O recorde de Temer

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Publicada em 12/06/2018 às 06:52:00

 

A promessa de integração e o aporte expressivo de recursos são até agora os principais pilares do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), sancionado ontem pelo presidente Michel Temer. A iniciativa do governo federal pretende enfrentar o crime organizado, cuja nacionalização começa a dar motivo de preocupação em todas as regiões do País. Em termos práticos, no entanto, o Susp é ainda só uma promessa. Impopular e desacreditado, sem prestígio e força política, Temer aposta tudo na construção de uma agenda positiva.
Em tese, a iniciativa é oportuna. Coordenado pelo Ministério Extraordinário da Segurança Pública, o Susp busca integrar os órgãos de segurança e inteligência, padronizar informações, estatísticas e procedimentos, além de monitorar resultados das ações propostas e em andamento. Resta saber se o governo federal vai demonstrar a capacidade de coordenação necessária para trazer ideia a efeito. O desafio é imenso.
A fonte de financiamento do Susp também não está a salvo de revés. A medida provisória que transfere recursos da loteria para a recém criada pasta da Segurança Pública não é ainda capaz de prover o Sistema. Somente com a criação de novas loterias, a expectativa de investimento de R$ 4,3 bilhões em 2022 talvez seja atendida.
No fim das contas, Temer não tinha muito o que apresentar à imprensa, convocada para a sanção do Susp, realizada a toque de sino e repique de caixa. As platitudes pronunciadas durante o discurso, carente de feitos concretos e previsões realistas, os acenos populistas de quem afirma não ser possível "tratar a criminalidade com rosas nas mãos" demonstram apenas o desespero do presidente, recordista de impopularidade.

A promessa de integração e o aporte expressivo de recursos são até agora os principais pilares do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), sancionado ontem pelo presidente Michel Temer. A iniciativa do governo federal pretende enfrentar o crime organizado, cuja nacionalização começa a dar motivo de preocupação em todas as regiões do País. Em termos práticos, no entanto, o Susp é ainda só uma promessa. Impopular e desacreditado, sem prestígio e força política, Temer aposta tudo na construção de uma agenda positiva.
Em tese, a iniciativa é oportuna. Coordenado pelo Ministério Extraordinário da Segurança Pública, o Susp busca integrar os órgãos de segurança e inteligência, padronizar informações, estatísticas e procedimentos, além de monitorar resultados das ações propostas e em andamento. Resta saber se o governo federal vai demonstrar a capacidade de coordenação necessária para trazer ideia a efeito. O desafio é imenso.
A fonte de financiamento do Susp também não está a salvo de revés. A medida provisória que transfere recursos da loteria para a recém criada pasta da Segurança Pública não é ainda capaz de prover o Sistema. Somente com a criação de novas loterias, a expectativa de investimento de R$ 4,3 bilhões em 2022 talvez seja atendida.
No fim das contas, Temer não tinha muito o que apresentar à imprensa, convocada para a sanção do Susp, realizada a toque de sino e repique de caixa. As platitudes pronunciadas durante o discurso, carente de feitos concretos e previsões realistas, os acenos populistas de quem afirma não ser possível "tratar a criminalidade com rosas nas mãos" demonstram apenas o desespero do presidente, recordista de impopularidade.