'This is America'

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A tragédia nossa de cada dia
A tragédia nossa de cada dia

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Publicada em 09/05/2018 às 05:18:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Boa parte das pala-
vras e imagens po-
voando o pensamento contemporâneo carrega a assinatura do Tio Sam. E tal inflexão explica, ao menos em parte, a ascensão de valores liberais no mercado de ideias. Aqui mesmo, em Terra Brasílis, cresce a disposição de resolver os maiores problemas feito um pioneiro em território selvagem, tocando fogo e terror, no grito e na bala.
A aproximação possível entre o presidente gringo Donald Trump e um candidato inominável, favorito em todas as pesquisas de intenção de voto para a presidência tupiniquim, recomenda barbas de molho. Se o pior ocorrer, e o País cair nas mãos de um mito sem nenhuma façanha, um santo de pau oco, o Brasil pode se perder de vez no avesso do próprio desejo, um mundo bizarro: um pé no Haiti, outro na América.
A experiência em curso nos Estados Unidos, Terra da Liberdade, sugere cautela e desconfiança em relação aos protestos de valentia proclamados pelos voluntários salvadores da pátria. Lá, onde cada um responde por si mesmo, com a cara e a coragem, parcelas expressivas da população negam a fantasia de todas as oportunidades. Obrigados ao salve-se quem puder, rezam à Providência, desesperados de todos os outros.
Quem diz é Donald Glover, ator, roteirista e criador da premiada série Atlanta, com uma sólida carreira musical sob a alcunha de Childish Gambino. No último sábado, ele participou do humorístico Saturday Night Live e lançou duas músicas inéditas, além de um videoclipe divulgado no Youtube. O vídeo combina ironia e violência explícita na abordagem de temas ligados à tensão racial nos EUA.
O porte irrestrito de armas, a violência policial e episódios como o massacre de nove membros de uma igreja da comunidade negra de Charleston, em 2015, pontuando a referida peça audiovisual, não são fatos completamente estranhos à tragédia nossa de cada dia. Mas a expressão distorcida de certo liberalismo, na boca de quem cultiva a ambição de governar o País, como a promessa de metralhar a favela da Rocinha, ante uma platéia de investidores, por exemplo, é sinal de que situação dos pretos e pobres, maioria dos brasileiros, ainda tem muito a piorar.

Boa parte das pala- vras e imagens po- voando o pensamento contemporâneo carrega a assinatura do Tio Sam. E tal inflexão explica, ao menos em parte, a ascensão de valores liberais no mercado de ideias. Aqui mesmo, em Terra Brasílis, cresce a disposição de resolver os maiores problemas feito um pioneiro em território selvagem, tocando fogo e terror, no grito e na bala.
A aproximação possível entre o presidente gringo Donald Trump e um candidato inominável, favorito em todas as pesquisas de intenção de voto para a presidência tupiniquim, recomenda barbas de molho. Se o pior ocorrer, e o País cair nas mãos de um mito sem nenhuma façanha, um santo de pau oco, o Brasil pode se perder de vez no avesso do próprio desejo, um mundo bizarro: um pé no Haiti, outro na América.
A experiência em curso nos Estados Unidos, Terra da Liberdade, sugere cautela e desconfiança em relação aos protestos de valentia proclamados pelos voluntários salvadores da pátria. Lá, onde cada um responde por si mesmo, com a cara e a coragem, parcelas expressivas da população negam a fantasia de todas as oportunidades. Obrigados ao salve-se quem puder, rezam à Providência, desesperados de todos os outros.
Quem diz é Donald Glover, ator, roteirista e criador da premiada série Atlanta, com uma sólida carreira musical sob a alcunha de Childish Gambino. No último sábado, ele participou do humorístico Saturday Night Live e lançou duas músicas inéditas, além de um videoclipe divulgado no Youtube. O vídeo combina ironia e violência explícita na abordagem de temas ligados à tensão racial nos EUA.
O porte irrestrito de armas, a violência policial e episódios como o massacre de nove membros de uma igreja da comunidade negra de Charleston, em 2015, pontuando a referida peça audiovisual, não são fatos completamente estranhos à tragédia nossa de cada dia. Mas a expressão distorcida de certo liberalismo, na boca de quem cultiva a ambição de governar o País, como a promessa de metralhar a favela da Rocinha, ante uma platéia de investidores, por exemplo, é sinal de que situação dos pretos e pobres, maioria dos brasileiros, ainda tem muito a piorar.