A contraditória programação do Forró-Caju

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Publicada em 06/06/2018 às 07:32:00

 

* José Paulino da Silva
No São João do ano passado as
sistia uma apresentação do 
sanfoneiro Cobra Verde no Palco Gerson Filho. Em minha frente estavam dois jovens casais extasiados com a performance daquele artista. Perguntei a eles:- Vocês conhecem este sanfoneiro?  Responderam que não; e ainda me disseram:  - provavelmente deve ser de fora do nosso estado. Quando disse que era daqui de Sergipe, não quiseram acreditar! Conto este episódio para que leitor reflita  sobre o quanto o público jovem começa a se distanciar dos artistas da  cultura popular do ciclo junino.
A programação junina do Forró Caju deste ano (2018) é uma das mais contraditórias que já vi nestes últimos anos. Contraditória porque, apesar da crise econômica que atinge o país a Prefeitura está contratando famosos artistas da MPB e bandas que costumam cobrar altos cachês para apresentação que dura no máximo duas horas. E o pior, o repertório de vários destes artistas e bandas não tem nada a ver com a 'cultura e tradição musical' do ciclo junino. Uma verdadeira agressão ao público que frequenta o Forró Caju.
O forró de matriz 'gonzagueana', enquanto uma das riquezas mais bonitas da cultura popular nordestina do ciclo junino, vem sendo literalmente depredado, desvalorizado por gestores públicos. Como se dá a depredação de um bem cultural como o forró? Na verdade o que está em jogo, é a dependência dos gestores   de empresários da indústria cultural e dos meios de comunicação para 'empurrar goela abaixo'  um produto musical  de consumo em massa .Um produto que prioritariamente visa o lucro e em nome do entretenimento, destrói a tradição da boa música junina. E assim negam à atual geração a possibilidade de conhecer e usufruir o cabedal musical do qual os forrozeiros são portadores . 
A cada ano quando isto se repete, ficamos a perguntar: a quem recorrer para defender este patrimônio imaterial  que pertence ao sofrido povo?
 O que é de se lamentar é que atitude destrutiva em relação ao forró continua existindo durante a gestão de homens públicos que tem uma história de luta em favor da cultura popular. Isto se agrava mais quando sabemos que em nosso Estado existe uma boa quantidade de excelentes sanfoneiros e grupos de forró querendo trabalhar e mostrar sua arte. Os forrozeiros na sua grande maioria passam o ano esperando pelo mês de junho para apesentar sua arte Aí quando chega este período, são literalmente excluídos. Ao serem. excluídos vão se tornando cada vez mais desconhecidos e  esquecidos .
Soube que este ano vai haver alguns polos de forró com programação nos bairros da capital, e que a seleção dos forrozeiros vai ser através de edital público. Uma decisão que merece aplausos. Um polo de forró num bairro, pode fomentar maior interação com os moradores. Em tese, é uma decisão que vai trazer mais espaços para apresentação de nossos forrozeiros. E possibilidades de revigoramento dos festejos juninos.
* José Paulino da Silva é doutor em Filosofia e História e Professor Emérito da UFS

* José Paulino da Silva

No São João do ano passado as sistia uma apresentação do  sanfoneiro Cobra Verde no Palco Gerson Filho. Em minha frente estavam dois jovens casais extasiados com a performance daquele artista. Perguntei a eles:- Vocês conhecem este sanfoneiro?  Responderam que não; e ainda me disseram:  - provavelmente deve ser de fora do nosso estado. Quando disse que era daqui de Sergipe, não quiseram acreditar! Conto este episódio para que leitor reflita  sobre o quanto o público jovem começa a se distanciar dos artistas da  cultura popular do ciclo junino.
A programação junina do Forró Caju deste ano (2018) é uma das mais contraditórias que já vi nestes últimos anos. Contraditória porque, apesar da crise econômica que atinge o país a Prefeitura está contratando famosos artistas da MPB e bandas que costumam cobrar altos cachês para apresentação que dura no máximo duas horas. E o pior, o repertório de vários destes artistas e bandas não tem nada a ver com a 'cultura e tradição musical' do ciclo junino. Uma verdadeira agressão ao público que frequenta o Forró Caju.
O forró de matriz 'gonzagueana', enquanto uma das riquezas mais bonitas da cultura popular nordestina do ciclo junino, vem sendo literalmente depredado, desvalorizado por gestores públicos. Como se dá a depredação de um bem cultural como o forró? Na verdade o que está em jogo, é a dependência dos gestores   de empresários da indústria cultural e dos meios de comunicação para 'empurrar goela abaixo'  um produto musical  de consumo em massa .Um produto que prioritariamente visa o lucro e em nome do entretenimento, destrói a tradição da boa música junina. E assim negam à atual geração a possibilidade de conhecer e usufruir o cabedal musical do qual os forrozeiros são portadores . 
A cada ano quando isto se repete, ficamos a perguntar: a quem recorrer para defender este patrimônio imaterial  que pertence ao sofrido povo?
 O que é de se lamentar é que atitude destrutiva em relação ao forró continua existindo durante a gestão de homens públicos que tem uma história de luta em favor da cultura popular. Isto se agrava mais quando sabemos que em nosso Estado existe uma boa quantidade de excelentes sanfoneiros e grupos de forró querendo trabalhar e mostrar sua arte. Os forrozeiros na sua grande maioria passam o ano esperando pelo mês de junho para apesentar sua arte Aí quando chega este período, são literalmente excluídos. Ao serem. excluídos vão se tornando cada vez mais desconhecidos e  esquecidos .
Soube que este ano vai haver alguns polos de forró com programação nos bairros da capital, e que a seleção dos forrozeiros vai ser através de edital público. Uma decisão que merece aplausos. Um polo de forró num bairro, pode fomentar maior interação com os moradores. Em tese, é uma decisão que vai trazer mais espaços para apresentação de nossos forrozeiros. E possibilidades de revigoramento dos festejos juninos.
* José Paulino da Silva é doutor em Filosofia e História e Professor Emérito da UFS