Crise de valores

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Publicada em 15/05/2018 às 05:28:00

 

* Raymundo Mello
(publicação de Raymundinho Mello, seu filho)
 
Tenho insistido - ao falar e escrever - 
no tema 'Cidadania'. Melhor: resgate 
da Cidadania. Sim, resgate. O 'Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa' conceitua, entre outros significados, o ato de resgatar como "tirar do esquecimento; livrar da ruína; conseguir algo à custa de muito esforço, de sacrifício; voltar a ter; recuperar". São estes significados que evoco em relação ao tema.
Sou convicto que, antes de qualquer outra crise que se possa elencar - crise econômica, crise política, crise na saúde, crise na educação, crise na previdência, etc. -, é necessário que se compreenda que a raiz de todas elas está na 'crise de valores'. Valores morais, valores éticos, compromisso social.
Ouço, em todos os lugares por onde passo, pessoas reclamando de algo errado (ou tudo errado, talvez) no país. Mas, vá esmiuçar a vida dessas pessoas e não se encontrará comportamento ilibado.
"Não! Sou direito, pessoa de bem!", dizem muitos. Retruco: Você pode até ser correto, não duvido, mas, diga-me: faz aquela famosa "roubadinha" no trânsito? Desperdiça água? Joga papel e outras coisas nas ruas, fora do lixeiro? Mente? Conspira para ocupar a função do outro no seu trabalho? Enfim, tantas outras "coisinhas pequenas" ... que são erros. Podem até ser mais amenos, mas são erros. Ferem o conceito de Cidadania, que não inclui apenas ter direitos, mas 'ter deveres' também..
.
Voltarei a este assunto oportunamente. Agora, faz-se mister admitirmos que a sociedade brasileira está gravemente doente, não apenas de saúde física e mental, cujos índices são alarmantes, mas adoecida no seu aspecto moral.
Não estou aqui defendendo os valores morais pertinentes a esta ou aquela ideologia religiosa, filosófica, política. Tenho os meus, como Cristão Católico Apostólico Romano que sou. Mas refiro-me aos valores pertinentes ao 'contrato social', às normas éticas de convivência, que bem permitem, independente de leis e punições, a harmonia entre os membros de uma dada sociedade.
Enquanto não conseguirmos resgatar tais valores nos indivíduos em si, afirmo com convicção que jamais conseguiremos tirar o Brasil de qualquer de suas crises. Apenas amenizar. Providências de impacto e resultados apenas aparentes.
Tudo como numa novela, tão mal feito quanto mal feitas são as novelas atualmente exibidas a título de 'entretenimento' para o povo brasileiro, que, anestesiado, não se dá conta do quanto trazem embutidas nas suas tramas o veneno fatal para os seus - já agonizantes - valores morais.
Assim vejo a nossa 'brasilidade' hoje. Sei que muitos hão de achar-me um pessimista, principalmente aqueles que se enfileiram nas correntes político-partidárias e seguem "cegos" atrás dos emergentes "salvadores da pátria". Que fazer? Estamos num estado que se diz democrático, então, respeito o direito de pensar de cada um. Mas tenho as minhas convicções.
E aplaudo e louvo toda e qualquer ação que se fundamente no respeito pelo bem comum e pelo bem querer (nem vou citar a palavra amor) à pátria.
Domingo passado, 13/05, celebrou-se o "Dia mundial das Comunicações". Numa bela mensagem para registrar a data, fundamentada no tema "A verdade vos tornará livres" (Jo 8,32), o Papa Francisco afirma que através dos meios de comunicação "o ser humano é capaz de narrar a sua própria experiência e o mundo, construindo assim a memória e a compreensão dos acontecimentos". Francisco adverte quanto aos perigos da comunicação baseada em falsas notícias e que promove a desunião, classificando tais empreendimentos como "mecanismos de desinformação".
Recomendo a leitura - na íntegra - da mensagem, escrita numa linguagem simples e acessível a todos, como o são os textos do Papa Francisco. Para os que lidam bem com a Informática, o texto pode ser encontrado no site da Santa Sé (w2.vatican.va). Para os que, compreensivelmente, não fazem uso da tecnologia, basta escrever-me (e-mail abaixo ou Caixa Postal 3001 - 49.015-250 - Aracaju-SE), e terei imensa alegria em disponibilizar o texto impresso. Repito: vale a pena ler!
Eu também comemorei a data com alegria, afinal, através deste artigo semanal e da participação em alguns programas de rádio, contribuo - humildemente - com a comunicação social. E primo por divulgar coisas boas, que edifiquem, que possam nutrir os nossos valores mais nobres.
Assim, trago para os amigos leitores um trecho do texto que publiquei na edição n.º 4186, de 27/06/2017, aqui no 'Jornal do Dia', artigo encimado pelo título "A força do jornal impresso". Assim escrevi:
"Acredito que o povo continua gostando de ler o jornal impresso, ao contrário da maliciosa falácia que querem impor-nos "goela-abaixo" de que o jornal já não atende às exigências de informação imediata que o tempo de hoje exige, com as modernas tecnologias que aí se apresentam. Mentira!
Não acredito na ideia de que as pessoas, atualmente, não gostam de ler, muito menos, de ler jornal. Ao contrário, tenho a convicção de que gostam sim, porém, gostam de ler textos com conteúdo cultural, com qualidade técnica e ética.
O advento da "era da informação" e o estupendo desenvolvimento da tecnologia nas últimas duas décadas, suscitou um espírito imediatista nas pessoas - cada dia mais exige-se o dado imediato, a chamada "informação em tempo real". São suficientes alguns minutos para que se possa estar "conectado com o mundo", tomando ciência de fatos acontecidos um minuto antes em qualquer lugar do planeta, o que desperta nas pessoas o falso sentimento de autocontrole da informação, mediado pelos meios virtuais.
Para muitos, isso parece ser tudo. Outros, entretanto, mais astutos, conseguem compreender que o "dado bruto", sem um tratamento analítico adequado, além de ser pouco significativo, abre espaço para especulações e "achismos", o que, gradativamente, vai empobrecendo culturalmente as pessoas.
Neste contexto, redefine-se o papel do texto impresso que assume a responsabilidade de proporcionar a reflexão dos fatos e dos dados, gerando, assim, uma informação consistente e coerente.
Este pensamento traduz a linha com que meu pai, o 'Memorialista Raymundo Mello', sempre conduziu este artigo semanal, que eu, com meus parcos recursos culturais, tento levar adiante: o compromisso de apresentar ao leitor um texto reflexivo, capaz de, a partir de histórias simples do dia-a-dia, cumprir a mais fundamental das tarefas de quem se propõe a escrever, a educativa.
Tenho-me esforçado para suprir a lacuna deixada pela ausência de meu pai, consciente, como já disse, de não ter "a leveza de sua pena", mas esperando levar um conteúdo culturalmente variado, sempre intercalado com trechos de seus escritos, e que possa despertar o interesse por leituras mais profundas sobre a realidade social.
Antes, mais que tudo e sempre, o nosso compromisso é o de contribuir com a formação de uma sociedade ética e humanista, onde cada um reconheça o seu papel e o cumpra com dignidade, como tão bem o cumpriu meu pai nos seus 83 anos, 3 meses e 2 dias de vida terrena. Assim, podemos manter acesa a esperança de um Brasil com menos desigualdades. Esta foi sempre a bandeira de Raymundo Mello. Esta é a minha bandeira!
Por estas e muitas razões eu continuo acreditando na importância e na força do jornal impresso e, sempre que oportuno, repito: Eu leio jornal!".
Pensei terminar o artigo com as palavras do Papa ao concluir a mensagem à qual me referi. Mas prefiro que os leitores busquem o texto e o leiam, independente de credo religioso. É um texto que fala de ética e de integridade.
Vou concluir homenageando pessoas de muito valor (e muitos valores): os meus irmãos da 'Fraternidade Santo Antônio (de São Cristóvão) da Ordem Franciscana Secular', que tenho a alegria de integrar. Faço-o nas pessoas de duas irmãs: 'Edelzita Cardoso', que me disse, há alguns dias, ser leitora assídua deste artigo semanal, e 'Cida Melo', que, diariamente, nos brinda com mensagens que nos fazem acreditar num mundo melhor, mais humano, mais fraterno, onde cada um cumpra com responsabilidade o seu dever, para consigo, os seus, a comunidade e a nação. Isto é, verdadeiramente, comunicação social!
Compartilho, para o enlevo espiritual dos caros leitores, a mensagem por ela postada hoje (segunda-feira, quando estou "fechando" o artigo): "Que a sabedoria de Deus nos instrua. Que os olhos de Deus nos vigiem. Que os ouvidos de Deus nos ouçam. Que a Palavra de Deus nos fale suavemente. Que as mãos de Deus nos defendam e nos protejam, livrando-nos de todo mal. Amém! Tenham um lindo dia!".
Que assim seja! 
* Raymundo Mello é Memorialista
raymundopmello@yahoo.com.br

* Raymundo Mello

(publicação de Raymundinho Mello, seu filho)

 

 Tenho insistido - ao falar e escrever -  no tema 'Cidadania'. Melhor: resgate  da Cidadania. Sim, resgate. O 'Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa' conceitua, entre outros significados, o ato de resgatar como "tirar do esquecimento; livrar da ruína; conseguir algo à custa de muito esforço, de sacrifício; voltar a ter; recuperar". São estes significados que evoco em relação ao tema.
Sou convicto que, antes de qualquer outra crise que se possa elencar - crise econômica, crise política, crise na saúde, crise na educação, crise na previdência, etc. -, é necessário que se compreenda que a raiz de todas elas está na 'crise de valores'. Valores morais, valores éticos, compromisso social.
Ouço, em todos os lugares por onde passo, pessoas reclamando de algo errado (ou tudo errado, talvez) no país. Mas, vá esmiuçar a vida dessas pessoas e não se encontrará comportamento ilibado.
"Não! Sou direito, pessoa de bem!", dizem muitos. Retruco: Você pode até ser correto, não duvido, mas, diga-me: faz aquela famosa "roubadinha" no trânsito? Desperdiça água? Joga papel e outras coisas nas ruas, fora do lixeiro? Mente? Conspira para ocupar a função do outro no seu trabalho? Enfim, tantas outras "coisinhas pequenas" ... que são erros. Podem até ser mais amenos, mas são erros. Ferem o conceito de Cidadania, que não inclui apenas ter direitos, mas 'ter deveres' também...Voltarei a este assunto oportunamente. Agora, faz-se mister admitirmos que a sociedade brasileira está gravemente doente, não apenas de saúde física e mental, cujos índices são alarmantes, mas adoecida no seu aspecto moral.
Não estou aqui defendendo os valores morais pertinentes a esta ou aquela ideologia religiosa, filosófica, política. Tenho os meus, como Cristão Católico Apostólico Romano que sou. Mas refiro-me aos valores pertinentes ao 'contrato social', às normas éticas de convivência, que bem permitem, independente de leis e punições, a harmonia entre os membros de uma dada sociedade.
Enquanto não conseguirmos resgatar tais valores nos indivíduos em si, afirmo com convicção que jamais conseguiremos tirar o Brasil de qualquer de suas crises. Apenas amenizar. Providências de impacto e resultados apenas aparentes.
Tudo como numa novela, tão mal feito quanto mal feitas são as novelas atualmente exibidas a título de 'entretenimento' para o povo brasileiro, que, anestesiado, não se dá conta do quanto trazem embutidas nas suas tramas o veneno fatal para os seus - já agonizantes - valores morais.
Assim vejo a nossa 'brasilidade' hoje. Sei que muitos hão de achar-me um pessimista, principalmente aqueles que se enfileiram nas correntes político-partidárias e seguem "cegos" atrás dos emergentes "salvadores da pátria". Que fazer? Estamos num estado que se diz democrático, então, respeito o direito de pensar de cada um. Mas tenho as minhas convicções.
E aplaudo e louvo toda e qualquer ação que se fundamente no respeito pelo bem comum e pelo bem querer (nem vou citar a palavra amor) à pátria.
Domingo passado, 13/05, celebrou-se o "Dia mundial das Comunicações". Numa bela mensagem para registrar a data, fundamentada no tema "A verdade vos tornará livres" (Jo 8,32), o Papa Francisco afirma que através dos meios de comunicação "o ser humano é capaz de narrar a sua própria experiência e o mundo, construindo assim a memória e a compreensão dos acontecimentos". Francisco adverte quanto aos perigos da comunicação baseada em falsas notícias e que promove a desunião, classificando tais empreendimentos como "mecanismos de desinformação".
Recomendo a leitura - na íntegra - da mensagem, escrita numa linguagem simples e acessível a todos, como o são os textos do Papa Francisco. Para os que lidam bem com a Informática, o texto pode ser encontrado no site da Santa Sé (w2.vatican.va). Para os que, compreensivelmente, não fazem uso da tecnologia, basta escrever-me (e-mail abaixo ou Caixa Postal 3001 - 49.015-250 - Aracaju-SE), e terei imensa alegria em disponibilizar o texto impresso. Repito: vale a pena ler!
Eu também comemorei a data com alegria, afinal, através deste artigo semanal e da participação em alguns programas de rádio, contribuo - humildemente - com a comunicação social. E primo por divulgar coisas boas, que edifiquem, que possam nutrir os nossos valores mais nobres.
Assim, trago para os amigos leitores um trecho do texto que publiquei na edição n.º 4186, de 27/06/2017, aqui no 'Jornal do Dia', artigo encimado pelo título "A força do jornal impresso". Assim escrevi:
"Acredito que o povo continua gostando de ler o jornal impresso, ao contrário da maliciosa falácia que querem impor-nos "goela-abaixo" de que o jornal já não atende às exigências de informação imediata que o tempo de hoje exige, com as modernas tecnologias que aí se apresentam. Mentira!
Não acredito na ideia de que as pessoas, atualmente, não gostam de ler, muito menos, de ler jornal. Ao contrário, tenho a convicção de que gostam sim, porém, gostam de ler textos com conteúdo cultural, com qualidade técnica e ética.
O advento da "era da informação" e o estupendo desenvolvimento da tecnologia nas últimas duas décadas, suscitou um espírito imediatista nas pessoas - cada dia mais exige-se o dado imediato, a chamada "informação em tempo real". São suficientes alguns minutos para que se possa estar "conectado com o mundo", tomando ciência de fatos acontecidos um minuto antes em qualquer lugar do planeta, o que desperta nas pessoas o falso sentimento de autocontrole da informação, mediado pelos meios virtuais.
Para muitos, isso parece ser tudo. Outros, entretanto, mais astutos, conseguem compreender que o "dado bruto", sem um tratamento analítico adequado, além de ser pouco significativo, abre espaço para especulações e "achismos", o que, gradativamente, vai empobrecendo culturalmente as pessoas.
Neste contexto, redefine-se o papel do texto impresso que assume a responsabilidade de proporcionar a reflexão dos fatos e dos dados, gerando, assim, uma informação consistente e coerente.
Este pensamento traduz a linha com que meu pai, o 'Memorialista Raymundo Mello', sempre conduziu este artigo semanal, que eu, com meus parcos recursos culturais, tento levar adiante: o compromisso de apresentar ao leitor um texto reflexivo, capaz de, a partir de histórias simples do dia-a-dia, cumprir a mais fundamental das tarefas de quem se propõe a escrever, a educativa.
Tenho-me esforçado para suprir a lacuna deixada pela ausência de meu pai, consciente, como já disse, de não ter "a leveza de sua pena", mas esperando levar um conteúdo culturalmente variado, sempre intercalado com trechos de seus escritos, e que possa despertar o interesse por leituras mais profundas sobre a realidade social.
Antes, mais que tudo e sempre, o nosso compromisso é o de contribuir com a formação de uma sociedade ética e humanista, onde cada um reconheça o seu papel e o cumpra com dignidade, como tão bem o cumpriu meu pai nos seus 83 anos, 3 meses e 2 dias de vida terrena. Assim, podemos manter acesa a esperança de um Brasil com menos desigualdades. Esta foi sempre a bandeira de Raymundo Mello. Esta é a minha bandeira!
Por estas e muitas razões eu continuo acreditando na importância e na força do jornal impresso e, sempre que oportuno, repito: Eu leio jornal!".
Pensei terminar o artigo com as palavras do Papa ao concluir a mensagem à qual me referi. Mas prefiro que os leitores busquem o texto e o leiam, independente de credo religioso. É um texto que fala de ética e de integridade.
Vou concluir homenageando pessoas de muito valor (e muitos valores): os meus irmãos da 'Fraternidade Santo Antônio (de São Cristóvão) da Ordem Franciscana Secular', que tenho a alegria de integrar. Faço-o nas pessoas de duas irmãs: 'Edelzita Cardoso', que me disse, há alguns dias, ser leitora assídua deste artigo semanal, e 'Cida Melo', que, diariamente, nos brinda com mensagens que nos fazem acreditar num mundo melhor, mais humano, mais fraterno, onde cada um cumpra com responsabilidade o seu dever, para consigo, os seus, a comunidade e a nação. Isto é, verdadeiramente, comunicação social!
Compartilho, para o enlevo espiritual dos caros leitores, a mensagem por ela postada hoje (segunda-feira, quando estou "fechando" o artigo): "Que a sabedoria de Deus nos instrua. Que os olhos de Deus nos vigiem. Que os ouvidos de Deus nos ouçam. Que a Palavra de Deus nos fale suavemente. Que as mãos de Deus nos defendam e nos protejam, livrando-nos de todo mal. Amém! Tenham um lindo dia!".
Que assim seja! 
* Raymundo Mello é Memorialistaraymundopmello@yahoo.com.br