Menor que matou sargento tem outra idade, diz SSP

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Publicada em 03/06/2018 às 00:10:00

Gabriel Damásio

O adolescente que con-fessou ter matado a sargento da Polícia Militar Eliana Costa da Silva, 46, pode mentido ao informar a própria idade. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou na manhã deste sábado que os policiais da Delegacia Especial de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) encontraram a identificação civil do menor, que não portava documentos quando foi detido, na manhã de sexta. O documento de identidade, achado durante diligências, mostra que o menor tem 16 anos completados no mês de março, e não 13, como havia informado aos agentes que o apreenderam. O garoto foi encontrado em uma residência no bairro 17 de Março, e autuado em flagrante pelo ato infracional análogo ao de latrocínio (roubo seguido de morte).

A apreensão do menor foi mantida pelo Judiciário. Ele está detido na Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip), onde deu entrada por volta das 17h desta sexta-feira. Antes, o menor foi apresentado ao Juizado da Infância e da Adolescência, que decidiu pela internação de 45 dias. O prazo é determinado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para que o Juizado instrua e julgue o processo para aplicação da medida socioeducativa definitiva. A punição máxima prevista na dita lei é a internação de três anos, a ser cumprida no Centro de Atendimento ao Menor (Cenam).

Em depoimento, ele disse aos policiais que estava sozinho e de bicicleta na tarde da quinta-feira, quando decidiu assaltar Eliana, que na ocasião estava de folga e voltava do salão de beleza para sua residência, no conjunto Orlando Dantas (zona sul). Mesmo com a alegação de que estava sozinho, há a possibilidade de que o acusado seja integrante de uma quadrilha responsável por outros assaltos violentos ocorridos nos bairros e conjuntos Orlando Dantas, São Conrado, Augusto Franco e Santa Maria. A SSP informou que esta informação é investigada pela Depca, bem como o motivo pelo qual o adolescente informou a idade errada.

Fontes policiais informaram ao JORNAL DO DIA que o adolescente tem se comportado de maneira fria e até mesmo agressiva, sem qualquer sinal de arrependimento. Em alguns momentos, o menor chegou a encarar e murmurar contra os policiais que o vigiavam durante o tempo em que estavam com ele. Outra informação revelada é a de que ele seria usuário de drogas e tem um irmão de 18 anos que foi preso em flagrante por furto no dia 24 de maio e continua detido porque ainda não pagou a fiança de R$ 1.874,00, arbitrada no dia seguinte em audiência de custódia. O mesmo rapaz já tinha sido apreendido quando em 2012, quando tinha 13 anos, por ato infracional análogo a roubo majorado (assalto à mão armada).

No momento do assalto, a sargento Eliana tentou dominar o rapaz, mas morreu depois de levar quatro dos cinco tiros disparados. O celular que tinha sido levado da policial não foi encontrado, nem o revólver usado pelo garoto para cometer o crime. Em depoimento, ele alegou que enrolou os objetos em um saco plástico e os jogou em um mangue, ainda no Orlando Dantas, no momento em que fugia do local do crime.

Desde que a notícia da apreensão e da confissão do menor foi confirmada, ela vem gerando revolta nas redes sociais, principalmente entre grupos de discussão que reúnem policiais e profissionais de segurança. Alguns participantes mais exaltados defendiam abertamente a execução do adolescente, classificando-o como "sementinha do mal" e criticando o Legislativo e o Judiciário, pelo fato de ele ficar apenas três anos detido em uma unidade de medida socioeducativa. Outros lamentavam o aspecto de o crime deixar "duas famílias destruídas": a do menor que cometeu o crime e a da policial, que era casada e mãe de dois filhos pequenos. Eliana tinha 25 anos de carreira na PM e trabalhava há 20 na Assistência Militar da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese).