O iluminado

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 06/06/2018 às 07:31:00

 

* Lelê Teles
Temer, quem tiver ouvidos para ouvir que ouça, se disse iluminado.
Tentei com os meus botões encontrar algum nexo na inesperada e metafísica afirmativa luminosa; debalde.
Tivesse ele sido iluminado por Deus, era sinal que recebera um raio fulminante; mas nesse caso só lhe restariam os chinelos como prova  do grande encontro.
Humm, vejamos...
A literatura draculesca e transilvânica reforça que os vampiros, classe da qual faz parte o nosso bizarríssimo Jaburu, evitam a luz a qualquer custo. 
Como iluminado?
Escarafunchei meus alfarrábios e... bingo. Encontrei o nexo: trata-se de uma metáfora.
Temer referia-se a'O Iluminado.
Na hora me veio a imagem pavorosa de Jack Nicholson.
O velho Jack, ainda jovem, atormentado por espíritos sombrios no interior de um hotel gigantesco no meio do nada. 
É o Palácio da Alvorada e suas assombrações, pensei. 
Brasília é o nada, a neve é a secura do cerrado, a garotinho do velotrol é Michelzinho...
É isso!
Não nos esqueçamos, Temer afirmou temer dormir no Alvorada por dizer que lá havia fantasmas.
E o fantasma, você bem o sabe, é o espírito sem o lençol sobre o corpo diáfano.
Temer alegou que costumava ouvir, agucemos os ouvidos e ouçamos com ele, na calada da noite, o ranger sombrio de correntes a se arrastar pelo chão de carrara. 
O Demônio das Sombras, aquela criatura que recebe ordens do Vingador, se esfregando pelas cortinas, lambendo obras de arte com seu corpo amórfico, atormentando o mordomo do conde Drácula.
Luz e sombras dançando nas frestas dos cobogós.
Na piscina gigante, flutuando em seu espelho, duas mulheres insandecidas arrancam os próprios cabelos.
As colunas, a imitar velas de jangada, fazem o palácio flutuar, numa tenebrosa e onírica visão. 
O pequeno Picoly, o único cão do mundo que não sabe nadar, se treme todo na cama da primeira dama, que lambe um sorvete de Pitaya antes de abraçar-se com Morfeu. 
crescente aí aquela imagem macabra do Jaburu, sentado num trono de couro negro, a afagar a cabeça do seu cão cérbero de nome Thor. 
O animal, paralisado, exibia os pelos eriçados como se recebesse uma potente descarga elétrica no corpo.
Outro dia O Iluminado foi fotografado passando por um espelho, os assessores todos estavam refletidos, mas a imagem do presidente usurpador era sonegada.
Damn!
Agora o infeliz vem à boca do palco dizer que conversou com Deus durante o movimento paradista.
Ora, ora, ora.
Se é qualquer um que pega carona na boleia do Todo Poderoso.
E onde o Vampirão foi confessar esse pecado? 
No palco da Assembleia de Deus. local onde se promove esquizofrênicas sessões de desencapetamento.
Que me perdoem todos os fiéis e dizimistas, mas não posso me furtar aos fatos.
Em que lugar se fala mais no diabo que numa igreja evangélica? Nem em shows de heavy metal se faz tanta apologia ao capiroto.
E Temer foi lá pra falar de deus? Pelamorde.
Nota-se que ele não é do ramo. Deus num frequenta esses ambientes.
Se deus tivesse falado com Temer, o Ilegítimo traria algumas escoriações pelo corpo: marcas de mordida, vergões de cinco dedos na face, chineladas na bunda, queloides de surra de cinto ou cipó de aroeira pelas costas...
Ninguém faz o mal ao povo e passa impune numa conversa com o Divino. 
A não ser que o deus que visitou o sonho do nosso Jaburas é o mesmo que fala com esses pastores que marcham militarmente com bolsonaros. 
Aí tudo bem, tá tudo em casa.
Palavra da salvação.
* Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista

* Lelê Teles


Temer, quem tiver ouvidos para ouvir que ouça, se disse iluminado.
Tentei com os meus botões encontrar algum nexo na inesperada e metafísica afirmativa luminosa; debalde.
Tivesse ele sido iluminado por Deus, era sinal que recebera um raio fulminante; mas nesse caso só lhe restariam os chinelos como prova  do grande encontro.
Humm, vejamos...
A literatura draculesca e transilvânica reforça que os vampiros, classe da qual faz parte o nosso bizarríssimo Jaburu, evitam a luz a qualquer custo. 
Como iluminado?
Escarafunchei meus alfarrábios e... bingo. Encontrei o nexo: trata-se de uma metáfora.
Temer referia-se a'O Iluminado.
Na hora me veio a imagem pavorosa de Jack Nicholson.
O velho Jack, ainda jovem, atormentado por espíritos sombrios no interior de um hotel gigantesco no meio do nada. 
É o Palácio da Alvorada e suas assombrações, pensei. 
Brasília é o nada, a neve é a secura do cerrado, a garotinho do velotrol é Michelzinho...
É isso!
Não nos esqueçamos, Temer afirmou temer dormir no Alvorada por dizer que lá havia fantasmas.
E o fantasma, você bem o sabe, é o espírito sem o lençol sobre o corpo diáfano.
Temer alegou que costumava ouvir, agucemos os ouvidos e ouçamos com ele, na calada da noite, o ranger sombrio de correntes a se arrastar pelo chão de carrara. 
O Demônio das Sombras, aquela criatura que recebe ordens do Vingador, se esfregando pelas cortinas, lambendo obras de arte com seu corpo amórfico, atormentando o mordomo do conde Drácula.
Luz e sombras dançando nas frestas dos cobogós.
Na piscina gigante, flutuando em seu espelho, duas mulheres insandecidas arrancam os próprios cabelos.
As colunas, a imitar velas de jangada, fazem o palácio flutuar, numa tenebrosa e onírica visão. 
O pequeno Picoly, o único cão do mundo que não sabe nadar, se treme todo na cama da primeira dama, que lambe um sorvete de Pitaya antes de abraçar-se com Morfeu. 
crescente aí aquela imagem macabra do Jaburu, sentado num trono de couro negro, a afagar a cabeça do seu cão cérbero de nome Thor. 
O animal, paralisado, exibia os pelos eriçados como se recebesse uma potente descarga elétrica no corpo.
Outro dia O Iluminado foi fotografado passando por um espelho, os assessores todos estavam refletidos, mas a imagem do presidente usurpador era sonegada.
Damn!
Agora o infeliz vem à boca do palco dizer que conversou com Deus durante o movimento paradista.
Ora, ora, ora.
Se é qualquer um que pega carona na boleia do Todo Poderoso.
E onde o Vampirão foi confessar esse pecado? 
No palco da Assembleia de Deus. local onde se promove esquizofrênicas sessões de desencapetamento.
Que me perdoem todos os fiéis e dizimistas, mas não posso me furtar aos fatos.
Em que lugar se fala mais no diabo que numa igreja evangélica? Nem em shows de heavy metal se faz tanta apologia ao capiroto.
E Temer foi lá pra falar de deus? Pelamorde.
Nota-se que ele não é do ramo. Deus num frequenta esses ambientes.
Se deus tivesse falado com Temer, o Ilegítimo traria algumas escoriações pelo corpo: marcas de mordida, vergões de cinco dedos na face, chineladas na bunda, queloides de surra de cinto ou cipó de aroeira pelas costas...
Ninguém faz o mal ao povo e passa impune numa conversa com o Divino. 
A não ser que o deus que visitou o sonho do nosso Jaburas é o mesmo que fala com esses pastores que marcham militarmente com bolsonaros. 
Aí tudo bem, tá tudo em casa.
Palavra da salvação.
* Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista