Dificuldades eleitorais

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Quadro de Edidelson que será sorteado no bingo beneficente neste domingo, no Cotinguiba, em prol do fotografo Fernando Silva.
Quadro de Edidelson que será sorteado no bingo beneficente neste domingo, no Cotinguiba, em prol do fotografo Fernando Silva.

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Publicada em 29/04/2018 às 00:21:00

Indefinições na oposição e necessidade de afirmação como executivo do governador Belivaldo Chagas, no cargo há três semanas, marcam o momento político no Estado de Sergipe. Os partidos têm até o dia cinco de agosto, prazo final para a definição de candidatos e coligações, para o registro de candidaturas.

No momento, a maior tensão ocorre na oposição em função do agravamento da relação entre o senador Valadares (PSB) e o deputado federal André (PSC), líder do governo Temer no Congresso Nacional e hoje o maior nome do bloco. As agressões promovidas pelos líderes do PSB contra André inviabilizam qualquer entendimento e podem sair daí as candidaturas do senador Eduardo Amorim (PSDB) e de Valadares Filho. Estão postos também os nomes do ex-deputado federal Mendonça Prado (DEM) e o ex-vereador Dr. Emerson (Rede).

Ao contrário da oposição, o grupo do governo nunca analisou qualquer nome que não o de Belivaldo. Desde o início do governo Jackson Barreto, em 2015, ele assumiu cargos estratégicos, participou de negociações com servidores e se consolidou como o nome para disputar o governo em outubro.
No governo, Belivaldo tem que ser ágil na definição de prioridades e na montagem da equipe. A população vem aprovando o seu estilo de estar sempre presente e se antecipar aos fatos, mas são apenas 90 dias até as convenções para apresentar respostas para os graves problemas imediatos do Estado.

O episódio do setor de Nefrologia do Huse, aberto pelo secretário Almeida Lima e desativado no dia seguinte para a conclusão das obras, criou uma grande expectativa em torno de mudanças na Saúde. Belivaldo vem trocando nomes para cargos chaves na área, inclusive o departamento administrativo e financeiro, mas mantém Almeida, talvez aguardando que ele se sinta constrangido e peça para sair, o que fatalmente deverá acontecer.
Quando deixou o governo para disputar o Senado Federal, Jackson Barreto não pediu pela permanência de nenhum secretário, mas parentesco e afinidade com Almeida Lima fazem com que Belivaldo evite exonerá-lo, apesar da torcida da maioria dos aliados, inclusive setores do seu próprio partido, em função do seu engajamento na campanha do genro Breno Silveira para a Assembleia Legislativa. Se não pediu pela permanência de Almeida, JB não demonstra aprovação a uma eventual exoneração.

Se o bloco governista não tem dúvidas em relação ao candidato a governador, existem problemas no âmbito das candidaturas ao Senado. Além de Jackson, pretendem disputar o cargo os ex-deputados Rogério Carvalho (PT) e Heleno Silva (PRB) para apenas duas vagas. Enquanto o primeiro vem fazendo declarações contra JB, alimentando insinuações da oposição de que existiria uma aliança branca entre JB e André Moura, que deve ser o principal nome da oposição para o Senado, Heleno caminha abertamente para se alinhar com a oposição.

A animosidade do grupo de Rogério com JB é considerada surpreendente e desnecessária e só vieram a aparecer depois da saída do governo. Jackson sempre deu demonstrações claras de lealdade ao PT, ficou até o último instante contra o impeachment da presidente Dilma e se manifesta abertamente em favor da candidatura do ex-presidente Lula, um dos responsáveis pela sua decisão de disputar o Senado. A postura de Jackson em relação a Dilma e ao PT criou grandes dificuldades para a conclusão de governo, em função do corte de recursos federais determinado pelo presidente Temer.

A candidatura de JB tende a ser uma das principais opções para o segundo voto de prefeitos e lideranças políticas que não estejam integradas a sua campanha. Em função do reconhecimento da sua história política, não pelas dificuldades acumuladas como governador do Estado. Sem a necessidade de qualquer aliança branca.

A política no Tapetão

A oposição na Câmara de Vereadores de Aracaju, em termos de nível, preparo para o exercício do mandato e trato com a democracia é a pior da história do parlamento municipal. Senão, vejamos.
Pelo fato de ser minoria, é natural que ela mantenha uma participação reduzida em todas as instâncias da casa, incluindo comissões e CPIs. Isto não é uma prerrogativa da atual mesa diretora, mas uma regra dos parlamentos, ou melhor, daqueles que se baseiam na democracia interna e na proporcionalidade.
Mas o que ocorre aqui é inusitado, em termos de compreensão do funcionamento das regras da casa. Diariamente, membros da oposição querem mudar as regras do jogo - jogo democrático, não custa repetir sempre - simplesmente porque não alcançaram êxito nesta ou naquela propositura. Alguns, inclusive, costumam brandir ameaças de processos na justiça para dirimir as divergências internas.

Trata-se de um recurso absurdo, ridículo, que só revela, além do despreparo para conviver na democracia, um desrespeito ao próprio poder legislativo, ao tentarem transferir para outra esfera de decisão o juízo dos embates naturais da política e do parlamento. Mais ainda: surrupiar da Câmara seu papel histórico é também trair o eleitorado, que votou nesses vereadores e vereadoras para lá, no parlamento, representarem suas demandas.
Além disso, é uma atitude de puro golpismo cínico e declarado, pois, ao esvaziar a função do parlamento e destiná-la ao Tapetão da justiça, assumem uma postura de quinta coluna, fazendo crer que, nessa hora em que o país sangra pela crise das instituições, a saída é combater ainda mais a instituição da política. É algo como rejeitar o regime democrático pelos inúmeros defeitos que ela tem - e tem mesmo - sem, no entanto, propor algo mais justo.
Um dos exemplos dessa equivocada atuação parlamentar vem do vereador Elber Batalha, que adultera os fatos e despreza a verdade. Não soube responder ao entrevistador num programa de rádio na última sexta sobre a razão de ser da CPI da Saúde, já que o que originou tal comissão foram os problemas com o Hospital de Cirurgia. A Prefeitura pagou o que devia, abriu as contas, chamou os órgãos fiscalizadores (MPs estadual, federal e TCE) e encerrou sua relação com o enrolado hospital. No entanto, os problemas no hospital se agravam a cada dia, inclusive barrando a entrada dos vereadores nas suas instalações.

Mesma atitude o vereador teve em relação à outra CPI, a do lixo. Na mesma entrevista, acusou o prefeito Edvaldo Nogueira de "convidar um diretor da Torre que se encontrava preso" para participar da licitação. Mais uma vez, Elber Batalha abusa dos fake News, pois ele sabe que uma licitação não pode impedir a participação de nenhuma empresa, ainda mais uma realizada em nível nacional, que, pela abrangência denota o interesse do município em buscar novas empresas interessadas em explorar o serviço. O que o vereador do PSB esquece é que Edvaldo Nogueira é o único prefeito na história da prefeitura a realizar - e pela segunda vez - a concorrência para a limpeza pública.

Onde estáo defeito?

Do deputado federal Fábio Mitidieri (PSD), em sua conta no Twitter, relação ao comportamento do senador Valadares e do deputado federal Valadares Filho, que comandam o PSB sergipano: "Quando eu leio as críticas feitas pelo PSB e vejo que eles já brigaram com todos seus aliados, @belivaldochagas , @JacksonBarreto , @eduardoamorimse , @AndreMourapsc_ Lembro de uma máxima que diz que quando vc briga com todos, vai ver o defeito está em você."
Fábio Mitidieri foi a primeira liderança importante da aliança liderada pelo então governador Jackson Barreto, em 2016, a manifestar apoio a candidatura de Valadares Filho, quando ainda havia uma disputa interna com Edvaldo Nogueira e José Sobral, para definir o candidato do grupo a PMA. Só impôs uma condição: Valadares não poderia buscar o apoio dos partidos de oposição para manter a sua candidatura, caso não fosse o escolhido pelo grupo.
Como se sabe, o escolhido pelo bloco governista foi Edvaldo, eleito, e Valadares Filho se aliou aos Amorim e ao deputado federal André Moura, numa aliança que deveria ser retribuída agora em 2018. Devido ao acordo com a oposição, Fábio desistiu do apoio ao PSB e se integrou a campanha vitoriosa.

A Funcaju e o PT

O prefeito Edvaldo Nogueira aproveitou a saída de Sílvio Santos da presidência da Funcaju em função da legislação eleitoral, para fazer as pazes com a CNB, corrente majoritária do PT, liderada no Estado pelos ex-deputados Rogério Carvalho, presidente estadual do partido, e Márcio Macêdo, vice-presidente nacional. Quando assumiu a PMA, Edvaldo entregou dois cargos ao PT: a Funcaju e a Secretaria de Assistência Social, ocupada até poucos dias pela vice-prefeita Eliane Aquino, que também se desincompatilizou por conta as eleições.
No ano passado, Sílvio e Eliane trocaram a CNB pelo Movimento PT, que já foi liderada nacionalmente por José Genoíno e, em Sergipe, por Severino Bispo, sempre um adversário interno de Marcelo Déda. Na sexta-feira, após reunião com Rogério e Márcio, Edvaldo anunciou o nome do professor Cássio Murilo Costa dos Santos para a presidência da Funcaju.
Assistência Social continuará tutelada por Eliane Aquino.