Precarização do trabalho: boa para quem?

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Publicada em 04/05/2018 às 06:19:00

 

* Debora Medeiros 
Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua evidenciam, no primeiro trimestre de 2018, uma taxa de desocupação acima de 13% na economia brasileira, atingindo 13,7 milhões de brasileiros. Somente no emprego formal (com carteira assinada) foram perdidas mais de 400 mil vagas, em relação ao trimestre anterior.
Essas alterações na economia do trabalho ocorrem num contexto de mudança da regulamentação trabalhista -com retirada de direitos - e de estímulo à terceirização, aprovados pelo Congresso Nacional em 2017. Em que resultarão?
Há aspectos previsíveis.
Primeiro, deve-se considerar que esse cenário de desemprego e precarização do trabalho adoece a população: os desempregados adoecem significativamente mais do ponto de vista da saúde mental, com mais sintomas de depressão, desesperança e ideação suicida. Isso gera despesas ao Sistema Único de Saúde.
Mas a situação não é melhor para os milhões que permanecem trabalhando em condições mais precárias: oito em cada dez acidentes de trabalho ocorrem com terceirizados, uma vez que as empresas terceirizadas em geral são menores e menos sujeitas a fiscalização, entre outras razões.
Por fim, é preciso dizer que a alegada economia para o empregador com esse novo contexto não se repete nos gastos do Estado: entre 2012 e 2016, o país gastou em torno de 20 bilhões de reais com benefícios acidentários. E com mais terceirização, maior será a tendência de acidentes.
Há quem servem, portanto, as reformas que retiram direitos dos trabalhadores?
Certamente, não ao trabalhador. Não ao Estado brasileiro. E não a um projeto de nação.
* Debora Medeiros é médica psiquiatra, pesquisadora em políticas de saúde (Unicamp) e analista de conjuntura

* Debora Medeiros 


Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua evidenciam, no primeiro trimestre de 2018, uma taxa de desocupação acima de 13% na economia brasileira, atingindo 13,7 milhões de brasileiros. Somente no emprego formal (com carteira assinada) foram perdidas mais de 400 mil vagas, em relação ao trimestre anterior.
Essas alterações na economia do trabalho ocorrem num contexto de mudança da regulamentação trabalhista -com retirada de direitos - e de estímulo à terceirização, aprovados pelo Congresso Nacional em 2017. Em que resultarão?
Há aspectos previsíveis.
Primeiro, deve-se considerar que esse cenário de desemprego e precarização do trabalho adoece a população: os desempregados adoecem significativamente mais do ponto de vista da saúde mental, com mais sintomas de depressão, desesperança e ideação suicida. Isso gera despesas ao Sistema Único de Saúde.
Mas a situação não é melhor para os milhões que permanecem trabalhando em condições mais precárias: oito em cada dez acidentes de trabalho ocorrem com terceirizados, uma vez que as empresas terceirizadas em geral são menores e menos sujeitas a fiscalização, entre outras razões.
Por fim, é preciso dizer que a alegada economia para o empregador com esse novo contexto não se repete nos gastos do Estado: entre 2012 e 2016, o país gastou em torno de 20 bilhões de reais com benefícios acidentários. E com mais terceirização, maior será a tendência de acidentes.
Há quem servem, portanto, as reformas que retiram direitos dos trabalhadores?
Certamente, não ao trabalhador. Não ao Estado brasileiro. E não a um projeto de nação.
* Debora Medeiros é médica psiquiatra, pesquisadora em políticas de saúde (Unicamp) e analista de conjuntura