Nós acendemos as nossas estrelas

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Publicada em 29/05/2018 às 03:54:00

 

* Raymundo Mello
(publicação de Raymundinho Mello, seu filho)
No seu artigo "O que guardam 
as coisas" (Jornal do Dia, 15/11/
2016), meu pai - o 'Memorialista Raymundo Mello' - registrou: "Vou continuar revendo as "coisas" que tenho, (...) a verdade é que, na desarrumação para desfazer-se do que não presta, encontra-se algo de valor inestimável, guardado 'a-sete-chaves', no fundo daquela caixa de papelão de um produto já fora de uso, descartável (o produto, não a caixa).
Achei algo assim há poucos dias. O exemplar n.º 35 da edição de 1956 - lá se vão 60 anos - do 'Movimento Cultural de Sergipe', direção do escritor 'José Augusto Garcez', impresso pela 'Livraria Regina Ltda. - Aracaju - Sergipe', do livro "Obras Completas", do 'poeta José Sampaio'.
(...) como dizem os enólogos, "vinho, quanto mais velho, melhor"; é com esse "sabor" que o tenho degustado e nele só tem preciosidades, a partir de opiniões sobre José Sampaio subscritas por figuras como 'Carlos Drummond de Andrade', 'Abelardo Romero' e 'Renato Jobim' (Rio de Janeiro) e 'Santos Souza', de Sergipe, exaltando a obra do poeta.
"Obras completas", Poemas e Contos, encantam. Os poemas começam com "Nós acendemos as nossas estrelas" e terminam com "Último Poema"; os contos começam com "Greve" e terminam com "Os maloqueiros". Obra prima da literatura brasileira, quase desconhecida pelos leitores de Sergipe. Valeria a pena ser re-editada e colocada à disposição de quem deseja conhecer o melhor e tomar conhecimento de que Aracaju viajava pelas "marinetes" e a "Ponte do Lima" abrigava pessoas desassistidas, viciadas e sofridas, mas que tinham e faziam história".
Na terça seguinte, 22/11/2016, meu pai deu continuidade ao assunto com a publicação do artigo "Ainda sobre o poeta", fez vários registros importantes sobre José Sampaio e concluiu o artigo com o poema "Brincadeira de Menino", de 1936, constante do referido livro.
Faço o mesmo hoje, deixando para os leitores o poema que abre o livro - "Nós acendemos as nossas estrelas" -, registrando que, certa feita, cheguei em casa por volta das 17 horas e encontrei meu pai com o livro nas mãos, embevecido pelo poema. Ao aproximar-me, fui recebido com os seguintes versos, lidos com voz trêmula e enxaguada num suave lacrimejo:
"Como uma massa informe dentro da noite os vivos se arrastam,
e vem de muito longe um rumor e se mistura conosco
e vamos juntos chorando com as crianças bascas,
com o bater dos nossos peitos e o bater dos nossos passos,
somos como uma grossa poeira de estranhos rumores
que se levantasse do fundo da alma humana.
Mas, uma hora, a nossa palavra, o nosso grito e as nossas risadas
acendem luzes de cores ao longe, até o fim da vista,
como pequeninas feridas de ouro no coração da noite.
E nós, que não temos ainda nem um dia no mundo,
perdemos, de olhos alegres, um tempo enorme admirados
com a beleza multicor das luzes cintilando na terra.
E, quando vamos descansar, atormentados e doentes,
caímos como uma só cabeça arreada no chão.
E o chão sem alma abraça o nosso corpo e acolhe o nosso sono pequeno".
Assim ele concluiu o artigo: "Teria muito a dizer sobre o poeta. Mas vou deixar que as pessoas interessadas na obra fantástica de Zé Sampaio pesquisem. A 'Biblioteca Pública Epiphânio Dória' e o 'Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe' têm acervo fácil e sempre disponível". 
* Raymundo Mello é Memorialista
raymundopmello@yahoo.com.br

* Raymundo Mello

(publicação de Raymundinho Mello, seu filho)


No seu artigo "O que guardam  as coisas" (Jornal do Dia, 15/11/ 2016), meu pai - o 'Memorialista Raymundo Mello' - registrou: "Vou continuar revendo as "coisas" que tenho, (...) a verdade é que, na desarrumação para desfazer-se do que não presta, encontra-se algo de valor inestimável, guardado 'a-sete-chaves', no fundo daquela caixa de papelão de um produto já fora de uso, descartável (o produto, não a caixa).
Achei algo assim há poucos dias. O exemplar n.º 35 da edição de 1956 - lá se vão 60 anos - do 'Movimento Cultural de Sergipe', direção do escritor 'José Augusto Garcez', impresso pela 'Livraria Regina Ltda. - Aracaju - Sergipe', do livro "Obras Completas", do 'poeta José Sampaio'.
(...) como dizem os enólogos, "vinho, quanto mais velho, melhor"; é com esse "sabor" que o tenho degustado e nele só tem preciosidades, a partir de opiniões sobre José Sampaio subscritas por figuras como 'Carlos Drummond de Andrade', 'Abelardo Romero' e 'Renato Jobim' (Rio de Janeiro) e 'Santos Souza', de Sergipe, exaltando a obra do poeta.
"Obras completas", Poemas e Contos, encantam. Os poemas começam com "Nós acendemos as nossas estrelas" e terminam com "Último Poema"; os contos começam com "Greve" e terminam com "Os maloqueiros". Obra prima da literatura brasileira, quase desconhecida pelos leitores de Sergipe. Valeria a pena ser re-editada e colocada à disposição de quem deseja conhecer o melhor e tomar conhecimento de que Aracaju viajava pelas "marinetes" e a "Ponte do Lima" abrigava pessoas desassistidas, viciadas e sofridas, mas que tinham e faziam história".
Na terça seguinte, 22/11/2016, meu pai deu continuidade ao assunto com a publicação do artigo "Ainda sobre o poeta", fez vários registros importantes sobre José Sampaio e concluiu o artigo com o poema "Brincadeira de Menino", de 1936, constante do referido livro.
Faço o mesmo hoje, deixando para os leitores o poema que abre o livro - "Nós acendemos as nossas estrelas" -, registrando que, certa feita, cheguei em casa por volta das 17 horas e encontrei meu pai com o livro nas mãos, embevecido pelo poema. Ao aproximar-me, fui recebido com os seguintes versos, lidos com voz trêmula e enxaguada num suave lacrimejo:
"Como uma massa informe dentro da noite os vivos se arrastam,
e vem de muito longe um rumor e se mistura conosco
e vamos juntos chorando com as crianças bascas,
com o bater dos nossos peitos e o bater dos nossos passos,
somos como uma grossa poeira de estranhos rumores
que se levantasse do fundo da alma humana.
Mas, uma hora, a nossa palavra, o nosso grito e as nossas risadas
acendem luzes de cores ao longe, até o fim da vista,
como pequeninas feridas de ouro no coração da noite.
E nós, que não temos ainda nem um dia no mundo,
perdemos, de olhos alegres, um tempo enorme admirados
com a beleza multicor das luzes cintilando na terra.
E, quando vamos descansar, atormentados e doentes,
caímos como uma só cabeça arreada no chão.
E o chão sem alma abraça o nosso corpo e acolhe o nosso sono pequeno".
Assim ele concluiu o artigo: "Teria muito a dizer sobre o poeta. Mas vou deixar que as pessoas interessadas na obra fantástica de Zé Sampaio pesquisem. A 'Biblioteca Pública Epiphânio Dória' e o 'Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe' têm acervo fácil e sempre disponível". 
* Raymundo Mello é Memorialistaraymundopmello@yahoo.com.br