Centrais preparam protestos para o Dia do Trabalhador

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Este ano centrais e movimentos populares não vão bloquear rodovias em Sergipe
Este ano centrais e movimentos populares não vão bloquear rodovias em Sergipe

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Publicada em 29/04/2018 às 00:56:00

Sergipanos residentes em um dos quatro can-tos do Estado começam a se mobilizar em atos públicos democráticos - em alusão ao Dia Nacional do Trabalhador, como forma de unificar as forças de base e pressionar gestores das redes pública e particular. A proposta central gira em torno do desejo de pleitear que a pirâmide administrativa, comandada pelo seleto setor contratante, possa respeitar com lealdade constitucional todo e qualquer direito conquistado pelo trabalhador.  Diferentemente do cenário vivenciado em anos anteriores, na próxima terça-feira, 01 de maio, não haverá bloqueios em estradas e rodovias.

A definição foi pontuada por coordenadores, líderes sindicais, e oficializada por membros da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Sobre a decisão incomum, diante da recorrência dos bloqueios ao longo dos últimos 15 anos, a direção da CUT Sergipe informou que a medida se fez necessária em virtude de os organizadores não possuírem tempo hábil para enviar ofícios comunicando sobre os protestos junto à Polícia Rodoviária Federal (PRF), Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRv), e aos demais órgãos que fiscalizam o trânsito em Sergipe.

Como nem tudo pode ser considerado surpresa, os manifestantes, a partir das 8h da próxima terça-feira, garantem que não irão poupar críticas ao Governo Federal, em virtude dos reflexos negativos configuradas através das reforma trabalhista, que já está em prática, e da previdenciária, ainda em discussão. Já no contexto político social e eleitoreiro, as mobilizações promoveram atividades em integral demonstração de solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que segue detido em Curitiba desde o último dia 7 de abril. Parlamentares sergipanos com mandato em Brasília - a exemplo do deputado federal André Moura, também estarão no foco das críticas.

De acordo com o vice-presidente da CUT/SE, Plínio Pugliesi, diante da continua retirada de direitos, bem como da redução nos diálogos democráticos orquestrada pelo presidente Micael Temer (MDB), é difícil evitar as críticas contra o atual chefe do poder executivo federal. "Eu diria impossível para ser mais claro. Ao contrário do que foi prometido ficticiamente após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, a ponte para o futuro não ocorreu, e hoje estamos amargando o momento mais difícil da história do Brasil para os trabalhadores brasileiros. Não podemos, e não deixaremos essa data passar desapercebida, tampouco o senhor Michel Temer", afirmou.

No que se refere ao ex-presidente Lula, o sindicalista garante que não se trata de ações de cunho eleitoreiro, a fim de dar início a uma agenda política, visando o terceiro mandato do petista. Segundo Pugliesi: "Lula permanece sendo uma grande liderança sindical, assim como ocorreu entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980. Ele também foi o presidente do Brasil que mais trabalhou pelos direitos sociais, é líder nas pesquisas de intenções de voto e está preso sem provas", avaliou. Os atos contarão ainda com o apoio da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), do Movimento de Trabalhadores Urbanos (Motu), e de variadas associações de trabalhadores.

Utilizando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) como base, a CUT/SE informou que em 2017, o número de trabalhadores e trabalhadoras sem carteira assinada, portanto, sem direito a férias e 13º salário, entre outros benefícios, aumentou 5,7% - o de trabalhadores formais caiu 2%. No 4° trimestre de 2017 a média de rendimento mensal do trabalhador com carteira assinada no país era de R$ 2.090. Já o rendimento dos sem carteira assinada era de R$ 1.179 - uma diferença de R$ 911. No mesmo trimestre de 2016, a diferença entre o valor pago (já descontada a inflação) era menor - 40,5% ou R$ 818.

O ato unificado ocorrerá no Conjunto Senador José Eduardo Dutra, no Porto Dantas, onde os manifestantes farão uma caminhada, percorrendo as principais ruas do bairro da zona norte da capital sergipana. Até a manhã de ontem representantes de 12 correntes sindicais já haviam confirmado presença, entre eles, profissionais ligados ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Sergipe (Sintese), Sindicato dos Bancários (SEEB), Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (SEESE), Sindicato dos Jornalistas do Estado de Sergipe (Sindijor), Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário de Sergipe (Sindijus), e Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado de Sergipe (Sintrase).