Exceção e regra na Fundação Aperipê

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Paulo Corrêa é dos últimos moicanos
Paulo Corrêa é dos últimos moicanos

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Publicada em 29/05/2018 às 03:15:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O programa Nação 
Nordestina acaba 
de completar 11 anos sem dar o braço a torcer, um feito digno de todos os aplausos. Mas, verdade seja dita: considerando o deserto de idéias que prospera nas emissoras da Fundação Aperipê, o produtor cultural Paulo Corrêa, pai da criança, é também um forte candidato a último dos moicanos.
A gestão do radialista Givaldo Ricardo, nomeado diretor presidente da Fundap pelo governador Jackson Barreto, foi responsável por franco revés na grade das emissoras sob a sua responsabilidade. A intenção declarada era a de alavancar a audiência, desde sempre minúscula. A estratégia eleita para perseguir tal fim, no entanto, rebaixaria a programação a um padrão de qualidade francamente rasteiro, em sintonia com os piores vícios da comunicação comercial.
Produções amadoras, no pior sentido da palavra, o proselitismo religioso e o noticiário de apelo popular ganharam volume, enquanto a promoção da sensibilidade nativa foi relegada a segundo plano. Até mesmo o programa 'Expressão', dedicado à cobertura da agenda cultural Serigy, um produto de excelência carimbado com a marca da Fundap, esteve a ponto de ser excluído. Segundo uma fonte consultada pelo Jornal do Dia, Givaldo Ricardo jamais simpatizou com o perfil "intelectual" associado à audiência da Aperipê.
Na opinião da cineasta Gabriela Caldas, diretora, produtora e roteirista do programa 'Olha Aí', retirado da grade em um processo controverso, falta clareza sobre os princípios da gestão. Depois de ser empurrada de um lado para outro, durante meses, sob pretextos burocráticos os mais dispendiosos, ela foi informada que a Aperipê não era mais para o seu bico. 
"Nós produzimos mais de 400 programas, ao longo de nove anos. A janela aberta para o audiovisual sergipano ampliava o investimento realizado no segmento por sucessivas gestões públicas locais, desde quando Marcelo Déda foi prefeito de Aracaju. De repente, de uma hora para outra, o programa não servia mais. Volto para o Rio de Janeiro (onde Gabriela vive e trabalha, numa espécie de exílio profissional) com prejuízo financeiro e o coração partido".
Gabriela Caldas é mais uma. Faltam dedos para contar o tanto de profissionais de mãos cheias dispensados recentemente pela Fundap, sem razão aparente. Paulo Corrêa, Ricardo Gama, Tanit Bezerra e Pascoal Maynard são heróis da resistência, exceção que confirma a lamentável regra.

O programa Nação  Nordestina acaba  de completar 11 anos sem dar o braço a torcer, um feito digno de todos os aplausos. Mas, verdade seja dita: considerando o deserto de idéias que prospera nas emissoras da Fundação Aperipê, o produtor cultural Paulo Corrêa, pai da criança, é também um forte candidato a último dos moicanos.
A gestão do radialista Givaldo Ricardo, nomeado diretor presidente da Fundap pelo governador Jackson Barreto, foi responsável por franco revés na grade das emissoras sob a sua responsabilidade. A intenção declarada era a de alavancar a audiência, desde sempre minúscula. A estratégia eleita para perseguir tal fim, no entanto, rebaixaria a programação a um padrão de qualidade francamente rasteiro, em sintonia com os piores vícios da comunicação comercial.
Produções amadoras, no pior sentido da palavra, o proselitismo religioso e o noticiário de apelo popular ganharam volume, enquanto a promoção da sensibilidade nativa foi relegada a segundo plano. Até mesmo o programa 'Expressão', dedicado à cobertura da agenda cultural Serigy, um produto de excelência carimbado com a marca da Fundap, esteve a ponto de ser excluído. Segundo uma fonte consultada pelo Jornal do Dia, Givaldo Ricardo jamais simpatizou com o perfil "intelectual" associado à audiência da Aperipê.
Na opinião da cineasta Gabriela Caldas, diretora, produtora e roteirista do programa 'Olha Aí', retirado da grade em um processo controverso, falta clareza sobre os princípios da gestão. Depois de ser empurrada de um lado para outro, durante meses, sob pretextos burocráticos os mais dispendiosos, ela foi informada que a Aperipê não era mais para o seu bico. 
"Nós produzimos mais de 400 programas, ao longo de nove anos. A janela aberta para o audiovisual sergipano ampliava o investimento realizado no segmento por sucessivas gestões públicas locais, desde quando Marcelo Déda foi prefeito de Aracaju. De repente, de uma hora para outra, o programa não servia mais. Volto para o Rio de Janeiro (onde Gabriela vive e trabalha, numa espécie de exílio profissional) com prejuízo financeiro e o coração partido".
Gabriela Caldas é mais uma. Faltam dedos para contar o tanto de profissionais de mãos cheias dispensados recentemente pela Fundap, sem razão aparente. Paulo Corrêa, Ricardo Gama, Tanit Bezerra e Pascoal Maynard são heróis da resistência, exceção que confirma a lamentável regra.