VERGONHA NA CARA, MAGNÍFICO

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Publicada em 20/05/2018 às 13:50:00

 

Entre o substantivo prostituta e o verbo pronominal prostituir, há um extenso espaço para a semântica,mais ainda para  análises fundamentadas em conceitos,  sobretudo em valores.
Prostituta, é substantivo que assim deve permanecer,sem virar adjetivo para depreciar,  ofender, muito menos criminalizar. A mulher ou o homem que vendem sexo, exercem uma forma de trabalho. Poderá ser constrangedora essa afirmação, mas, não se faz venda sem que existam compradores. Assim, a profissão se legitima, e como tal é reconhecida, protegida e amparada. Isso, para que se estabeleçam laços de identidade com a visão humanista, construída ao longo do processo civilizatório. De tudo o que é humano, não nos cabe ser indiferentes.
Já o verbo pronominal prostituir, é, será sempre, sinônimo perfeito de degenerescência, aviltamento, perda de parâmetros morais, indiferença a valores, desprezo a sentimentos de honra, omissão à dignidade de cargos e instituições, omissão em face do que é indigno.
É triste constatar que um templo do saber, a Universidade, espaço sagrado para o cultivo da ética, o respeito à diversidade, a reverência à sua História,  venha  a ser deploravelmente prostituído.
É, mais triste ainda, constatar que isso aconteceu aqui, entre nós, na nossa Universidade Federal, a UFS, e exatamente no instante em que são comemorados os seus 50 anos.
Pior, muito pior ainda, admitir que partiu do reitor Antonioli a repugnante ação de sabujismo explicito,  prostituindo tudo aquilo que está implícito no venerado título de Magnifico Reitor, manchando com o próbio e vergonha o seu reitorado, até pouco tempo visto como transformador e profícuo.
O Reitor pode, evidentemente, ter a opção política que preferir, pensar livremente, expressar como pessoa, todas as suas simpatias, o que ele não pode, é atrelar a Universidade, a interesses pessoais, mesmo que o faça aparentando agir em defesa da instituição.
Por tijolo e cimento armado não se troca a honra, a dignidade de uma instituição.
O senhor Antonioli figurou, na condição de Reitor, em um vídeo insensato, abusivamente amarrado aos interesses políticos do deputado André Moura.  Ele é uma espécie de pretenso donatário da Capitania em que Michel Temer tenta transformar Sergipe.  Usa o prestigio político na camarilha que controla o poder, para dobrar e corromper consciências, num processo repulsivamente antirrepublicano de uso dos cofres públicos, e vai fortalecendo  projetos políticos pessoais.
O senhor Antonioli ofendeu a maioria do corpo docente e discente, transformou em objeto de compra e venda uma Casa do Saber.
Nessas comemorações dos cinquenta anos, houve um mérito: lembraram, finalmente,  de Dom Luciano Duarte, Arcebispo Emérito de Aracaju, que está vivo, e doente . Sem ele, sem Lourival Baptista, sem Celso Carvalho, sem Aloísio de Campos, e tantos outros, professores, intelectuais; sem o governo Luiz Garcia, e seu irmão Antônio Garcia lançando as sementes, a Universidade não teria nascido. Um detalhe apenas: Lourival, saindo do governo, tornou-se candidato ao Senado. O médico João Cardoso Nascimento foi o primeiro Reitor da UFS.  Seu nome fora levado por Lourival ao general presidente Castelo Branco, que, antes, assinara o decreto criando a UFS, e ele o nomeou. Durante a campanha, Lourival não pediu ao reitor para exaltar suas qualidades; se pedisse, João Cardoso não se prestaria a esse papel. E eram colegas médicos e velhos amigos. Outro detalhe: João Cardoso ,em plena efervescência repressora do regime militar, negou-se a afastar da UFS, estudantes perseguidos, acusados de subversão, ou seja, o crime de pensar.
Vivemos tempos indigentes, onde a mediocridade e a pura velhacaria se deram as mãos, nesse espaço imenso, em que desapareceram valores, e teria naufragado a Nação, se não nos  restassem as esperanças na Justiça. Vemos aqui, em Sergipe, parcelas da elite fazendo reverências ao ¨Mecenas¨ saído do regaço de Eduardo Cunha, e elevado a um cargo inexistente, que, esperto, soube transformar em trampolim eleitoral. Sob os olhares cúmplices de um presidente desonrado, André pavimenta, com argamassa dourada,  um caminho para o Senado.
Perguntaram, um dia, ao arguto e sábio sergipano Gilberto Amado, em que tempo histórico ele desejaria ter nascido, e Gilberto respondeu, com um riso de vaidade que misturava à ironia: ¨Em um tempo de decadência¨.
O escritor, jornalista, político, embaixador, polemista, membro da ABL, atribuía a si mesmo a condição de gênio, e numa era de decadência ele se imaginaria desempenhando o papel de um Petrarca, um Dante, um Cervantes, que anunciaram as luzes da Renascença.
Por aqui, nesse nosso clima brasileiro de decadência moral, prosperam os cínicos, e, o que é muito pior, os cínicos atrevidos, e os sabujos que lhes lambem os pés. 
Se o senhor Antonioli se mantivesse à altura do cargo que ocupa, ele teria formalmente,  e através de um ofício,  expressado  agradecimentos da nobre instituição  ao deputado André Moura pelo dinheiro que ele teria conseguido liberar, e que resultou na construção de alguns prédios. Outros senadores, outros deputados, já tiveram antes bons serviços prestados à UFS, e não imaginariam, por compreender o papel de uma universidade, que o Reitor baixasse, da magnificência do cargo que ocupa, para a insignificância do papel de  cabo eleitoral. 
A UFS não deve sobreviver à custa de lamber sapatos que costumam pisar onde não devem, e cuidando para disfarçar os rastros.

Entre o substantivo prostituta e o verbo pronominal prostituir, há um extenso espaço para a semântica,mais ainda para  análises fundamentadas em conceitos,  sobretudo em valores.
Prostituta, é substantivo que assim deve permanecer,sem virar adjetivo para depreciar,  ofender, muito menos criminalizar. A mulher ou o homem que vendem sexo, exercem uma forma de trabalho. Poderá ser constrangedora essa afirmação, mas, não se faz venda sem que existam compradores. Assim, a profissão se legitima, e como tal é reconhecida, protegida e amparada. Isso, para que se estabeleçam laços de identidade com a visão humanista, construída ao longo do processo civilizatório. De tudo o que é humano, não nos cabe ser indiferentes.
Já o verbo pronominal prostituir, é, será sempre, sinônimo perfeito de degenerescência, aviltamento, perda de parâmetros morais, indiferença a valores, desprezo a sentimentos de honra, omissão à dignidade de cargos e instituições, omissão em face do que é indigno.
É triste constatar que um templo do saber, a Universidade, espaço sagrado para o cultivo da ética, o respeito à diversidade, a reverência à sua História,  venha  a ser deploravelmente prostituído.
É, mais triste ainda, constatar que isso aconteceu aqui, entre nós, na nossa Universidade Federal, a UFS, e exatamente no instante em que são comemorados os seus 50 anos.
Pior, muito pior ainda, admitir que partiu do reitor Antonioli a repugnante ação de sabujismo explicito,  prostituindo tudo aquilo que está implícito no venerado título de Magnifico Reitor, manchando com o próbio e vergonha o seu reitorado, até pouco tempo visto como transformador e profícuo.
O Reitor pode, evidentemente, ter a opção política que preferir, pensar livremente, expressar como pessoa, todas as suas simpatias, o que ele não pode, é atrelar a Universidade, a interesses pessoais, mesmo que o faça aparentando agir em defesa da instituição.
Por tijolo e cimento armado não se troca a honra, a dignidade de uma instituição.
O senhor Antonioli figurou, na condição de Reitor, em um vídeo insensato, abusivamente amarrado aos interesses políticos do deputado André Moura.  Ele é uma espécie de pretenso donatário da Capitania em que Michel Temer tenta transformar Sergipe.  Usa o prestigio político na camarilha que controla o poder, para dobrar e corromper consciências, num processo repulsivamente antirrepublicano de uso dos cofres públicos, e vai fortalecendo  projetos políticos pessoais.
O senhor Antonioli ofendeu a maioria do corpo docente e discente, transformou em objeto de compra e venda uma Casa do Saber.
Nessas comemorações dos cinquenta anos, houve um mérito: lembraram, finalmente,  de Dom Luciano Duarte, Arcebispo Emérito de Aracaju, que está vivo, e doente . Sem ele, sem Lourival Baptista, sem Celso Carvalho, sem Aloísio de Campos, e tantos outros, professores, intelectuais; sem o governo Luiz Garcia, e seu irmão Antônio Garcia lançando as sementes, a Universidade não teria nascido. Um detalhe apenas: Lourival, saindo do governo, tornou-se candidato ao Senado. O médico João Cardoso Nascimento foi o primeiro Reitor da UFS.  Seu nome fora levado por Lourival ao general presidente Castelo Branco, que, antes, assinara o decreto criando a UFS, e ele o nomeou. Durante a campanha, Lourival não pediu ao reitor para exaltar suas qualidades; se pedisse, João Cardoso não se prestaria a esse papel. E eram colegas médicos e velhos amigos. Outro detalhe: João Cardoso ,em plena efervescência repressora do regime militar, negou-se a afastar da UFS, estudantes perseguidos, acusados de subversão, ou seja, o crime de pensar.
Vivemos tempos indigentes, onde a mediocridade e a pura velhacaria se deram as mãos, nesse espaço imenso, em que desapareceram valores, e teria naufragado a Nação, se não nos  restassem as esperanças na Justiça. Vemos aqui, em Sergipe, parcelas da elite fazendo reverências ao ¨Mecenas¨ saído do regaço de Eduardo Cunha, e elevado a um cargo inexistente, que, esperto, soube transformar em trampolim eleitoral. Sob os olhares cúmplices de um presidente desonrado, André pavimenta, com argamassa dourada,  um caminho para o Senado.
Perguntaram, um dia, ao arguto e sábio sergipano Gilberto Amado, em que tempo histórico ele desejaria ter nascido, e Gilberto respondeu, com um riso de vaidade que misturava à ironia: ¨Em um tempo de decadência¨.
O escritor, jornalista, político, embaixador, polemista, membro da ABL, atribuía a si mesmo a condição de gênio, e numa era de decadência ele se imaginaria desempenhando o papel de um Petrarca, um Dante, um Cervantes, que anunciaram as luzes da Renascença.
Por aqui, nesse nosso clima brasileiro de decadência moral, prosperam os cínicos, e, o que é muito pior, os cínicos atrevidos, e os sabujos que lhes lambem os pés. 
Se o senhor Antonioli se mantivesse à altura do cargo que ocupa, ele teria formalmente,  e através de um ofício,  expressado  agradecimentos da nobre instituição  ao deputado André Moura pelo dinheiro que ele teria conseguido liberar, e que resultou na construção de alguns prédios. Outros senadores, outros deputados, já tiveram antes bons serviços prestados à UFS, e não imaginariam, por compreender o papel de uma universidade, que o Reitor baixasse, da magnificência do cargo que ocupa, para a insignificância do papel de  cabo eleitoral. A UFS não deve sobreviver à custa de lamber sapatos que costumam pisar onde não devem, e cuidando para disfarçar os rastros.

TRUMP VENDIDO AO RIFLE LAMENTANDO AS MORTES

Donald Trump chegou ao poder, primeiro, porque tinha popularidade como apresentador de programas na TV, segundo, porque é rico , e de resto se fez o porta-voz do atraso . Sua bolsa eleitoral foi recheada com dinheiro, partido dos setores da economia americana, que envelheceram, como as Siderúrgicas, a mineração de carvão, as petroleiras, a indústria armamentista, protegida pela poderosa National Rifle Association. Tudo isso junto, e mais o sentimento de desagrado com o próprio país, expresso por larga margem da população americana, que odeia imigrantes, tem nojo de negros, e enxerga em tudo uma conspiração externa contra os Estados Unidos e se aglomeram em guetos radicalizados, esse conteúdo explosivo, fez surgir Donald Trump, que é, ele próprio, adepto de uma volta ao passado. Mas a democracia e as instituições americanas funcionam, apesar de tudo da ojeriza da maior parte da opinião publica a Trump (ele foi derrotado no voto popular e direto) o presidente é poderoso e pode fazer desatinos como a saída do acordo com o Iran, a  retirada do Acordo do Clima, a loucura da transferência da Embaixada Americana para Jerusalem, sob a condenação mundial, exceto, até agora, da Guatemala, e, evidentemente do próprio governo de Israel. As chacinas se repetem nas escolas, cresce a onda contra a libertinagem o uso de armas, e Trump quer armar professores para que se defendam de alunos tresloucados com ânsias de matar e morrer, uma das patologias, entre tantas outras graves, que afetam a sociedade americana.  Por aqui, teremos de refletir muito sobre o desastre global que Trump vai provocando, para que não repitamos os erros dos que o elegeram acreditando em promessas salvadoras e soluções extremadas.

O ASSASSINATO DO CAPITÃO E A RESPOSTA AOS BANDIDOS

Foi ousada e desafiadora a ação dos bandidos que assassinaram o capitão Manoel Oliveira, que comandava  com êxito o Batalhão da Caatinga, uma referencia de policia eficiente. A forma da execução apontava ao endereço de gente ultra-perigosa. Nessa linha a policia sergipana começou a investigar. Se fez uso intenso da inteligência.  Verificou-se que antes, houve por parte dos criminosos, um acompanhamento próximo dos movimentos do capitão, dai a emboscada no dia e na hora em que ele costumava deslocar-se para Porto da Folha, saindo da sua base em Monte Alegre. A sede do Batalhão fica num povoado, onde há locais de comércio à beira da estrada Rota do Sertão, e muitos bares e biroscas. A polícia levantou as ligações telefônicas dali feitas, percorrendo minuciosamente o espaço de mais de um mês de chamadas, e assim foi descobrindo a conexão baiana, isso explica os confrontos e as mortes de bandidos em Paulo Afonso, Barreiras e Luiz Eduardo Magalhães, e Jeremoabo. A Policia sergipana agiu de forma competente, e sobretudo silenciosa, o que  por si só, nesses casos já demonstra competência. O governador Belivaldo nada falou sobre o assunto além da entrevista inicial após o crime, em que assegurou que os matadores seriam encontrados, mas ao Secretario João Eloi, ao coronel Marconi, comandante da Policia, transmitiu a orientação que deveria ser levada aos comandados: ¨Não deixem que os bandidos, se estiverem armados,  atirem primeiro ¨.

 

Agora é elucidar tudo completamente, e identificar outros mandantes e comparsas.

 

 

A superintendente, delegada Katarina, deu, com inteligência e sutileza, o nome de Rubicão à operação policial.  Rubicão, é rio que delimitava os limites do império romano comas Gálias, inconquistadas, e ao transpô-lo, Júlio Cezar disse a frase famosa: Álea Jacta Est, (a sorte está lançada). Uma metáfora para a superação de algumas amarras? Os resultados alcançados demonstram que em Sergipe criminosos ousados já sabem como serão tratados.

CHAMEM JOÃO SANTANA, URGENTE

Apesar da tragédia que vive o país, o presunçoso, arrogante, vaidoso, e retrógrado Michel, entendeu que deveria comemorar os dois anos em que conspurca o mais alto cargo do país. Sem demonstrar constrangimentos pela vergonhosa situação em que se encontra, resolveu exaltar o seu reinado. As peças publicitárias que surgiram nas televisões, completaram o desastre de uma semana em que novas e agora irrespondíveis acusações chovem sobre o presidente acuado, desmoralizado, e que não mais governa, apenas, tenta salvar a própria pele, e a dos seus parceiros na organização criminosa. As peças publicitárias são simplesmente grotescas, e de tal forma, que parecem mais um programa de humor mal feito. Os personagens se tornam ridículos, a começar pelo presidente, que dialoga com uma jovem, querendo transmitir uma ideia de modernidade, é algo assemelhado aqueles dramalhões mexicanos de cinquenta anos atrás. Temer e seu grupelho estão a quilômetros de distancia da realidade brasileira. 

 

A camarilha palaciana poderia ter convidado o ex-marqueteiro do PT João Santana, aquele, é comprovadamente inteligente. Fez a inepta, e embasbacada Dilma aparecer como administradora eficiente, construindo com requintes de dissimulação um estado de coisas absolutamente  irreal. João Santana seria capaz de distanciar Temer, da realidade revelada agora dos dezessete milhões de desempregados, da economia que estagnou, do botijão de gás que chega aos 80 reais, da gasolina que em alguns locais já ultrapassou a barreira dos cinco reais, e do dólar que está chegando perto, isso, num país  quebrado, e onde devastaram cofres para garantir a permanência do figurante no Planalto como um mandatário que já não manda em mais nada, tal a desmoralização a que levou o mais alto cargo da República. Depois de tanto falarem em controle de gastos, secaram os cofres, e o orçamento do próximo ano indica que não haverá um tostão que seja, para investimentos. 

 

 

Temer merece o marqueteiro que tem pífio, à altura do seu governo, e chama-se Mouco.

A ELEIÇÃO ESTRANHA E OS VOTOS CRUZADOS

Essa eleição de outubro nos trará imensas surpresas, que aliás começarão a acontecer já nos próximos dias. Candidatos com o machado da Justiça sobre a cabeça sentirão a degola. Por outro lado, diante de uma perspectiva de abstenção e votos nulos que se aproxima dos sessenta por cento ,a tendência é que se agravem os sintomas de instabilidades em cada grupo, com intensidade maior,  naqueles onde está um maior numero de candidatos incluídos na lista suja. Por outro lado, os aplicativos que revelam a situação de cada candidato em relação à Justiça, causará enorme efeito, cujas consequências não podem no momento ser precisamente avaliadas. Que, para a disputa majoritária do Senado haverá uma chusma de votos cruzados, disso, ninguém duvida. Já disse o ex-prefeito de Socorro e candidato a deputado federal Fábio Henrique, que vota em Belivaldo para governador e em Jackson Barreto e André  Moura para o Senado. Já o deputado estadual Gustinho Ribeiro, candidato agora a federal, vai votar na oposição, em Amorim para o governo, e para o Senado em André Moura e Rogerio. Já o Prefeito de Socorro, Padre Inaldo, anunciou que vota em Belivaldo, e nos candidatos ao Senado, Jackson Barreto e André Moura.

 

 

Uma coisa já se desenha: Heleno, enganou-se ao insistir no Senado. Está sobrando em quase todos os cruzamentos. Mas Valadares, sendo candidato, poderá surpreender.

A MADRUGADA DOS VELHOS REMADORES NO SUJO POXIM

As 4h30 da madrugada, nos manguezais que se alinham com o rio Poxim, as saracuras começam a cantar. Nesta estação que 

chamamos de inverno, a claridade só se faz completa depois das cinco, e por aí, as saracuras vão parando a cantoria, que lhes dá um outro nome onomatopaico: ¨três potes, três, potes, três potes.¨ E concluem resmungantes: ¨um côco, um côco, um côco¨. Os velhos remadores vão chegando, os jovens também: Renivaldo Benigno , Djalma Costa, Irineu e Daniel Sandrini, Eurípedes Menezes, o professor Igor.  O mais velhoi niciou-se no remo numa guarnição de 4 com patrão.  Álvaro Bezerra, o timoneiro (patrão ) era o ¨velho¨ já andava pela casa dos quarenta.  Madrugava no Cotinguiba, e,  paciente, ficava a esperar os meninos, retardatários, sempre. Álvaro e dona Juju, o casal que deu ao mundo Tamar, Tâmara, Thais, Tanit.

 

 Naquele tempo, virada  dos 50 para os 60, o remo já começava a definhar, depois de uma época de muita evidência. A vela, ganhava espaço com o surgimento do Iate Clube de Aracaju.

Velejadores, que também construíram o Iate, como Alcebíades Vilas Boas, Murilo Dantas, Valmir Almeida, Mário Andrade, os irmãos Morais, Eduardo Neguinho, Álvaro Bezerra, também marceneiro naval, que  fez a maior parte da flotilha iateana, Valtinho Rezende, Valtinho Mesquita, fizeram surgir uma série numerosa   de  outros bons velejadores.

 

São outros os tempos, remar e velejar, por aqui, parece volta ao passado. Lanchas e jet-skis, aparecem dominadores, e ofensivos.

 

Na Marina um tanto deteriorada do Parque governador Valadares, o esporte do remo sobrevive,  graças à dedicação de gente como  Geraldo Porto, dirigente da federação, do professor de Educação Física Renivaldo Benigno, de um  remador, Igor, que difunde o esporte, ensina a remar, e  faz proezas num caiaque,  preparando-se para a aventura,  Aracaju-Florianópolis, em etapas, e nisso consumirá uns 2 anos, desde que tenha patrocínios. 

 

Dia claro, jornada encerrada para aqueles da canoa havaiana, chegam outros. Remam stand-ups, skiffs, caiaques. Um jovem professor, Thiago Paulino, planeja trazer crianças de uma escola para terem contato com o parque, o rio, os barcos, alias poucos. Tiago é filho do iluminado professor Paulino,s obrinho de outro Paulino, Matias, marido de Liginha Maynard, que se juntaram num pacto de amor, e de sentimentos para  fazer o bem. 

 

Um calejado remador já pela casa dos cinquenta, Chico Oliva, aparece, e vai reclamando da sujeira nas águas onde desliza, no seu single esguio, onde o entrar e sair exige bom treinamento. Chico, filho do jornalista decano João Oliva, escritor prolífico e acadêmico, precisa sugerir ao pai que faça uma crônica sobre o apodrecimento de um rio.

 

Os remadores da canoa havaiana costumam descer o Poxim, cruzando a foz e percorrendo um trecho do Sergipe, onde esperam o nascer do sol. Fazem suas meditações, ou preces, e retornam com os raios já clareando a cidade, onde as luzes começam a apagar. Passam bandos de aves, as ararinhas, numa alacridade festiva de quem se liberta da noite. Pelo Poxim, ainda penetram cardumes de botos, fazendo o desjejum engolindo tainhas velozes, que rebrilham quando saltam, esbatendo  suas escamas prateadas contra a primeira claridade do dia. Nas águas do Sergipe, junto ao cais de pedras da Coroa do Meio as tartarugas põem as cabeças de fora,  parecem curiosas, espreitando as redondezas. 

 

Aquela parte final do Poxim, margeando a linha  dos mais caros prédios da cidade, é também a mais fedorenta.  O que deve correr para dentro do rio, são esgotos classe A.

 

A maré estava alta, e os remadores resolveram mudar o trajeto. Subiram o rio, cruzaram as pontes da Atalaia logo perto, adiante, mais duas recentemente inauguradas, nos trechos de novas avenidas.  Depois da orla do Sol Nascente, vão surgindo casas, algumas de boa qualidade, todas, coladas ao rio. Teríamos uma réplica em escala pobre e miúda de uma Veneza tropical, não fosse o desmazelo existente, esgotos e lixo jogados ao rio. Em seguida, começam as favelas, o Poxim se vai estreitando, nas águas, quase um caldo escuro,  boiam plásticos de toda espécie, lixo variado, até um sofá esfarelado, desce lentamente.  Dois pescadores jogam suas tarrafas de cima de canoas escuras, lodosas, como as águas onde flutuam.

 

O rio é uma imensa lixeira, a prova mais contundente Da nossa incivilidade.

 

Lamentar, todos lamentam, criticam, também, mas o essencial é  buscar soluções. Limpar aquele rio, limpar os outros, tornar Sergipe o primeiro estado brasileiro a ter águas limpas, seria a grande meta.

 

 

Um representante do Instituto Vida Ativa, que produz árvores para espalhar o verde, segurar a emissão de carbono, e retardar o aquecimento global,s ugeriu ao Prefeito da Barra, Airton Martins, que, além de plantar mudas nesse inverno,  desse um passo ecológico maior, e começasse um programa de recolhimento de lixo, ao longo do rio Sergipe, no trecho que confronta com o município, e também no Pomonga, colocando canoas para o recolhimento. Airton ficou de analisar a ideia. Seria ainda um paliativo, a coisa é mais grave. Requer desassoreamento, esgotos tratados, redes pluviais sem mistura de esgotos, nem despejando lixo urbano. Requer, sobretudo, educação, consciência ambiental, e isso exige também muito trabalho,  e tempo.

MACHADO, CONSTRUTOR DE PREDIOS E EXEMPLOS

João Machado Rolemberg era um jovem engenheiro quando Luiz Garcia o convidou a ocupar a Secretaria da Fazenda. Queria um fisco que arrecadasse, sem subserviência a interesses de chefes políticos.   Por isso e outras medidas, na época inovadoras, Garcia perdeu a eleição para o Senado. Machado, junto com um  outro engenheiro, Jose Garcia, participou do projeto de construção do Hotel Palace, uma ousadia imensa para a época. Agora, quando se faz a interdição do edifício que foi abandonado, Machado divulgou concisa nota técnica, explicando que a construção não corre risco de desmoronar, porque foi construída obedecendo a rigorosos critérios técnicos.

 

 

Machado, agora aos 90 anos permanece lúcido e participante, administrando uma propriedade rural, herança paterna. Nos dias tensos que antecederam a edição do Ato Institucional nº 5, um absurdo autoritário, chegou à Câmara uma intimação das forças armadas para que fosse cassado ojovem deputado carioca Márcio Moreira Alves. Ele fizera, antes do 7 de setembro um discurso que os  militares consideraram ofensivo. Era apenas uma bobagem dita para um plenário vazio. Na Câmara, parlamentares dignos, ( na época havia muitos) reagiram, e mantiveram intacto o mandato de Marcito. João Machado, um político conservador, sem ligações com a esquerda, entendeu que cassar era uma prerrogativa da Câmara, que teria de manter a sua independência, e votou contra. No ano seguinte seu nome constava na lista dos punidos por ¨subversão e corrupção¨. Perdeu o mandato, mas, outra vez pelo voto livre, voltou à Câmara dos Deputados. Nomes assim engrandecem a vida pública, honram a política.

FESTA SIMPLES PARA A CUMBUCA APRONTADA

Houve uma festa, centrada apenas nos bons augúrios de pessoas que se reuniram na SEGRASE dando boas vindas a mais uma primorosa edição da revista Cumbuca. 

 

A partir dessa edição a revista passará circular de forma mais abrangente pelo país.

 

Com a CUMBUCA a Segrase atinge um elevado nível de capacidade gráfica, que é revelada na impressão primorosa da revista. Presentes ao ato o Secretario da Cultura João Gama, o conselheiro e acadêmico Carlos Pina, os acadêmicos, Jorge Carvalho, ex-Secretário da Educação, a escritora Ana Medina, o poeta Amaral  Cavalcanti, e a diretoria da Segrase, o presidente Ricardo Roriz, e os diretores Milton Alves e Filadelfo Alexandre. A revista foi ideia do ex-dirigente da Segrase Jorge Carvalho. Ele reuniu-se com intelectuais, entre eles Amaral Cavalcanti, que sugeriu um roteiro e logo tornou-se editor da publicação. O nome da revista foi dado pelo publicitário Hélvio Dória Maciel, já falecido. Ele, junto com os jovens empresários e publicitários como ele, Antônio Rolemberg e Jorge, foram os fundadores da agencia Conceito.

 

 

Déda deu apoio e Jackson assinou decreto criando a revista.

A INTERVENÇÃO QUE NÃO VAI DAR CERTO

É pena, será mais uma desgraça a se acrescentar ao drama do Rio de Janeiro, e uma desilusão a mais para os brasileiros tão descrentes, mas a intervenção militar não está dando certo, e dificilmente conseguirá resultados concretos este ano. Erraram os militares ,quando aceitaram um desafio que Temer lhes lançou, agindo com o oportunismo irresponsável de quem imaginava, apenas, reduzir a sua impopularidade, e viabilizar a sonhada reeleição. Faz tempo que esqueceram, por puro preconceito ou incompetência mesmo, de assegurar o fortalecimento das Forças Armadas. Temos gigantescos espaços fronteiriços a vigiar, nos mares, em terra, e no espaço aéreo. Faltam-nos os meios. A modernização das forças armadas sempre esbarra em algum empecilho. O submarino nuclear, uma estratégica projeção de poder para um país com o peso do Brasil, se arrasta. Depois, marinha, exercito e aeronáutica não foram feitos para caçar bandidos em áreas urbanas, mas, podem dar uma forte e decisiva contribuição agindo indiretamente.

 

É decepcionante constatar que as forças armadas poderão sair enfraquecidas dessa aventura desastrada, que foi a intervenção no Rio, imposta por Temer, para salvar a própria pele. Naquele momento, diante das circunstancias, e depois de Temer anunciar a salvação rápida que viria com o emprego das forças armadas, se os seus comandantes demonstrassem que a participação das forças, daquela forma açodada seria ineficaz, ficariam, sem duvidas, expostos à condenação popular, seriam chamados de covardes.

 

 

È preciso agora imaginar uma retirada honrosa, e ela assim seria feita, se revelada a trama política que motivou a intervenção meia sola, deixando o foco da degeneração fluminense intacto, nos palácios onde ainda se encontra.

DO ANALFABETISMO À PROTEÇÃO DA VELHICE

Na década de vinte o analfabetismo em Sergipe ultrapassava a casa dos 70%. Era uma calamidade e uma vergonha, que permaneciam, diante da indiferença da sociedade. Naquele tempo a Loja Simbólica Cotinguiba, criou a Liga Sergipana Contra o Analfabetismo, e a iniciativa gerou bons resultados, os índices deprimentes diminuíram. Tempos depois, diante do abandono em que viviam idosos pobres e desamparados, transformados em mendigos nas ruas de Aracaju, a Cotinguiba outra vez teve uma iniciativa social meritória. Criou o Asilo que se chamava de mendicidade Rio Branco. A instituição venceu o tempo e as dificuldades, e persiste firme, até hoje, mas, chama-se apenas Asilo Rio Branco. Não tem sido fácil mantê-lo, todavia o desafio vem sendo vencido por sucessivos bons administradores, e o apoio da sociedade. A obra do Asilo Rio Branco merece ser conhecida melhor pelos sergipanos, precisa, também, receber mais apoio dos que se dispõem a participar de ações filantrópicas.

 

 

À frente do Asilo, o empresário Orlando Carvalho Mendonça.  Pela sua dedicação e competência gerencial, assegura o bom funcionamento da instituição, que é, também, por ele mantida como um exemplo de casa para o convívio de idosos.