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Publicada em 04/05/2018 às 06:21:00

 

* Lelê Teles
Manhã de primeiro de maio, milhares de pessoas dão bom dia ao ex-presidente Lula, em Curitiba.
"Bom dia, Presidente Lula!"
Enquanto isso, em São Paulo, uma multidão vaia Temer, chamando-o de ladrão e vagabundo.
"Vai embora, vagabundo... ladrão..."
E Temer sai correndo feito um Rocha Lourens, com o rabo entre as pernas.
Eis o resultado final do golpe: desemprego, desamparo, desespero, desestruturação econômica, social e política. 
O que promoveu o caos tá solto, o que pode trazer a paz social de volta está preso.
Um é perseguido, o outro protegido. Um é presidente, o outro, ex.
Eis aí a síntese do Brasil de hoje. 
Um líder popular preso para não ser eleito, e o eleitor esculhambando o impopular sem votos.
Mas o que diabos Temer foi fazer na rua?, pergunta-me uma senhorinha na fila do pão.
Ora, minha senhora, ele foi testar a sua impopularidade que, segundo Nizan Guanaes, é o seu maior trunfo. 
- O que o senhor fará hoje, meu presidente?
- Irei às ruas ser vaiado pelo povo. 
- Çàbia decisão. Diz um deputado, enquanto lhe afaga os ovos.
As eleições se aproximam e, por isso mesmo, ninguém se aproxima de Temer, que virou um leproso.
Enquanto isso há uma romaria em Curitiba, todo dia chega gente querendo visitar o preso político.
Inclusive gente das estranjas. 
Cartas lhe são enviadas do Brasil inteiro. 
Lhe fazem visitas, vigílias, poemas, canções, cordéis, serenatas...
Parlamentares e intelectuais mundo afora condenam a sua condenação.
De um lado, solidariedade, do outro, demofobia.
Cheios de ódio anti povo, os caipiras de Curitiba chicoteiam trabalhador e atiram pra matar. 
A mídia segue usando a tática do Ricupero, "o que   é bom (pra nós) a gente mostra, o que é ruim a gente esconde". 
Ruiu um prédio ontem em São Paulo, ocupado por brasileiros sem teto. 
A turma do relhoH do auxílio moradia está a culpar as vítimas.
há ainda uma outra síntese possível. 
Tivemos três feriados seguidos: para celebrar um carpinteiro crucificado, o outro em homenagem ao alferes esquartejado e este para comemorar o dia do trabalhador, que leva tiro  de pistola 9 mm e chicotada no lombo.
Deus tenha piedade de nós.
Palavra da salvação.
* Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista

* Lelê Teles


Manhã de primeiro de maio, milhares de pessoas dão bom dia ao ex-presidente Lula, em Curitiba.
"Bom dia, Presidente Lula!"
Enquanto isso, em São Paulo, uma multidão vaia Temer, chamando-o de ladrão e vagabundo.
"Vai embora, vagabundo... ladrão..."
E Temer sai correndo feito um Rocha Lourens, com o rabo entre as pernas.
Eis o resultado final do golpe: desemprego, desamparo, desespero, desestruturação econômica, social e política. 
O que promoveu o caos tá solto, o que pode trazer a paz social de volta está preso.
Um é perseguido, o outro protegido. Um é presidente, o outro, ex.
Eis aí a síntese do Brasil de hoje. 
Um líder popular preso para não ser eleito, e o eleitor esculhambando o impopular sem votos.
Mas o que diabos Temer foi fazer na rua?, pergunta-me uma senhorinha na fila do pão.
Ora, minha senhora, ele foi testar a sua impopularidade que, segundo Nizan Guanaes, é o seu maior trunfo. 
- O que o senhor fará hoje, meu presidente?
- Irei às ruas ser vaiado pelo povo. 
- Çàbia decisão. Diz um deputado, enquanto lhe afaga os ovos.
As eleições se aproximam e, por isso mesmo, ninguém se aproxima de Temer, que virou um leproso.
Enquanto isso há uma romaria em Curitiba, todo dia chega gente querendo visitar o preso político.
Inclusive gente das estranjas. 
Cartas lhe são enviadas do Brasil inteiro. 
Lhe fazem visitas, vigílias, poemas, canções, cordéis, serenatas...
Parlamentares e intelectuais mundo afora condenam a sua condenação.
De um lado, solidariedade, do outro, demofobia.
Cheios de ódio anti povo, os caipiras de Curitiba chicoteiam trabalhador e atiram pra matar. 
A mídia segue usando a tática do Ricupero, "o que   é bom (pra nós) a gente mostra, o que é ruim a gente esconde". 
Ruiu um prédio ontem em São Paulo, ocupado por brasileiros sem teto. 
A turma do relhoH do auxílio moradia está a culpar as vítimas.
há ainda uma outra síntese possível. 
Tivemos três feriados seguidos: para celebrar um carpinteiro crucificado, o outro em homenagem ao alferes esquartejado e este para comemorar o dia do trabalhador, que leva tiro  de pistola 9 mm e chicotada no lombo.
Deus tenha piedade de nós.
Palavra da salvação.
* Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista