Políticos fake news

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 09/06/2018 às 19:56:00

 

*Rangel Alves da Costa
A fake news está na moda. A disseminação de notícias falsas para deterioração de alguns candidatos e proveito de outros pleiteantes, tem se tornado algo tão corriqueiro quanto o anúncio de mais um aumento dos combustíveis. Todo dia, toda hora. Mas por falar em fake news, haverá notícia mais falsa e desacreditada que o próprio postulante a cargo eletivo, seja a deputado, a senador ou a governador?
Não há candidato que não seja uma informação falsa, que não seja uma desinformação da verdade, que não seja uma inversão do real. Não há candidato a deputado, a senador ou a governador, que não procure se sustentar através de discursos mentirosos e impraticáveis, de velhas promessas mirabolantes, do tratamento do eleitor como se fosse massa de manobra. Então, e por que reclamar, esbravejar, ameaçar e "prometer levar às barras da justiça", aquele que planta uma notícia falsa a seu respeito, se eles próprios - os políticos -, são os primeiros a desrespeitarem a sociedade?
Mas o que é mesmo, conceitualmente, essa tão propalada fake news que até foi objeto de legislação no processo eleitoral brasileiro? Nada mais que a propagação de uma notícia falsa. Fake seria, então, toda informação noticiosa que não represente a realidade, mas que é compartilhada como se fosse verídica, principalmente através das redes sociais. O objetivo maior de uma fake news é polemizar sobre algo ou pessoa, provocando a desonra ou deterioração de sua imagem Por sua natureza astuciosa, polêmica, logo provoca atração e começa a se propagar com alta intensidade e alcançando extensas camadas da população.
Os tempos pré-eleitorais são um campo fértil à propagação das fake news. Não somente os fanáticos e os partidários, mas certamente também os grupos políticos e os escritórios de campanha, logo se incumbem de trabalhar imagens adversas dos demais pleiteantes. Catam velhas notícias, buscam nos baús de velharias as acusações recaídas sobre os concorrentes, aprimoram-se em desencavar fatos e situações que possam atingir a imagem política e pessoal. Mas também agindo na invenção e na semeadura de fatos novos que, mesmo de deslavada mentira, possam provocar reações negativas.
A todo instante surgem notícias falsas, tanto novas como requentadas. Algumas são tão mal elaboradas que até provocam gracejos ao invés de irritação. É o jogo do vale tudo e tudo vale. Como os punhais da língua já não ferem mais a quem se escuda no tanto faz, a saída encontrada é chacoalhar o lamaçal pele rede virtual. Nos grupos de bate-papo, noticiosos e até privados, não demora muito e surge uma informação espantosa. Político que foi condenado, que foi flagrado em situação criminosa, que está sendo acusado de um monte de coisas. Na notícia maliciosa, pouco importa a data ou a validade da informação, mas apenas a tentativa de enlamear aquele que é mostrado em situação vexatória.
Contudo, logo surge um pequeno questionamento: as promessas irrealizáveis, os discursos impraticáveis, os ataques políticos e pessoais feitos pelos candidatos, as mentiras disseminadas pelos próprios postulantes perante os eleitores e o que é dito no jogo político e tudo mundo sabe que não passa de conversa pra boi dormir, não seriam situações de fake news? Noutras palavras, a fake news se perfaz apenas quando há ofensa ao político ou também quando este ofende, com inverdades, o seu opositor, o eleitor e a sociedade, através das redes sociais?
Ora, sendo o fake uma notícia falsa, logo se tem que não existe - no mundo inteiro - gente mais falsa e mentirosa que o político. E o que ele diz, sempre eivado de inverdades, não se pode ter como notícia falsa? Logicamente que sim. E mais: toda vez que um candidato investe na disseminação de notícias falsas sobre o seu opositor, certamente que também estará fazendo fake de si mesmo, vez que logo vem a ideia de que um sujo não pode falar do mal lavado, de que um corrupto ou desonesto igual não pode espalhar acerca da desonestidade e da corrupção do outro.
De qualquer forma, o que se tem a disseminação de notícias inverídicas, de imagens deturpadoras, de fotografias forjadas para incriminar ou para reavivar alianças políticas espúrias. Não precisaria, contudo, ter tanto trabalho para tal. Em cada biografia política - ao menos na sua maioria -, sempre uma página de podridão, de improbidade, de promessas descumpridas, de vergonhosos conchavos, além de outros labirintos lamacentos e putrefatos. Tem-se como exercício de suma desonestidade que um candidato, agora, queira passar a imagem de bom moço e enlamear seu opositor. Tudo farinha do mesmo saco.
Como diz o ditado, que atire a primeira pedra o político cujo saco revirado não faça surgir mais lixo que semente. Utilizar-se de fake news para falsear verdades e realidades é, como se diz, não olhar para o próprio rabo. E com vergonha daquilo que igualmente fez. Ou pior, muito pior.
*Rangel Alves da Costa é advogado e escritor
Membro da Academia de Letras de Aracaju
blograngel-sertao.blogspot.com

*Rangel Alves da Costa


A fake news está na moda. A disseminação de notícias falsas para deterioração de alguns candidatos e proveito de outros pleiteantes, tem se tornado algo tão corriqueiro quanto o anúncio de mais um aumento dos combustíveis. Todo dia, toda hora. Mas por falar em fake news, haverá notícia mais falsa e desacreditada que o próprio postulante a cargo eletivo, seja a deputado, a senador ou a governador?
Não há candidato que não seja uma informação falsa, que não seja uma desinformação da verdade, que não seja uma inversão do real. Não há candidato a deputado, a senador ou a governador, que não procure se sustentar através de discursos mentirosos e impraticáveis, de velhas promessas mirabolantes, do tratamento do eleitor como se fosse massa de manobra. Então, e por que reclamar, esbravejar, ameaçar e "prometer levar às barras da justiça", aquele que planta uma notícia falsa a seu respeito, se eles próprios - os políticos -, são os primeiros a desrespeitarem a sociedade?
Mas o que é mesmo, conceitualmente, essa tão propalada fake news que até foi objeto de legislação no processo eleitoral brasileiro? Nada mais que a propagação de uma notícia falsa. Fake seria, então, toda informação noticiosa que não represente a realidade, mas que é compartilhada como se fosse verídica, principalmente através das redes sociais. O objetivo maior de uma fake news é polemizar sobre algo ou pessoa, provocando a desonra ou deterioração de sua imagem Por sua natureza astuciosa, polêmica, logo provoca atração e começa a se propagar com alta intensidade e alcançando extensas camadas da população.
Os tempos pré-eleitorais são um campo fértil à propagação das fake news. Não somente os fanáticos e os partidários, mas certamente também os grupos políticos e os escritórios de campanha, logo se incumbem de trabalhar imagens adversas dos demais pleiteantes. Catam velhas notícias, buscam nos baús de velharias as acusações recaídas sobre os concorrentes, aprimoram-se em desencavar fatos e situações que possam atingir a imagem política e pessoal. Mas também agindo na invenção e na semeadura de fatos novos que, mesmo de deslavada mentira, possam provocar reações negativas.
A todo instante surgem notícias falsas, tanto novas como requentadas. Algumas são tão mal elaboradas que até provocam gracejos ao invés de irritação. É o jogo do vale tudo e tudo vale. Como os punhais da língua já não ferem mais a quem se escuda no tanto faz, a saída encontrada é chacoalhar o lamaçal pele rede virtual. Nos grupos de bate-papo, noticiosos e até privados, não demora muito e surge uma informação espantosa. Político que foi condenado, que foi flagrado em situação criminosa, que está sendo acusado de um monte de coisas. Na notícia maliciosa, pouco importa a data ou a validade da informação, mas apenas a tentativa de enlamear aquele que é mostrado em situação vexatória.
Contudo, logo surge um pequeno questionamento: as promessas irrealizáveis, os discursos impraticáveis, os ataques políticos e pessoais feitos pelos candidatos, as mentiras disseminadas pelos próprios postulantes perante os eleitores e o que é dito no jogo político e tudo mundo sabe que não passa de conversa pra boi dormir, não seriam situações de fake news? Noutras palavras, a fake news se perfaz apenas quando há ofensa ao político ou também quando este ofende, com inverdades, o seu opositor, o eleitor e a sociedade, através das redes sociais?
Ora, sendo o fake uma notícia falsa, logo se tem que não existe - no mundo inteiro - gente mais falsa e mentirosa que o político. E o que ele diz, sempre eivado de inverdades, não se pode ter como notícia falsa? Logicamente que sim. E mais: toda vez que um candidato investe na disseminação de notícias falsas sobre o seu opositor, certamente que também estará fazendo fake de si mesmo, vez que logo vem a ideia de que um sujo não pode falar do mal lavado, de que um corrupto ou desonesto igual não pode espalhar acerca da desonestidade e da corrupção do outro.
De qualquer forma, o que se tem a disseminação de notícias inverídicas, de imagens deturpadoras, de fotografias forjadas para incriminar ou para reavivar alianças políticas espúrias. Não precisaria, contudo, ter tanto trabalho para tal. Em cada biografia política - ao menos na sua maioria -, sempre uma página de podridão, de improbidade, de promessas descumpridas, de vergonhosos conchavos, além de outros labirintos lamacentos e putrefatos. Tem-se como exercício de suma desonestidade que um candidato, agora, queira passar a imagem de bom moço e enlamear seu opositor. Tudo farinha do mesmo saco.
Como diz o ditado, que atire a primeira pedra o político cujo saco revirado não faça surgir mais lixo que semente. Utilizar-se de fake news para falsear verdades e realidades é, como se diz, não olhar para o próprio rabo. E com vergonha daquilo que igualmente fez. Ou pior, muito pior.
*Rangel Alves da Costa é advogado e escritorMembro da Academia de Letras de Aracajublograngel-sertao.blogspot.com