Nem uma vírgula a mais

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
Espelho, espelho meu...
Espelho, espelho meu...

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 16/05/2018 às 05:06:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
As ironias da vida... O 
senhor Michel Te
mer, cultor de um português impecável, cheio de ênclises e mesóclises, tropeçou esta semana em uma simples vírgula. Ninguém esperava. O ato falho de um marqueteiro emporcalhou o único atributo impoluto do presidente.
Vamos e convenhamos, a nossa história recente foi redigida com um vocabulário jamais pronunciado no seio de uma boa família. Raciocínio falho, expresso em linguagem chula. Foi preciso o Congresso Nacional derrubar o governo eleito por um povo sem dentes para a última flor do Lácio exalar de novo um perfume aceitável no primeiro escalão da República.
Não é outra a razão do espanto. 14 milhões de desempregados ainda não acreditam. A terceira população carcerária do mundo, maioria de negros e pobres, presos provisórios, sem direito a julgamento, perdeu a última esperança. Neste momento, os acionistas da Petrobras se preparam para novas perdas. A vírgula comoveu analfabetos e letrados, alheia à luta de classes, repercutindo nos nervos de toda a brava gente.
A bem da verdade, a pontuação empregada em comunicado oficial estava rigorosamente correta. Mas o enunciado reclamava a supressão do tal sinal. "O Brasil voltou, 20 anos em 2", segundo o slogan adotado pelo Palácio do Planalto para celebrar os feitos da gestão Michel Temer. A tentação de uma leitura corrida, em concordância com a impressão das ruas, chegou às raias do intolerável. Sentença tão absurda foi demais para o lombo cansado da população.
Para todos os efeitos, Michel Temer é sim presidente. Apesar de todos os pesares e da indisposição declarada de pelo menos 70% da população. Presidente, lhe diz o espelho, todos os dias. Uma ilusão que já não tem a força de impor nem uma vírgula a mais.

As ironias da vida... O  senhor Michel Te mer, cultor de um português impecável, cheio de ênclises e mesóclises, tropeçou esta semana em uma simples vírgula. Ninguém esperava. O ato falho de um marqueteiro emporcalhou o único atributo impoluto do presidente.
Vamos e convenhamos, a nossa história recente foi redigida com um vocabulário jamais pronunciado no seio de uma boa família. Raciocínio falho, expresso em linguagem chula. Foi preciso o Congresso Nacional derrubar o governo eleito por um povo sem dentes para a última flor do Lácio exalar de novo um perfume aceitável no primeiro escalão da República.
Não é outra a razão do espanto. 14 milhões de desempregados ainda não acreditam. A terceira população carcerária do mundo, maioria de negros e pobres, presos provisórios, sem direito a julgamento, perdeu a última esperança. Neste momento, os acionistas da Petrobras se preparam para novas perdas. A vírgula comoveu analfabetos e letrados, alheia à luta de classes, repercutindo nos nervos de toda a brava gente.
A bem da verdade, a pontuação empregada em comunicado oficial estava rigorosamente correta. Mas o enunciado reclamava a supressão do tal sinal. "O Brasil voltou, 20 anos em 2", segundo o slogan adotado pelo Palácio do Planalto para celebrar os feitos da gestão Michel Temer. A tentação de uma leitura corrida, em concordância com a impressão das ruas, chegou às raias do intolerável. Sentença tão absurda foi demais para o lombo cansado da população.
Para todos os efeitos, Michel Temer é sim presidente. Apesar de todos os pesares e da indisposição declarada de pelo menos 70% da população. Presidente, lhe diz o espelho, todos os dias. Uma ilusão que já não tem a força de impor nem uma vírgula a mais.