O desmonte continua

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Artesanato de Beto Pezão
Artesanato de Beto Pezão

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Publicada em 27/05/2018 às 00:13:00

Pedro Parente conseguiu mobilizar os caminhoneiros no maior protesto do país contra a política de preços da Petrobras, com reajustes diários dos combustíveis. Na noite de sexta-feira, o presidente Michel Temer assinou o decreto determinando o uso das forças federais para liberar as rodovias e reabastecer o país com os produtos retidos nas estradas. O decreto autoriza o emprego das Forças Armadas no contexto da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) até o dia 4 de junho.
Enquanto governo e população se preocupam com a mobilização dos caminhoneiros, Pedro Parente acelera o ritmo de esvaziamento da Petrobras no Estado de Sergipe. No início da semana, a Petrobras iniciou a etapa de divulgação da "oportunidade de desinvestimento (teaser) referente à cessão parcial, sem transferência da operação, de seus direitos de exploração, desenvolvimento e produção em quatro concessões, localizadas em águas profundas na Bacia de Sergipe-Alagoas".

A Petrobras é, atualmente, operadora de todas as concessões, nas quais já houve seis descobertas de óleo leve e gás: Barra, Farfan, Muriú, Moita Bonita, Poço Verde e Cumbe. A expectativa de declaração de comercialidade é para o 2º semestre de 2020. O processo iniciado agora permite a concessão de exclusividade para negociação (quando for o caso); aprovação da transação pela alta administração (Diretoria Executiva e Conselho de Administração) e assinatura dos contratos; e o fechamento da operação.

Em 19 de março, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, telefonou para o então governador Jackson Barreto, comunicando o fechamento da Fafen/SE até o final deste semestre, alegando um prejuízo de R$ 600 milhões ao ano. A informação provocou um clima de comoção e suspeita unidade da classe política para tentar reverter a decisão. De lá pra cá ocorreram sucessivas reuniões, mas o máximo obtido foi ampliar a operação da Fafen por mais 90 dias.
Antes da Fafen, a Petrobras já havia iniciado a etapa de desinvestimento para a cessão da totalidade de sua participação nos campos de Piranema e Piranema Sul, ambos localizados em águas profundas na Bacia de Sergipe-Alagoas. Neste projeto, a Petrobras, operadora com 100 por cento de participação, oferece a totalidade dos direitos nas concessões marítimas de Piranema, campo em produção, e Piranema Sul, campo não desenvolvido, segundo comunicado. A produção média de petróleo do campo de Piranema foi de 4 mil barris por dia no ano passado. Todo o gás produzido no campo é reinjetado.

O Anuário Socioeconômico de Sergipe 2017, produzido pelo Departamento de Economia da Universidade Federal de Sergipe (UFS) através dos professores Luiz Rogério de Camargo, Wagner Nóbrega e Rodrigo Góis, já alertava que a produção de petróleo em Sergipe cai desde 2008 e os volumes produzidos em 2015 e 2016 foram menores do que em 2002. A produção de gás manteve-se praticamente estável no período 2016/2002.
Segundo o Anuário, nas duas últimas décadas, o principal e mais visível impacto do desenvolvimento econômico de Sergipe consiste na conjunção estreita entre dois resultados: baixo crescimento econômico e melhoria pouco significativa nos indicadores sociais.
A saída da Petrobras vai piorar ainda mais esses indicadores.

Engolindo corda
O pré-candidato a senador Rogério Carvalho (PT) continua acreditando em uma "aliança branca" entre os também pré-candidatos ao Senado Jackson Barreto (MDB) e André Moura (PSC). Ele, inclusive, como presidente do PT, declara que o partido pode reavaliar permanecer na base do governo se ficar evidenciado o "acordo branco".
Chegou a declarar na semana passada que quando Edvaldo Nogueira declara apoio a André Moura e Jackson Barreto, isso fará o PT repensar nas alianças. "Se estão achando que não estou vendo o que está acontecendo, estão muito enganados", disse.

Situação lamentável
Cristiano Cabral, advogado do ex-governador e ex-prefeito João Alves Filho (DEM), pediu à Justiça que seja feito um exame médico para provar que ele sofre com do mal de Alzheimer. Com isso, a defesa pretende livrar João Alves Filho das acusações que enfrenta no âmbito da operação 'Caça Fantasma', pela nomeação de dezenas de pessoas para cargos comissionados, sem o comparecimento ao trabalho, no final de sua gestão na Prefeitura de Aracaju, em 2016.
Segundo o advogado, João Alves Filho não tem condições nenhuma de responder a qualquer processo, porque a doença avançou muito. "Temos indícios de que, na época em que era prefeito, ele já sofria com o mal", atesta.
João Alves Filho foi um dos políticos mais poderosos da história recente de Sergipe. De prefeito biônico de Aracaju de 1976 a 1979, se transformou num fenômeno eleitoral. Governador eleito em três mandatos, quando todos pensavam que a sua carreira política estaria encerrada foi eleito prefeito de Aracaju (2016-2016), em primeiro turno. Realizou uma administração desastrosa, mas ainda tentou a reeleição, obtendo apenas 25.715 votos, ou 9,99%.
Uma situação lamentável.

Juntos e misturados
Do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, durante a festa de lançamento da programação do Forró Caju: "É uma alegria muito grande estar aqui para este evento no qual o ministro da Cultura anuncia a liberação de R$ 16 milhões para os festejos juninos de Sergipe, dos quais R$ 4 milhões são para Aracaju. Agradeço o empenho e compromisso do ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão com a cultura nordestina. De igual modo, agradeço ao deputado André Moura. Não fosse a ajuda dele não teríamos o Forró Caju neste ano. Faremos uma festa linda. O Forró Caju é uma festa eclética, com forró de raiz, forró elétrico, o som mais moderno, o som mais tradicional. Preparamos uma programação diversificada, que agradará a todos", afirmou o prefeito.
Resposta de André Moura: "Sergipe era um Estado esquecido pelo governo federal. Os recursos não chegavam. Mas, com muito trabalho mudamos esta realidade. No ano passado, Sergipe foi, proporcionalmente, o Estado que mais recebeu recursos do país e, neste ano, entre tantos recursos que já trouxemos, veio também os recursos para os festejos juninos".

Longe de Temer
Na seta-feira, o ex-governador Jackson Barreto (MDB), que deve disputar o Senado, foi a Porto da Folha onde concedeu entrevista a Rádio Rio FM. Sobre o questionamento a respeito de um suposto "acordo branco" com André Moura nas eleições deste ano, o ex-governador foi taxativo:  "Aqueles que estão com o governo Temer vão seguir de um lado que não é o meu. Não tenho acordo para acompanhar candidatos que estão comprometidos com esta gestão e colaboram com esta situação atual. O meu lado é o do povo, eu assumo este papel".
Ele lembrou que "no dia que Lula esteve aqui, pediu que eu compreendesse o papel de alguém combativo e a favor das lutas da população. O lado de Amorim, André Moura e sua turma não é o meu".
Jackson também criticou os três senadores de Sergipe - Eduardo Amorim (PSD), Maria do Carmo (DEM) e Valadares (PSB). Foi quando disse: "Todos os três Senadores que representam Sergipe votaram a favor do impeachment de Dilma e eu, como pessoa que combateu a ditadura, não posso admitir esse golpe. Eles estão contra a democracia!".

Nova desembargadora
O presidente Michel Temer nomeou a procuradora regional do Trabalho em Sergipe, Vilma Leite Machado Amorim, mulher do senador Eduardo Amorim (PSDB), como nova desembargadora do TRT-20. Amorim integra a bancada do governo no Congresso Nacional.

Mulheres candidatas
Na última terça-feira (22), o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu que os partidos políticos devem reservar um mínimo de 30% do Fundo Eleitoral e do tempo de TV e rádio para as candidaturas femininas. O Transparência Partidária acredita que essa postura da Corte ajuda a resolver um problema estrutural da política brasileira: a baixa participação de mulheres. E a organização tem indicadores que comprovam isso.
A pesquisa inédita "Um olhar sobre a participação da mulher na política brasileira nos últimos 10 anos", feita pela Pulso Público a pedido do Transparência Partidária, mostra que, apesar do aumento expressivo do número de mulheres candidatas na última década, a proporção de eleitas não acompanhou o mesmo ritmo. O resultado: hoje elas representam apenas 13% do número total de candidatos eleitos (levando em consideração as eleições municipais e as eleições gerais, entre 2008 e 2016).
Em 2010, o Brasil teve 3.618 mulheres candidatas, das quais 193 foram eleitas. Já em 2014, foram 6.470 candidatas, mas 177 venceram os pleitos.
O estudo aponta que as taxas de sucesso (proporção de mulheres eleitas em relação à quantidade de mulheres candidatas) das mulheres nas eleições vêm caindo. Nas eleições dos últimos 10 anos, esse número foi 40% inferior quando comparado aos dos homens. Na média, 6% delas conseguiram se eleger, enquanto, entre os candidatos homens, 15% saíram vitoriosos.