unidades que vai receber pacientes, conforme a região da cidade onde os pacientes moram, é o Hospital Regional Garcia Moreno, em Itabaiana, da qual Darcy foi superintendente.

Diagnóstico - Darcy Tavares assumiu o Huse há cerca de duas semanas e afirmou que a melhoria do fluxo é a primeira prioridade concreta que está sendo cumprida, dentro do que foi determinado pelo governo estadual. Perguntado sobre o diagnóstico geral do hospital, o médico disse que isso está sendo levantado, mas ficará pronto nos próximos dias. E que outros procedimentos internos foram adotados para reduzir os prazos e tempos de tramitação de exames médicos.

O superintendente disse ainda que ficou surpreso com o caso da mulher que fingiu ser paciente de câncer para receber tratamento no Huse e acabou presa na quinta-feira, depois de uma denúncia anônima levada à direção do hospital. "Isso não estava previsto em nenhum diagnóstico", resumiu, considerando que os procedimentos da diretoria foram corretos e feitos em colaboração com a polícia.
Já sobre a recomendação do Ministério Público Federal (MPF) que proíbe o chamado 'fura-fila', não permitindo a priorização de pacientes protegidos ou ligados a líderes políticos, Tavares considerou que ela foi "normal" dentro das atribuições do órgão e já contempla práticas e procedimentos que já são adotados na rede estadual de saúde. "Todo processo que envolve pacientes, principalmente liberação de vagas, passa pela regulação do Sigau (Sistema Interfederativo de Garantia de Acesso Universal). É só ele que pode encaminhar essas demandas e respeitando os critérios estabelecidos na lei. A recomendação não está nada além do que nós já praticamos", garantiu, informando que a Central de Regulação da Secretaria Estadual de Saúde não detectou nenhum problema do tipo relacionado ao Huse.