O abraço dos afogaados

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Artistas da terra
Artistas da terra

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Publicada em 03/05/2018 às 05:46:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Outro dia, eu trope-
cei num trombone 
solitário, desafinando lamentos no Brasil do "golpe". Um músico amador foi à sacada do apartamento e derramou a sua melancolia metálica no espaço. "Lula, lá" ganhou a dinâmica de uma marcha fúnebre. O animado jingle de uma campanha presidencial virou um gesto exangue, estendido num abraço de afogados.
Momentos históricos difíceis já renderam caldo mais grosso. A adesão das vacas sagradas da música sergipana, os tais "artistas da terra", à campanha em favor da libertação do ex-presidente, no entanto, é sinal de que a vaca foi pro brejo e a estrela do Partido dos Trabalhadores perdeu o brilho, de uma vez por todas. A depender da imaginação dos valentes, Lula vai passar o resto da vida mudado em ideia morta, atrás das grades.
Explica-se: A dupla Chiko Queiroga e Antonio Rogério fez como o trombone solitário do Facebook, e empenhou o seu capital artístico na campanha #LulaLivre. Um feito oportunista, que não inflama ninguém. O valor da composição compartilhada por alguns poucos gatos pingados é o mesmo de um panfleto mal redigido. Às palavras gastas da "poesia" (com ênfase nas aspas), soma-se a impressão musical de uma paródia, anacrônica em sua própria forma.
Cada época tem o Chico Buarque que merece. Até agora, desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a conflagração da classe artística tupiniquim pouco produziu além de ocupações as mais pacíficas, performances escandalosas, palavras de ordem e hashtags. Há a fotografia de Francisco Proner, a sagração do último líder popular brasileiro, nos braços do povo, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo, impressionante. E mais nada.
Os maiores nomes da Música Popular Brasileira, em todos os tempos, já foram flagrados em passeatas. As causas são as mais variadas. Da mais nobre, pelas Diretas Já, por exemplo, à mais vergonhosa, contra a guitarra elétrica. Engajamento à parte, entretanto, o lirismo é o que lhes vale. Nenhum dos grandes, mesmo em protesto, jamais renunciou a fazer música de verdade.

Outro dia, eu trope- cei num trombone  solitário, desafinando lamentos no Brasil do "golpe". Um músico amador foi à sacada do apartamento e derramou a sua melancolia metálica no espaço. "Lula, lá" ganhou a dinâmica de uma marcha fúnebre. O animado jingle de uma campanha presidencial virou um gesto exangue, estendido num abraço de afogados.
Momentos históricos difíceis já renderam caldo mais grosso. A adesão das vacas sagradas da música sergipana, os tais "artistas da terra", à campanha em favor da libertação do ex-presidente, no entanto, é sinal de que a vaca foi pro brejo e a estrela do Partido dos Trabalhadores perdeu o brilho, de uma vez por todas. A depender da imaginação dos valentes, Lula vai passar o resto da vida mudado em ideia morta, atrás das grades.
Explica-se: A dupla Chiko Queiroga e Antonio Rogério fez como o trombone solitário do Facebook, e empenhou o seu capital artístico na campanha #LulaLivre. Um feito oportunista, que não inflama ninguém. O valor da composição compartilhada por alguns poucos gatos pingados é o mesmo de um panfleto mal redigido. Às palavras gastas da "poesia" (com ênfase nas aspas), soma-se a impressão musical de uma paródia, anacrônica em sua própria forma.
Cada época tem o Chico Buarque que merece. Até agora, desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a conflagração da classe artística tupiniquim pouco produziu além de ocupações as mais pacíficas, performances escandalosas, palavras de ordem e hashtags. Há a fotografia de Francisco Proner, a sagração do último líder popular brasileiro, nos braços do povo, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo, impressionante. E mais nada.
Os maiores nomes da Música Popular Brasileira, em todos os tempos, já foram flagrados em passeatas. As causas são as mais variadas. Da mais nobre, pelas Diretas Já, por exemplo, à mais vergonhosa, contra a guitarra elétrica. Engajamento à parte, entretanto, o lirismo é o que lhes vale. Nenhum dos grandes, mesmo em protesto, jamais renunciou a fazer música de verdade.