Gaspeu e Cássio Murilo na UFS

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Publicada em 12/05/2018 às 04:42:00

 

* Antonio Passos
Ano passado, o Burundanga Percussivo - grupo artístico do qual faço parte - resolveu invadir São Cristóvão durante a realização do 34º Festival de Artes da cidade, o nosso conhecido FASC. O bloco regido pelo maestro Pedro Mendonça, mesmo não constando inicialmente na programação, botou o pé na festa e fez soar alto os seus tambores pelas praças, ruas e becos.
Na ocasião me chamou a atenção a disposição de um homem que colou no bloco em atitude colaborativa e dialogou durante todo o animado percurso com o maestro e com as produtoras, negociando os melhores caminhos para harmonizar a presença inesperada do Burundanga com a programação anunciada que acontecia, simultaneamente, em diversos espaços.
Ao final do cortejo procurei saber quem era aquele cidadão. Fui então informado de que se tratava do secretário de cultura de São Cristóvão. Até então eu nunca o tinha visto e nem sabia o nome dele. Mesmo com o desconhecimento, já naquele primeiro contato visual, não pude deixar de admirar a atitude do secretário, diante da presença inesperada do Burundanga.
Dias depois, durante uma apresentação da peça "Pirlipatinha e a Castanha de Cajuaçu", encenada na Biblioteca Pública Epifânio Dória por alunos da professora Nete Benevides, do Curso de Teatro da UFS, pela segunda vez vi o secretário. Além de assistir a apresentação, ele lá foi também com o propósito de levar aquele espetáculo para São Cristóvão.
Agora, entre os dias 07 e 11 de maio de 2018, o Departamento de Teatro da UFS realizou a Semana de Acolhimento 2018.1, voltada para recepcionar os novos alunos. Na noite da terça-feira (08), a programação do evento contou com uma mesa de conversa entre Cássio Murilo Costa dos Santos e Everaldo Pinto Fontes Gaspeu, com mediação da professora Márcia Baltazar.
Como aluno do Curso de Teatro lá estive e pude enfim saber o nome e a designação correta do cargo público desempenhado pelo suposto secretário. Trata-se de Everaldo Pinto Fontes Gaspeu ou, como todos o chamam, simplesmente: Gaspeu. O cargo por ele exercido é o de Presidente da Fundação de Cultura e Turismo João Bebe Água, vinculada a São Cristóvão.
Gaspeu, de modo bem direto e coloquial, contou um pouco da história da Fundação João Bebe Água, destacou alguns aperfeiçoamentos institucionais recentes e apresentou uma longa lista de realização que vêm ocorrendo, relacionadas à arte e a cultura, em São Cristóvão. Conversou abertamente sobre práticas e dificuldades da gestão pública na área da cultura.
Falou em seguida Cássio Murilo, recém-nomeado Presidente da Fundação Cultural Cidade de Aracaju - FUNCAJU. Logo de saída registrou que a UFS, universidade na qual ele graduou-se em História, era a primeira instituição que estava visitando após a posse na FUNCAJU. O ato foi ilustrativo do interesse por ele manifestado no diálogo entre a comunidade acadêmica e a FUNCAJU.
Conheci Cássio Murilo no final da década de 1980 como colega na UFS. Estudante do curso de História, Cássio logo se tornou uma presença influente nos debates políticos e acadêmicos, no movimento estudantil e em sala de aula. Concordando ou discordando, o diálogo com Cássio Murilo era sempre estimulante. Aquele era um tempo de reconstrução da democracia brasileira.
As circunstâncias da vida futura interromperam a proximidade que tivemos nos tempos da graduação na UFS, porém, sempre fui informado de que Cássio Murilo continuou envolvido no aprofundamento das reflexões teóricas e na ação política. Agora, tive a satisfação de reencontrá-lo em um cenário muito presente nas nossas memórias: um debate entre estudantes da UFS.
Foi oportuna a realização do Departamento de Teatro, como disse um estudante. Ter levado para um debate com a comunidade formada em trono do Curso de Teatro - estudantes, professores e artistas - os gestores das instituições públicas da área de cultura, das cidades de Aracaju e São Cristóvão, a meio caminho entre as quais está localizado o pioneiro campus da UFS.
Os tempos são difíceis, essa foi uma constatação que ecoou durante toda a conversa. Quando diversas conquistas sociais estão sendo extintas no Brasil, configurou-se no debate o entendimento de que o próprio Curso de Teatro da UFS, como também os órgãos e orçamentos públicos destinados à cultura, fazem parte dessa lista de conquistas sociais ameaçadas.
* Antonio Passos é jornalista

* Antonio Passos


Ano passado, o Burundanga Percussivo - grupo artístico do qual faço parte - resolveu invadir São Cristóvão durante a realização do 34º Festival de Artes da cidade, o nosso conhecido FASC. O bloco regido pelo maestro Pedro Mendonça, mesmo não constando inicialmente na programação, botou o pé na festa e fez soar alto os seus tambores pelas praças, ruas e becos.
Na ocasião me chamou a atenção a disposição de um homem que colou no bloco em atitude colaborativa e dialogou durante todo o animado percurso com o maestro e com as produtoras, negociando os melhores caminhos para harmonizar a presença inesperada do Burundanga com a programação anunciada que acontecia, simultaneamente, em diversos espaços.
Ao final do cortejo procurei saber quem era aquele cidadão. Fui então informado de que se tratava do secretário de cultura de São Cristóvão. Até então eu nunca o tinha visto e nem sabia o nome dele. Mesmo com o desconhecimento, já naquele primeiro contato visual, não pude deixar de admirar a atitude do secretário, diante da presença inesperada do Burundanga.
Dias depois, durante uma apresentação da peça "Pirlipatinha e a Castanha de Cajuaçu", encenada na Biblioteca Pública Epifânio Dória por alunos da professora Nete Benevides, do Curso de Teatro da UFS, pela segunda vez vi o secretário. Além de assistir a apresentação, ele lá foi também com o propósito de levar aquele espetáculo para São Cristóvão.
Agora, entre os dias 07 e 11 de maio de 2018, o Departamento de Teatro da UFS realizou a Semana de Acolhimento 2018.1, voltada para recepcionar os novos alunos. Na noite da terça-feira (08), a programação do evento contou com uma mesa de conversa entre Cássio Murilo Costa dos Santos e Everaldo Pinto Fontes Gaspeu, com mediação da professora Márcia Baltazar.
Como aluno do Curso de Teatro lá estive e pude enfim saber o nome e a designação correta do cargo público desempenhado pelo suposto secretário. Trata-se de Everaldo Pinto Fontes Gaspeu ou, como todos o chamam, simplesmente: Gaspeu. O cargo por ele exercido é o de Presidente da Fundação de Cultura e Turismo João Bebe Água, vinculada a São Cristóvão.
Gaspeu, de modo bem direto e coloquial, contou um pouco da história da Fundação João Bebe Água, destacou alguns aperfeiçoamentos institucionais recentes e apresentou uma longa lista de realização que vêm ocorrendo, relacionadas à arte e a cultura, em São Cristóvão. Conversou abertamente sobre práticas e dificuldades da gestão pública na área da cultura.
Falou em seguida Cássio Murilo, recém-nomeado Presidente da Fundação Cultural Cidade de Aracaju - FUNCAJU. Logo de saída registrou que a UFS, universidade na qual ele graduou-se em História, era a primeira instituição que estava visitando após a posse na FUNCAJU. O ato foi ilustrativo do interesse por ele manifestado no diálogo entre a comunidade acadêmica e a FUNCAJU.
Conheci Cássio Murilo no final da década de 1980 como colega na UFS. Estudante do curso de História, Cássio logo se tornou uma presença influente nos debates políticos e acadêmicos, no movimento estudantil e em sala de aula. Concordando ou discordando, o diálogo com Cássio Murilo era sempre estimulante. Aquele era um tempo de reconstrução da democracia brasileira.
As circunstâncias da vida futura interromperam a proximidade que tivemos nos tempos da graduação na UFS, porém, sempre fui informado de que Cássio Murilo continuou envolvido no aprofundamento das reflexões teóricas e na ação política. Agora, tive a satisfação de reencontrá-lo em um cenário muito presente nas nossas memórias: um debate entre estudantes da UFS.
Foi oportuna a realização do Departamento de Teatro, como disse um estudante. Ter levado para um debate com a comunidade formada em trono do Curso de Teatro - estudantes, professores e artistas - os gestores das instituições públicas da área de cultura, das cidades de Aracaju e São Cristóvão, a meio caminho entre as quais está localizado o pioneiro campus da UFS.
Os tempos são difíceis, essa foi uma constatação que ecoou durante toda a conversa. Quando diversas conquistas sociais estão sendo extintas no Brasil, configurou-se no debate o entendimento de que o próprio Curso de Teatro da UFS, como também os órgãos e orçamentos públicos destinados à cultura, fazem parte dessa lista de conquistas sociais ameaçadas.
* Antonio Passos é jornalista