Renovação da política

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 26/05/2018 às 06:40:00

 

* Manoel Moacir Costa Macêdo
Tempo de eleição. Corrupção na política. Poderes em descrença. Lideranças encarceradas. Partidos políticos desacreditados. A democracia representativa em desconfiança. Governantes sob suspeições. Saudosistas vomitam soluções fáceis para problemas complexos. Gerações contemporâneas viciadas nas mídias, inquietas por privilégios e consumo. Manifestações esquecidas do "tempo de chumbo" e do conservadorismo nos costumes. Extratos urbanos de classe média berram por mudanças, que parecem retrocessos. Predadores em formas renovadas de patrimonialismo. 
Nessa atmosfera, recrudesce o ódio, a intolerância, e a desconfiança nos valores universais da democracia. A guerra fria revistada em novos contextos A brutalidade em perigosas e desbotadas roupagens. Complexidade jamais experimentada na história contemporânea pátria. Contingências acolhedoras dos salvadores da pátria, donos absolutos da verdade. Experientes de realidades repetidas de um passado polarizado, que não existe mais. Reaparecem com vigor os descrentes na política como o modo civilizado de convivência social, de superar dificuldades, de gerenciar conflitos, de propor soluções para os problemas do viver, e pensar o futuro. Escarram retrocessos de mudança social numa economia internacional do trabalho globalizada e iluminada pela ciência, tecnologia e inovação. 
Algozes do apocalipse. Apologistas do fracasso procuram ouvidos reacionários. Caudilhos reproduzidos pela desigualdade, desprovidos de esperanças e descrentes nas simetrias sociais. Vozes do atraso, alimentadas pelo persistente patrimonialismo, limitadas aos arranjos conservadores e clientelistas da velha política. Modos arcaicos de reprodução do poder, da pobreza, da miséria, da corrupção e da persistente desigualdade. Uma desgraça contínua e anunciada. Diagnóstico pronto e acabado de uma quadra social e política ímpar em nossa história. 
Não é incomum, perceber a fúria contida nas expressões: "não tem saída e volta à ditadura militar". Calar as vozes populares, criminalizar os movimentos sociais, suspender o direito de votar e ser votado, castrar as manifestações e protestos, entre outras impropriedades descabidas para um tempo iluminista e renascentista. Manifestações raivosas de vingança, ao invés de justiça e prudência. Rejeição da política como o modo de pautar as relações sociais, dos consentidos avanços e ganhos políticos e sociais. E agora? O senso comum profetiza: "renovação na política ou renovação da política?". Não significa uma simples troca de preposições numa frase gramatical feita por encomenda, mas uma escolha diferenciada e prenhe de caminhos, estratégias e rupturas. Uma profunda transformação no modo de fazer política. Partidos, candidatos, eleitores, apoiadores, justiça, todos, em novos rumos e novas demandas. Um cenário onde a ética, a história, a competência e o exemplo substituam os aproveitadores da política, os militantes de ocasião, a captura das estruturas estatais, a morosidade judicial, e os mofentos e desacreditados regulamentos eleitorais. 
A simplificação das respostas, pode induzir ao erro, em face da complexidade da mudança. Renovação na política, indica uma simples substituição de atores no processo eleitoral. Velho por novo, mulher por homem, branco por negro, caudilho por subalterno, vermelho por amarelo, enfim um verniz artificial, aparente e farsante de renovação. Não é isso. Mas sim, novos princípios e métodos políticos, com transformações radicais, que a sociedade roga e espera. A renovação da política, quer dizer, a ruptura do paradigma normal e em uso. Acolhimento de homens e mulheres livres e de bons costumes, como candidatos e candidatas aos poderes, no largo ambiente da Federação, e na direção dos legítimos anseios sociais. Partidos políticos fortes com acreditados programas. Eleições livres de suspeitos, delatados, e grupos de interesses. Voto espontâneo. Fiscalização e justiça eleitoral repressivas e céleres. Pode parecer impossível, mas não é. Toda caminhada, parte do primeiro passo.
A renovação da política é um fenômeno mundial, independente de matizes ideológicas, perspectivas partidárias, desejos individuais e corporativos. As eleições do Presidente dos Estados Unidos, do Presidente da França, da Prefeita de Roma, do Prefeito de Belo Horizonte e de São Paulo, são narrativas de renovação da política. Incertezas, crises, dúvidas e protestos haverão de dificultar a inexorável mudança de paradigma. Erros, críticas, avanços e recuos advirão num tempo que seja breve. Não foi testado, um regime de governo com tantos defeitos, mas com valorosas, únicas e altruístas virtudes como a democracia. Nada substitui a liberdade de escolher os nossos representantes para administrar os destinos e os quereres da polis. Sonhar, lutar e arriscar; é melhor que errar, recuar ou desistir.
* Manoel Moacir Costa Macêdo, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra.

* Manoel Moacir Costa Macêdo


Tempo de eleição. Corrupção na política. Poderes em descrença. Lideranças encarceradas. Partidos políticos desacreditados. A democracia representativa em desconfiança. Governantes sob suspeições. Saudosistas vomitam soluções fáceis para problemas complexos. Gerações contemporâneas viciadas nas mídias, inquietas por privilégios e consumo. Manifestações esquecidas do "tempo de chumbo" e do conservadorismo nos costumes. Extratos urbanos de classe média berram por mudanças, que parecem retrocessos. Predadores em formas renovadas de patrimonialismo. 
Nessa atmosfera, recrudesce o ódio, a intolerância, e a desconfiança nos valores universais da democracia. A guerra fria revistada em novos contextos A brutalidade em perigosas e desbotadas roupagens. Complexidade jamais experimentada na história contemporânea pátria. Contingências acolhedoras dos salvadores da pátria, donos absolutos da verdade. Experientes de realidades repetidas de um passado polarizado, que não existe mais. Reaparecem com vigor os descrentes na política como o modo civilizado de convivência social, de superar dificuldades, de gerenciar conflitos, de propor soluções para os problemas do viver, e pensar o futuro. Escarram retrocessos de mudança social numa economia internacional do trabalho globalizada e iluminada pela ciência, tecnologia e inovação. 
Algozes do apocalipse. Apologistas do fracasso procuram ouvidos reacionários. Caudilhos reproduzidos pela desigualdade, desprovidos de esperanças e descrentes nas simetrias sociais. Vozes do atraso, alimentadas pelo persistente patrimonialismo, limitadas aos arranjos conservadores e clientelistas da velha política. Modos arcaicos de reprodução do poder, da pobreza, da miséria, da corrupção e da persistente desigualdade. Uma desgraça contínua e anunciada. Diagnóstico pronto e acabado de uma quadra social e política ímpar em nossa história. 
Não é incomum, perceber a fúria contida nas expressões: "não tem saída e volta à ditadura militar". Calar as vozes populares, criminalizar os movimentos sociais, suspender o direito de votar e ser votado, castrar as manifestações e protestos, entre outras impropriedades descabidas para um tempo iluminista e renascentista. Manifestações raivosas de vingança, ao invés de justiça e prudência. Rejeição da política como o modo de pautar as relações sociais, dos consentidos avanços e ganhos políticos e sociais. E agora? O senso comum profetiza: "renovação na política ou renovação da política?". Não significa uma simples troca de preposições numa frase gramatical feita por encomenda, mas uma escolha diferenciada e prenhe de caminhos, estratégias e rupturas. Uma profunda transformação no modo de fazer política. Partidos, candidatos, eleitores, apoiadores, justiça, todos, em novos rumos e novas demandas. Um cenário onde a ética, a história, a competência e o exemplo substituam os aproveitadores da política, os militantes de ocasião, a captura das estruturas estatais, a morosidade judicial, e os mofentos e desacreditados regulamentos eleitorais. 
A simplificação das respostas, pode induzir ao erro, em face da complexidade da mudança. Renovação na política, indica uma simples substituição de atores no processo eleitoral. Velho por novo, mulher por homem, branco por negro, caudilho por subalterno, vermelho por amarelo, enfim um verniz artificial, aparente e farsante de renovação. Não é isso. Mas sim, novos princípios e métodos políticos, com transformações radicais, que a sociedade roga e espera. A renovação da política, quer dizer, a ruptura do paradigma normal e em uso. Acolhimento de homens e mulheres livres e de bons costumes, como candidatos e candidatas aos poderes, no largo ambiente da Federação, e na direção dos legítimos anseios sociais. Partidos políticos fortes com acreditados programas. Eleições livres de suspeitos, delatados, e grupos de interesses. Voto espontâneo. Fiscalização e justiça eleitoral repressivas e céleres. Pode parecer impossível, mas não é. Toda caminhada, parte do primeiro passo.
A renovação da política é um fenômeno mundial, independente de matizes ideológicas, perspectivas partidárias, desejos individuais e corporativos. As eleições do Presidente dos Estados Unidos, do Presidente da França, da Prefeita de Roma, do Prefeito de Belo Horizonte e de São Paulo, são narrativas de renovação da política. Incertezas, crises, dúvidas e protestos haverão de dificultar a inexorável mudança de paradigma. Erros, críticas, avanços e recuos advirão num tempo que seja breve. Não foi testado, um regime de governo com tantos defeitos, mas com valorosas, únicas e altruístas virtudes como a democracia. Nada substitui a liberdade de escolher os nossos representantes para administrar os destinos e os quereres da polis. Sonhar, lutar e arriscar; é melhor que errar, recuar ou desistir.
* Manoel Moacir Costa Macêdo, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra.