Feito um astro de rock

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
De olho na timeline
De olho na timeline

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 08/05/2018 às 05:12:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Os homens de Deus 
estão assanhados. 
Reivindicam todas as competências. Ocupam todos os espaços, do parlamento ao palco. Padres, pastores, crentes de todas as denominações religiosas, já não tratam exclusivamente de proclamar a própria fé, empenhados em reforma íntima. Importa-lhes, antes de tudo, adequar o mundo às próprias certezas, inimigos da diferença, alheios a altos e baixos. 
Padre cantor, pastor deputado, são duas faces do mesmo tostão furado. Insatisfeitos com o naco de poder transferido pela batina e a Palavra, mesmo depois de Lutero, almejam agora os atos de ofício, o aplauso da multidão. A doutrina religiosa está subordinada, mais do que nunca, ao apetite da política e do mercado. O Papa é top!
Vejam o padre Fábio de Melo, sorrindo em outdoor, nas principais avenidas de Aracaju. É, para todos os efeitos, um servo da Santa Igreja, com paróquia e paramentos. Entre as preocupações aparentes no esforço de se fazer notável nos meios de comunicação, com singular desempenho nas redes sociais, entretanto, sobressai o cálculo de resultados perfeitamente mundanos. Deus é, para o artista, como uma dor de cotovelo, o motivo capaz de conciliar a formação eclesiástica com a ambição vulgar dos pobres mortais.
Teologia no quinto dos infernos. A imagem de Jesus Cristo pregado na cruz, pagando sozinho por todos os pecados do mundo, jamais terá de novo o mesmo apelo de um padre jovem, na flor dos anos, distribuindo bênçãos e autógrafos, concedendo entrevistas para alardear os seus trinados feito um astro de rock. 
A igreja não basta. O instrumento do Altíssimo, versado em latim, cheio de versículos e piedade, já não teme pelo destino das almas, ocupado com maquiagem, fotos, lives e divulgação. O padre cantor, com milhares de seguidores, empenhado em angariar views e likes, é uma celebridade como tantas outras, artífice da auto ajuda, cheio de pose, de olhos grudados na timeline.

Os homens de Deus  estão assanhados.  Reivindicam todas as competências. Ocupam todos os espaços, do parlamento ao palco. Padres, pastores, crentes de todas as denominações religiosas, já não tratam exclusivamente de proclamar a própria fé, empenhados em reforma íntima. Importa-lhes, antes de tudo, adequar o mundo às próprias certezas, inimigos da diferença, alheios a altos e baixos. 
Padre cantor, pastor deputado, são duas faces do mesmo tostão furado. Insatisfeitos com o naco de poder transferido pela batina e a Palavra, mesmo depois de Lutero, almejam agora os atos de ofício, o aplauso da multidão. A doutrina religiosa está subordinada, mais do que nunca, ao apetite da política e do mercado. O Papa é top!
Vejam o padre Fábio de Melo, sorrindo em outdoor, nas principais avenidas de Aracaju. É, para todos os efeitos, um servo da Santa Igreja, com paróquia e paramentos. Entre as preocupações aparentes no esforço de se fazer notável nos meios de comunicação, com singular desempenho nas redes sociais, entretanto, sobressai o cálculo de resultados perfeitamente mundanos. Deus é, para o artista, como uma dor de cotovelo, o motivo capaz de conciliar a formação eclesiástica com a ambição vulgar dos pobres mortais.
Teologia no quinto dos infernos. A imagem de Jesus Cristo pregado na cruz, pagando sozinho por todos os pecados do mundo, jamais terá de novo o mesmo apelo de um padre jovem, na flor dos anos, distribuindo bênçãos e autógrafos, concedendo entrevistas para alardear os seus trinados feito um astro de rock. 
A igreja não basta. O instrumento do Altíssimo, versado em latim, cheio de versículos e piedade, já não teme pelo destino das almas, ocupado com maquiagem, fotos, lives e divulgação. O padre cantor, com milhares de seguidores, empenhado em angariar views e likes, é uma celebridade como tantas outras, artífice da auto ajuda, cheio de pose, de olhos grudados na timeline.