José Carlos Teixeira

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Dominguinhos, xilogravura de Elias Santos
Dominguinhos, xilogravura de Elias Santos

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Publicada em 03/06/2018 às 00:28:00

A morte do ex-deputado federal José Carlos Teixeira, semana pas-sada, trouxe de volta os debates sobre o período da ditadura militar e sua ação para proteger vítimas de tortura e perseguidos do regime, a maioria jovens estudantes e militantes de partidos considerados clandestinos. Fundador do MDB, único partido de oposição aceito pelos militares para fazer frente à Arena, José Carlos teve uma atuação firme e se manteve sempre do mesmo lado.
A retomada do poder civil, em 1984, com a Aliança Democrática formada principalmente por dissidentes da antiga Arena abrigados no PFL, e do PMDB, sucedâneo do MDB, fez com que as lideranças regionais também quisessem forçar essas mudanças em seus Estados. Foi o que ocorreu em Sergipe.
Após a posse definitiva de José Sarney em função da morte de Tancredo Neves, as mudanças começaram a ocorrer nos Estados e foram marcadas as primeiras eleições diretas para as prefeituras das capitais, previstas para 1985. Em Aracaju, o quadro estava bem definido: o então deputado federal Jackson Barreto, que liderava todas as pesquisas, deveria ser o candidato a prefeito pelo PMDB. A sua candidatura era tida como imbatível, quando lideranças do partido começaram a discutir a possibilidade de repetição em Sergipe da Aliança Democrática. O então governador João Alves Filho (PFL) se entusiasmou com a proposta, rompeu com a família Franco, nomeou José Carlos Teixeira como prefeito de Aracaju no lugar de Heráclito Rollemberg, e apoiou a candidatura de Jackson.
José Carlos Teixeira fez uma administração operosa, transformando o quadro de Aracaju, com um volume de obras nunca visto na cidade, ampliou o oferta de ônibus e levou serviços para as comunidades pobres, que nunca haviam tido a atenção da prefeitura.
Com a sua gestão bem avaliada e a vitória de Jackson com mais de 70% dos votos válidos, José Carlos Teixeira cresceu e se transformou numa opção para disputar o governo contra o então vice-governador Antonio Carlos Valadares. O problema era como costurar um entendimento sem provocar o desmonte do grupo.
JB fez a opção de manter o acordo para apoiar a candidatura de Valadares, enquanto José Carlos Teixeira, sempre com a presença ativa de seus irmãos Luiz e Tarcísio, costurou um entendimento com os Franco e construiu a sua candidatura a governador, que começou com uma ampla vargem de vantagem. Problemas conjunturais da época, como o desabastecimento de carne e a força de João Alves no uso da máquina, acabaram provocando a sua derrota eleitoral.
No ano seguinte, José Carlos Teixeira foi nomeado diretor de loterias da Caixa Econômica Federal e em 1990 foi eleito vice-governador na chapa de João Alves Filho, quando assumiu o comando da Secretaria de Estado da Cultura e criou a Orquestra Sinfônica do Estado, encerrando a carreira política.
A sua postura firme no enfrentamento à ditadura marcou a sua trajetória política.

Canal de Xingó
A Codevasf autorizou a execução do serviço de elaboração do projeto básico da primeira etapa do Canal do Xingó. A ordem de serviço para início dos trabalhos foi assinada na manhã desta quarta-feira (30) pelo presidente da Codevasf, Avelino Neiva, que enfatizou a importância da nova ação para o estado de Sergipe. "Não é somente um canal o que estamos viabilizando. Pela sua vazão, é praticamente um novo rio. É um projeto que representa um grande avanço para Sergipe. Com o apoio da nossa classe política, estamos conseguindo realizar ações como essa. Espero que a Codevasf possa continuar contribuindo com o desenvolvimento do estado e do país", afirmou.
Contratado pelo valor de R$ 10,9 milhões, o projeto básico norteará a futura construção da primeira fase do Canal do Xingó. Esse trecho inicial vai desde a captação de água no reservatório de Paulo Afonso IV, passando por Santa Brígida (BA) e Canindé de São Francisco (SE), até o antigo reservatório R-5, em Poço Redondo, totalizando 114,55 quilômetros. Se sair mesmo do papel, o canal ampliará a oferta de água para múltiplos usos, como abastecimento humano, agricultura irrigada, pecuária e agroindústria.

Um bom exemplo

Diante da crise que assolou o Brasil nas últimas semanas, destacou-se positivamente a atuação da Prefeitura de Aracaju, na tomada de medidas para minimizar os efeitos da paralisação dos caminhoneiros. O que se viu da parte do prefeito Edvaldo Nogueira foi firmeza e esforço para lidar com as dificuldades e manter o funcionamento da cidade.
O resultado foi a manutenção de todas os serviços públicos municipais essenciais. As escolas, os postos de saúde, as Unidades de Pronto Atendimento e os Centros de Referência da Assistência Social ficaram abertos todos os dias da semana passada. De mesmo modo, todos os órgãos administrativos funcionaram todos os dias. A Guarda Municipal manteve sua atuação. O transporte público teve redução de 30% da sua frota, mas não deixou de circular um dia sequer. A coleta do lixo enfrentou desafios, pois havia o impedimento da passagem dos caminhões pela BR, o que levou a Emsurb a transportar os resíduos pelas rodovias estaduais. Isso provocou atraso na coleta, mas não parou o serviço. Até o programa de tapa-buraco seguiu sua programação nos dias da crise.
Para não ser pego de surpresa, caso houvesse agravamento da paralisação, Edvaldo chegou a decretar estado de emergência, mas muito mais como medida preventiva, pois tal condição permitiria ao município dispensar processo licitatório para compras e também para solicitar bens móveis e serviços. Foi o que fez a prefeitura na terça-feira, quando requisitou um posto de combustíveis para atender os veículos que atuam na prestação de serviços essenciais, como os carros da Secretaria da Saúde, que fazem o transporte de pacientes crônicos, e as viaturas da Guarda Municipal. Ao perceber que o quantitativo de gasolina disponibilizado era maior do que o necessário, Edvaldo adotou uma medida simpática: liberou o posto para atender a população que quisesse adquirir o produto.
Deste modo, os aracajuanos tiveram que lidar com as consequências da greve nacional sem o acréscimo de problemas municipais. Edvaldo fez valer a máxima de que a cidade tem prefeito.

Os boatos sobre nova paralisação
O Ministério da Segurança Pública descartou a hipótese dos caminhoneiros voltarem a paralisar suas atividades após terem suas principais reivindicações atendidas e encerrarem o movimento paredista que durou 11 dias. O boato de que a categoria organizaria uma nova paralisação ganhou força a partir do compartilhamento de mensagens pelo Whatsapp.
Segundo a assessoria da pasta, o ministro Raul Jungmann determinou que a Polícia Federal apure os objetivos de quem espalhou o boato. A investigação ocorrerá no âmbito dos inquéritos já instaurados para apurar a paralisação e a suspeita de envolvimento de empresários na condução dos protestos que, inicialmente, tinham como motivação a alta do preço dos combustíveis, mas logo incorporaram outras demandas à pauta de reivindicações.
 "Prosseguem as investigações sobre as ações com cunho político. A PF e demais órgãos de segurança permanecem mobilizados, investigando possíveis infiltrações no movimento [dos trabalhadores]", informou a assessoria do ministério.
Em entrevista à Rádio Jornal, do Recife, o ministro disse já ter conversado sobre o assunto com o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchgoyen. Segundo Jungmann, o serviço de inteligência já identificou de onde partiram as mensagens, tratadas pelas autoridades como meros boatos.
 "Quero deixar claro que não existe esta articulação para refazer o movimento e retomar a paralisação", afirmou o ministro à rádio pernambucana. "Trata-se de um boato que vai ser investigado pela Polícia Federal, pois está evidentemente tentando criar um clima de ansiedade, de preocupação, divulgando dados infundados", disse Jungmann, acrescentando que sempre pode haver manifestações pontuais, "mas nada sequer parecido com o que tivemos no movimento dos caminhoneiros [dos últimos dias]".
O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, também disse na sexta-feira que os órgãos de inteligência estão atentos à divulgação de vídeos e notícias falsas que incitem a retomada da paralisação dos caminhoneiros e dizem que o governo não cumpre o acordo. Segundo ele, se for necessário, serão tomadas providências. "Não vai ficar sem punição quem tentar descaracterizar a verdade dos atos praticados pelo governo", disse Padilha em entrevista coletiva.
Também nesta sexta-feira, o presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (ABCam), José da Fonseca Lopes, divulgou mensagem declarando desconhecer qualquer novo movimento e desencorajando motoristas a aderir a nova paralisações. "Já tivemos o apoio da população de bem e de vocês, caminhoneiros de bem, em nossas conquistas. O governo cumpriu a parte dele. O movimento acabou, nossas reivindicações já foram atendidas", disse.
Até a última terça-feira (29), a PF já tinha aberto 48 inquéritos para investigar a ocorrência de locaute na paralisação dos caminhoneiros e encaminhado à Justiça vários pedidos de prisão. Quinta-feira (31), o filho do dono de uma empresa de transporte e logística com sede em Caxias do Sul (RS) foi preso em caráter temporário durante a Operação Unlocked, deflagrada pela PF para reprimir a prática de locaute em rodovias do estado. O locaute é a greve ou a paralisação realizada por ou com o incentivo de empresários e é proibida por lei. (Com a Agência Brasil)