Sem teto

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Publicada em 03/05/2018 às 06:22:00

 

Não há nada de natural na ruína 
de um prédio de 24 andares. 
Muito menos, no centro da maior cidade da América Latina. Para tamanha tragédia ocorrer, fazendo tantas vítimas, é preciso reunir uma série de condições escandalosas. É preciso, antes de tudo, haver gente desesperada, disposta a correr o risco de quatro paredes precárias para ter um teto sobre a cabeça e um lugar para chamar de seu.
O edifício Wilton Paes de Almeida, no largo do Paissandu, foi engolido pelo fogo na madrugada da última terça-feira, após uma explosão no 5º andar - há a suspeita de que o incêndio esteja ligado a um botijão de gás, e rumores sobre a discussão de um casal. Mas o fato concreto, incontestável, é que a construção não reunia as condições indispensáveis para abrigar quem fosse, e as autoridades estavam cientes do risco.
O prédio que desabou no centro de São Paulo abrigava 146 famílias ou 372 moradores. Um inquérito instaurado pela Promotoria estadual, em 2015, constatou a obstrução de corredores e rotas de fuga, onde acumulavam lixo e material inflamável. E, no entanto, nenhuma providência foi tomada.
A verdade pura e simples é que o poder público jamais encarou o déficit habitacional observado nas grandes cidades como um problema a ser enfrentado. Tragédia consumada, prefeito, governador, e até o presidente da República, todos lamentam e se apressam em tirar o corpo fora, cegos para o verdadeiro problema, alheios ao drama dos trabalhadores sem teto, esquivando-se, em suma, às próprias responsabilidades.

Não há nada de natural na ruína  de um prédio de 24 andares.  Muito menos, no centro da maior cidade da América Latina. Para tamanha tragédia ocorrer, fazendo tantas vítimas, é preciso reunir uma série de condições escandalosas. É preciso, antes de tudo, haver gente desesperada, disposta a correr o risco de quatro paredes precárias para ter um teto sobre a cabeça e um lugar para chamar de seu.
O edifício Wilton Paes de Almeida, no largo do Paissandu, foi engolido pelo fogo na madrugada da última terça-feira, após uma explosão no 5º andar - há a suspeita de que o incêndio esteja ligado a um botijão de gás, e rumores sobre a discussão de um casal. Mas o fato concreto, incontestável, é que a construção não reunia as condições indispensáveis para abrigar quem fosse, e as autoridades estavam cientes do risco.
O prédio que desabou no centro de São Paulo abrigava 146 famílias ou 372 moradores. Um inquérito instaurado pela Promotoria estadual, em 2015, constatou a obstrução de corredores e rotas de fuga, onde acumulavam lixo e material inflamável. E, no entanto, nenhuma providência foi tomada.
A verdade pura e simples é que o poder público jamais encarou o déficit habitacional observado nas grandes cidades como um problema a ser enfrentado. Tragédia consumada, prefeito, governador, e até o presidente da República, todos lamentam e se apressam em tirar o corpo fora, cegos para o verdadeiro problema, alheios ao drama dos trabalhadores sem teto, esquivando-se, em suma, às próprias responsabilidades.