Os cobres no São João

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Este ano, a Orquestra Sanfônica de Aracaju espera ser paga em dia
Este ano, a Orquestra Sanfônica de Aracaju espera ser paga em dia

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Publicada em 07/06/2018 às 06:45:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
As festas promovidas 
pelo poder público 
municipal nos quatro cantos de Sergipe jamais pecaram por modestas. Aqui, falta dinheiro para tudo, menos para os palcos erguidos a custo milionário, sob o falso pretexto de alegrar as massas.
A programação dos festejos juninos realizados em Sergipe, por exemplo, movimenta cifras de muitos milhões. Artistas consagrados são contratados a peso de ouro. A inversão das prioridades chegou a ponte de, no auge da crise, quando prefeitos do País inteiro marcharam até Brasília, chorando miséria em romaria de pires na mão, o complacente Tribunal de Contas do Estado proibir as prefeituras em dívida com os servidores de torrar os cobres no São João.
Verdade seja dita: A contratação de artistas para animar os festejos populares metamorfoseados em grandes eventos nunca obedeceram aos critérios de transparência que regem a administração pública. Vira e mexe, denúncias dão conta de panelinhas, notas frias e superfaturamento, mas a caixa preta do São João nunca foi realmente aberta para o escrutínio do populacho.
Aparentemente, a farra tem abrangência nacional. Em 2016, o Ministério Público Federal cobrou explicações sobre a diferença exorbitante de cachê cobrado pelo cantor Wesley Safadão, de um dia para o outro. Em um município pernambucano, o show custou R$ 195 mil. Em outro, o custo da apresentação realizada algumas horas depois pulou para quase R$ 600 mil. Mesmo considerando eventuais oscilações, em função da agenda do cantor, a discrepância flagrante colocou uma pulga atrás da orelha de muita gente.
Assim ocorre, nação nordestina afora. Ninguém sabe quanto o privilégio da ilustre presença do Safadão custou aos cofres sob os cuidados do perdulário prefeito João Alves Filho, de triste memória. Para o então secretário de comunicação Carlos Batalha, foi mais proveitoso lembrar os doze dias de farra animada por 250 atrações, entre as quais os muito agradecidos 175 artistas locais. Estes, no entanto, subiram ao palco sem dim dim no bolso. Ao fim do Forró Caju 2016, por exemplo, os membros da Orquestra Sanfônica de Aracaju ainda brigavam para receber o combinado pela apresentação no Forró Caju 2015. Tudo em nome da Cultura.

As festas promovidas  pelo poder público  municipal nos quatro cantos de Sergipe jamais pecaram por modestas. Aqui, falta dinheiro para tudo, menos para os palcos erguidos a custo milionário, sob o falso pretexto de alegrar as massas.
A programação dos festejos juninos realizados em Sergipe, por exemplo, movimenta cifras de muitos milhões. Artistas consagrados são contratados a peso de ouro. A inversão das prioridades chegou a ponte de, no auge da crise, quando prefeitos do País inteiro marcharam até Brasília, chorando miséria em romaria de pires na mão, o complacente Tribunal de Contas do Estado proibir as prefeituras em dívida com os servidores de torrar os cobres no São João.
Verdade seja dita: A contratação de artistas para animar os festejos populares metamorfoseados em grandes eventos nunca obedeceram aos critérios de transparência que regem a administração pública. Vira e mexe, denúncias dão conta de panelinhas, notas frias e superfaturamento, mas a caixa preta do São João nunca foi realmente aberta para o escrutínio do populacho.
Aparentemente, a farra tem abrangência nacional. Em 2016, o Ministério Público Federal cobrou explicações sobre a diferença exorbitante de cachê cobrado pelo cantor Wesley Safadão, de um dia para o outro. Em um município pernambucano, o show custou R$ 195 mil. Em outro, o custo da apresentação realizada algumas horas depois pulou para quase R$ 600 mil. Mesmo considerando eventuais oscilações, em função da agenda do cantor, a discrepância flagrante colocou uma pulga atrás da orelha de muita gente.
Assim ocorre, nação nordestina afora. Ninguém sabe quanto o privilégio da ilustre presença do Safadão custou aos cofres sob os cuidados do perdulário prefeito João Alves Filho, de triste memória. Para o então secretário de comunicação Carlos Batalha, foi mais proveitoso lembrar os doze dias de farra animada por 250 atrações, entre as quais os muito agradecidos 175 artistas locais. Estes, no entanto, subiram ao palco sem dim dim no bolso. Ao fim do Forró Caju 2016, por exemplo, os membros da Orquestra Sanfônica de Aracaju ainda brigavam para receber o combinado pela apresentação no Forró Caju 2015. Tudo em nome da Cultura.