Garoto de 13 anos mata sargento da PM

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O velório da sargento Eliana Costa da Silva foi realizado no saguão da Assembleia Legislativa
O velório da sargento Eliana Costa da Silva foi realizado no saguão da Assembleia Legislativa

O velório da sargento Eliana Costa da Silva foi realizado no saguão da Assembleia Legislativa
O velório da sargento Eliana Costa da Silva foi realizado no saguão da Assembleia Legislativa


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Publicada em 02/06/2018 às 05:46:00

 

Gabriel Damásio
Um garoto de 13 anos confessou ser o responsável pelo assassinato da sargento da Polícia Militar Eliana Costa da Silva, 46 anos, morta na tarde da quinta-feira em uma travessa no Conjunto Orlando Dantas (zona sul de Aracaju). A vítima, que era lotada na Assistência Militar da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), foi abordada enquanto voltava do salão de beleza, reagiu à tentativa de assalto e morreu após ser atingida com quatro tiros, sendo dois na cabeça. O adolescente foi apreendido ao final da manhã de ontem por agentes da Delegacia Especial de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), em uma residência no bairro 17 de Março (zona sul). Por imposição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o menor não terá sua identidade revelada.
Em depoimento aos policiais, prestado na sede da Depca, o adolescente admitiu ter dado cinco tiros contra a sargento, depois que ela tentou desarmá-lo após o anúncio do assalto, iniciando uma luta corporal. Depois de executar Eliane, que estava de folga, à paisana e desarmada, ele pegou o telefone celular da vítima e fugiu pela Rua Beira Rio, às margens de um mangue, onde alegou ter jogado fora o aparelho e o revólver usado para cometer o crime. O menor disse ainda que agiu sozinho todo o tempo e não sabia que a vítima era policial militar. 
O jovem foi apresentado ao Ministério Público depois de prestar depoimento e encaminhado para a Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip), onde aguardará o julgamento definitivo da medida educativa que lhe será imposta. Ele foi autuado pelo ato infracional análogo ao crime de latrocínio (roubo seguido de morte). "Apesar de não ter passagem pela polícia, ele já é conhecido pelos policiais por ser problemático. É um garoto de 13 anos e a gente não imagina que vai acontecer uma situação dessa complexidade. Temos notícia de um irmão dele foi preso na semana passada, mas ele não tinha passagens policiais", destacou. O inquérito que investiga o crime continua em andamento na Depca. 
A descoberta causou surpresa e revolta até mesmo entre os policiais, que apontam o fato como um reflexo do contato cada vez mais precoce entre os jovens e o tráfico de drogas na periferia da capital. "É sempre muito chocante saber que uma pessoa de tão pouca idade se envolveu em um crime bárbaro desse tipo, mas hoje, a Polícia Civil tem se deparado muito com isso. Cada vez mais jovens estão no crime, por que eles são facilmente captados. Por mais que você faça um trabalho de repressão, cada dia surgem mais jovens ingressando, precisamos conjugar a repressão com a prevenção", disse a coordenadora de Polícia da Capital, Viviane Cruz Pessoa, ao afirmar que a Civil vem mantendo diálogos com outros órgãos públicos de educação, saúde e assistência social. 
Entre os policiais militares, a revolta veio acompanhada do ceticismo, pois poucos deles acreditam que o adolescente ficará detido ou recebera uma pena considerada justa pelo assassinato da sargento Eliane. "Precisamos agora só acompanhar para ver até quando ele vai permanecer apreendido, que medidas serão tomadas para que ele demore um pouco mais de tempo [detido] e não faça outras vítimas. Não estou fazendo nenhuma crítica ao Judiciário ou a ninguém, mas é preciso uma reflexão sobre a legislação, sobre políticas para tirar as crianças das drogas. É preciso uma somação de esforços para que não aconteçam estas situações", disse o comandante-geral da PM, coronel Marcony Cabral, durante o velório do corpo da sargento. 
Comoção - Eliana Costa da Silva era alagoana de Pão de Açúcar e estava na Polícia Militar sergipana desde 1993, sendo uma das primeiras mulheres a ingressarem na corporação. Ela ficou cinco anos na antiga Companhia de Polícia Feminina (CPFem) e, em 1998, ingressou na Assistência Militar da Alese, onde trabalhava na segurança institucional da casa, participava de solenidades oficiais e prestava assistência aos parlamentares e assessores. A Mesa Diretora da casa cedeu o hall de entrada da sede para a realização do velório. A despedida foi marcada pela comoção de muitos colegas de corporação, além de deputados, assessores parlamentares e até mesmo o governador Belivaldo Chagas, que compareceu ao velório no meio da tarde. 
Desolados, os familiares e colegas lamentaram o clima de insegurança no estado e cobraram das autoridades mais valorização do trabalho policial, além de mudanças na legislação que endureçam as punições aos criminosos. "O que eu peço é que esses governantes mudem essas leis e consigam prender esses meliantes, que pra roubarem um simples celular, tiram a vida de uma mãe de família. A gente nunca imagina que que isso vá bater na nossa porta. Espero que nenhuma família sinta o que estamos sentindo. O sentimento é de injustiça", disse o irmão de Eliana, Ermerindo da Costa Neto. 
O corpo da policial foi velado durante todo o dia no saguão da Alese e levado no fim da tarde para um carro aberto do Corpo de Bombeiros, que seguiu em cortejo até o Cemitério Colina da saudade, no Santa Lúcia (zona oeste). Ali, foram prestadas as homenagens e honras militares. Uma guarda fúnebre formada apenas por mulheres disparou a salva de tiros e entoou o toque de silêncio. A sargento era casada e mãe de dois filhos.

Um garoto de 13 anos confessou ser o responsável pelo assassinato da sargento da Polícia Militar Eliana Costa da Silva, 46 anos, morta na tarde da quinta-feira em uma travessa no Conjunto Orlando Dantas (zona sul de Aracaju). A vítima, que era lotada na Assistência Militar da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), foi abordada enquanto voltava do salão de beleza, reagiu à tentativa de assalto e morreu após ser atingida com quatro tiros, sendo dois na cabeça. O adolescente foi apreendido ao final da manhã de ontem por agentes da Delegacia Especial de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), em uma residência no bairro 17 de Março (zona sul). Por imposição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o menor não terá sua identidade revelada.
Em depoimento aos policiais, prestado na sede da Depca, o adolescente admitiu ter dado cinco tiros contra a sargento, depois que ela tentou desarmá-lo após o anúncio do assalto, iniciando uma luta corporal. Depois de executar Eliane, que estava de folga, à paisana e desarmada, ele pegou o telefone celular da vítima e fugiu pela Rua Beira Rio, às margens de um mangue, onde alegou ter jogado fora o aparelho e o revólver usado para cometer o crime. O menor disse ainda que agiu sozinho todo o tempo e não sabia que a vítima era policial militar. 
O jovem foi apresentado ao Ministério Público depois de prestar depoimento e encaminhado para a Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip), onde aguardará o julgamento definitivo da medida educativa que lhe será imposta. Ele foi autuado pelo ato infracional análogo ao crime de latrocínio (roubo seguido de morte). "Apesar de não ter passagem pela polícia, ele já é conhecido pelos policiais por ser problemático. É um garoto de 13 anos e a gente não imagina que vai acontecer uma situação dessa complexidade. Temos notícia de um irmão dele foi preso na semana passada, mas ele não tinha passagens policiais", destacou. O inquérito que investiga o crime continua em andamento na Depca. 
A descoberta causou surpresa e revolta até mesmo entre os policiais, que apontam o fato como um reflexo do contato cada vez mais precoce entre os jovens e o tráfico de drogas na periferia da capital. "É sempre muito chocante saber que uma pessoa de tão pouca idade se envolveu em um crime bárbaro desse tipo, mas hoje, a Polícia Civil tem se deparado muito com isso. Cada vez mais jovens estão no crime, por que eles são facilmente captados. Por mais que você faça um trabalho de repressão, cada dia surgem mais jovens ingressando, precisamos conjugar a repressão com a prevenção", disse a coordenadora de Polícia da Capital, Viviane Cruz Pessoa, ao afirmar que a Civil vem mantendo diálogos com outros órgãos públicos de educação, saúde e assistência social. 
Entre os policiais militares, a revolta veio acompanhada do ceticismo, pois poucos deles acreditam que o adolescente ficará detido ou recebera uma pena considerada justa pelo assassinato da sargento Eliane. "Precisamos agora só acompanhar para ver até quando ele vai permanecer apreendido, que medidas serão tomadas para que ele demore um pouco mais de tempo [detido] e não faça outras vítimas. Não estou fazendo nenhuma crítica ao Judiciário ou a ninguém, mas é preciso uma reflexão sobre a legislação, sobre políticas para tirar as crianças das drogas. É preciso uma somação de esforços para que não aconteçam estas situações", disse o comandante-geral da PM, coronel Marcony Cabral, durante o velório do corpo da sargento. 
Comoção - Eliana Costa da Silva era alagoana de Pão de Açúcar e estava na Polícia Militar sergipana desde 1993, sendo uma das primeiras mulheres a ingressarem na corporação. Ela ficou cinco anos na antiga Companhia de Polícia Feminina (CPFem) e, em 1998, ingressou na Assistência Militar da Alese, onde trabalhava na segurança institucional da casa, participava de solenidades oficiais e prestava assistência aos parlamentares e assessores. A Mesa Diretora da casa cedeu o hall de entrada da sede para a realização do velório. A despedida foi marcada pela comoção de muitos colegas de corporação, além de deputados, assessores parlamentares e até mesmo o governador Belivaldo Chagas, que compareceu ao velório no meio da tarde. 
Desolados, os familiares e colegas lamentaram o clima de insegurança no estado e cobraram das autoridades mais valorização do trabalho policial, além de mudanças na legislação que endureçam as punições aos criminosos. "O que eu peço é que esses governantes mudem essas leis e consigam prender esses meliantes, que pra roubarem um simples celular, tiram a vida de uma mãe de família. A gente nunca imagina que que isso vá bater na nossa porta. Espero que nenhuma família sinta o que estamos sentindo. O sentimento é de injustiça", disse o irmão de Eliana, Ermerindo da Costa Neto. 
O corpo da policial foi velado durante todo o dia no saguão da Alese e levado no fim da tarde para um carro aberto do Corpo de Bombeiros, que seguiu em cortejo até o Cemitério Colina da saudade, no Santa Lúcia (zona oeste). Ali, foram prestadas as homenagens e honras militares. Uma guarda fúnebre formada apenas por mulheres disparou a salva de tiros e entoou o toque de silêncio. A sargento era casada e mãe de dois filhos.