A Academia Lagartense de Letras e o cultivo da memória

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Publicada em 08/05/2018 às 05:46:00

 

* Prof. Claudefranklin Monteiro Santos
Expressões da representação de um povo, casas do saber e da sua cultura, as academias literárias há muito superaram sua estrita essência bem-letrista. Para tanto, sobretudo em Sergipe, elas ampliaram não só o seu repertório, mas também diversificaram sua cena e a sua atuação.
Para além dos seus muros e longe de ser privilégio de alguns, as academias vem exercendo papéis fundamentais no tempo presente. Entre eles, o de cultiva a memória e, com isso, contribuir para a educação patrimonial das pessoas, dos mais diferentes níveis e matizes sociais.
Instalada no dia 19 de abril de 2013, com 19 membros fundantes, a Academia Lagartense de Letras está entre as primeiras a viverem o processo de interiorização das agremiações literárias, capitaneado pela academia-mãe, a Academia Sergipana de Letras, prestes a completar 90 anos ininterruptos de sua criação.
No afã de cumprir não somente suas obrigações estatutárias e, principalmente, de fazer valer seu compromisso moral e social para com sua gente, a Academia Lagartense de Letras vem, a cada ano, dedicando especial atenção aos seus munícipes, que com suas capacidades e inteligências, se imortalizaram na cultura sergipana, nacional, e porque não dizer, universal, se tivermos como baliza o monstro Sílvio Romero.
Assim, em 2016, cultivou a memória de Ranulfo Prata, que está entre os maiores contistas da História da Literatura Brasileira. No ano seguinte, o historiador de Campo do Brito, naturalizado lagartense, Adalberto Fonseca, que lançou as bases para novas e profundas investidas no campo da história local.
Em 2018, a Academia Lagartense de Letras resolveu fazer uma dupla homenagem a dois sujeitos, cujas trajetórias, ficaram raízes profundas em nossa memória cultural: o jornalista Joel Silveira e o Monsenhor Juarez Prata.
Natural de Aracaju, filho de lagartenses e com formação educacional básica no antigo Grupo Escolar Sílvio Romero, Joel Silveira nasceu no dia 23 de setembro de 1918. Fez uma carreira brilhante e marcante no jornalismo brasileiro, radicando-se no Rio de Janeiro, onde faleceu em 2007. Atuou, principalmente, no Diário Associados, quando foi incumbido da missão de cobrir, junto à FEB, a Segunda Guerra Mundial. Era mordaz na crítica e magnânimo na expressão e no uso das palavras.
Amante incondicional de Nossa Senhora da Piedade, Monsenhor Juarez Santos Prata nasceu em Lagarto no dia 28 de outubro de 1918.  Ao longo de seus 29 anos de Sacerdócio, Mons. Juarez colecionou muitas amizades, tendo sido uma das mais influentes autoridades clericais da história religiosa do Lagarto, até então, assumindo postos como o de apontador de ofícios e Secretário de Dom Augusto, onde tomou parte do consistório que elegeu o Papa Paulo VI. Faleceu em 1986.
O tempo, certamente é implacável, dado que destrói tudo. Às vezes, até mesmo nossas esperanças. Mas a memória, uma vez cultivada, é como uma árvore que nunca fenece. No caso da Academia Lagartense de Letras, uma frondosa jaqueira, em cujas sombras se assentam e se eternizam os mais promissores de nossos talentos.
* Claudefranklin Monteiro Santos é professorda UFS

* Prof. Claudefranklin Monteiro Santos


Expressões da representação de um povo, casas do saber e da sua cultura, as academias literárias há muito superaram sua estrita essência bem-letrista. Para tanto, sobretudo em Sergipe, elas ampliaram não só o seu repertório, mas também diversificaram sua cena e a sua atuação.
Para além dos seus muros e longe de ser privilégio de alguns, as academias vem exercendo papéis fundamentais no tempo presente. Entre eles, o de cultiva a memória e, com isso, contribuir para a educação patrimonial das pessoas, dos mais diferentes níveis e matizes sociais.
Instalada no dia 19 de abril de 2013, com 19 membros fundantes, a Academia Lagartense de Letras está entre as primeiras a viverem o processo de interiorização das agremiações literárias, capitaneado pela academia-mãe, a Academia Sergipana de Letras, prestes a completar 90 anos ininterruptos de sua criação.
No afã de cumprir não somente suas obrigações estatutárias e, principalmente, de fazer valer seu compromisso moral e social para com sua gente, a Academia Lagartense de Letras vem, a cada ano, dedicando especial atenção aos seus munícipes, que com suas capacidades e inteligências, se imortalizaram na cultura sergipana, nacional, e porque não dizer, universal, se tivermos como baliza o monstro Sílvio Romero.
Assim, em 2016, cultivou a memória de Ranulfo Prata, que está entre os maiores contistas da História da Literatura Brasileira. No ano seguinte, o historiador de Campo do Brito, naturalizado lagartense, Adalberto Fonseca, que lançou as bases para novas e profundas investidas no campo da história local.
Em 2018, a Academia Lagartense de Letras resolveu fazer uma dupla homenagem a dois sujeitos, cujas trajetórias, ficaram raízes profundas em nossa memória cultural: o jornalista Joel Silveira e o Monsenhor Juarez Prata.
Natural de Aracaju, filho de lagartenses e com formação educacional básica no antigo Grupo Escolar Sílvio Romero, Joel Silveira nasceu no dia 23 de setembro de 1918. Fez uma carreira brilhante e marcante no jornalismo brasileiro, radicando-se no Rio de Janeiro, onde faleceu em 2007. Atuou, principalmente, no Diário Associados, quando foi incumbido da missão de cobrir, junto à FEB, a Segunda Guerra Mundial. Era mordaz na crítica e magnânimo na expressão e no uso das palavras.
Amante incondicional de Nossa Senhora da Piedade, Monsenhor Juarez Santos Prata nasceu em Lagarto no dia 28 de outubro de 1918.  Ao longo de seus 29 anos de Sacerdócio, Mons. Juarez colecionou muitas amizades, tendo sido uma das mais influentes autoridades clericais da história religiosa do Lagarto, até então, assumindo postos como o de apontador de ofícios e Secretário de Dom Augusto, onde tomou parte do consistório que elegeu o Papa Paulo VI. Faleceu em 1986.
O tempo, certamente é implacável, dado que destrói tudo. Às vezes, até mesmo nossas esperanças. Mas a memória, uma vez cultivada, é como uma árvore que nunca fenece. No caso da Academia Lagartense de Letras, uma frondosa jaqueira, em cujas sombras se assentam e se eternizam os mais promissores de nossos talentos.
* Claudefranklin Monteiro Santos é professorda UFS