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Publicada em 14/06/2018 às 07:52:00

 

* Lelê Teles
Em quem acreditar? Esse é o drama do eleitor sergipano.
Veja você que um dos pretensos candidatos já tenta se passar por outra pessoa.
Na eleição pretérita ele tentou esconder o irmão, que lhe queimava o filme; hoje o sujeito esconde o próprio sobrenome.
Renegando, assim, toda a família, a mesma que ele apresentou numa melancólica arrancada de marcha à ré, no final da eleição passada; como se protagonizasse uma eliminação daquele reality show da Rede Globo: "vem pra cá...".
Dá pra acreditar?
O outro, que já foi aliado de Deus e o mundo, desaliou-se de todo mundo para satisfazer as vontades imperiais do progenitor que, dizem, se desaliou de Deus a um bom tempo.
Dará com os burros n'água. 
Como acreditar num cabra que muda de time conforme o resultado do jogo?
Vazio de ideias, aprendeu a falar grave e imperativo, fala com tanta convicção nada com coisa nenhuma que acaba ele mesmo por crer estar a dizer alguma coisa.
Quem acredita?
Votaram contra o povo, os dois, ao derrubarem, com um golpe, uma presidenta eleita para colocar em seu lugar um sujeito rejeitado por mais de 90% da população.
Ao fazerem parte dessa farsa, ambos contaram a maior mentira para o povo sergipano.
Como vão se livrar disso? Ou pretendem aparecer, sorridentes, abraçados com o Vampirão do Tuiuti?  
Irão esconder-se de si mesmos, rasgarão suas fantasias de manifestoches, tentarão apagar a memória recente do povo, dirão que não foi nada disso; mentirão?
Terão grandes dificuldades para enfrentar o discurso franco de Belivas e as verdades que ele tem a dizer sobre os seus ex-aliados.
O Galeguinho de Simão Dias já deixou claro que não gosta de arrudeios. Cabra bom de serviço, segurou a máquina pública pelas rédeas e imprimiu um acelerado ritmo de trabalho.
A sua primeira ação como governador foi desfazer uma mentira grotesca contada por um secretário, livrando-se do entulho logo em seguida.
Acreditaram que ele pegaria um abacaxi, ao aceitar assumir o governo do estado, e que teria grandes dificuldades em descascá-lo.
No entanto, demonstrando habilidade política, Belivaldo vai conquistando corações e mentes com o seu jeito verdadeiro de encarar as dificuldades, sem tergiversações.
Para botar tudo em pratos limpos, arregaçou as mangas e chamou o povo para um papo reto.
É conversando que a gente se entende.
Penso nisso enquanto tomo um sol na Cordilheira de Itabaiana, sob o véu de uma cachoeira, respirando um ar puro.
Acaba de chegar um ruidoso grupo de escoteiros velhos, falando alto.
A voz de trovão de um deles me lembrou um sujeito que grava áudios no whatsapp, demonstrando uma mastodôntica ignorância sobre tudo.
E é isso o que faz dele uma subcelebridade virtual entre os ignaros.
Com um facão, um dos membros do grupo "limpa" o caminho, ceifando a relva.
Se achegam sem me cumprimentar, sentam-se, abrem um cooler e de lá sacam garrafas e latinhas. 
Parece que a turma bebe desde ontem. 
Uma ave, curiosa com a algazarra, se aproxima do bando, prescrutando-os sobre uma árvore. O baixinho de bigode saca uma pistola, aponta para o pássaro e o bípede emplume, percebendo o perigo, sai voado; grasnando: 
Ah, ah, ah...
Sorte dele, esses homens de bens são um perigo com um revólver na mão. 
Então, o homem da voz do whatsapp, danou a falar de política: "Rapaz, tá difícil pa nóis, viu. Sergipe é uma panela de caranguejo, quando um quer sair o outro puxa pa dentro de volta. Praquê norrâmo ter dois candidato a governo do estado, me diga?"
O baixinho do bigode acrescentou, limpando a pistola com uma flanela verdeamarela: "Tá um sarapatel de coruja desgramado. O outro agora, por falta de assunto, resolveu falar sobre a saúde do estado. Tá... Se ele desmantelou a saúde quando foi secretário, ou ele acha que o povo num tem memória? É suicídio, é?" 
O amigo sentenciou: "Parece que é, tão mais perdido que cego em tiroteio. Enquanto isso, esse Galeguim fi do canço tá fazendo aliança com o estado todo, vai po sertão, vai po litoral, vai pra baixa da égua. Fala em rádio, na internet, na televisão... Ói... E nóis abraçado com André Moura, feito aquelas quenga do Cabaré do Iran, rindo sem vontade de rir".
Um velhote, cheio de ouro no pescoço, sentenciou: "Rapaz, deixe de cunversa. Quem vai ganhar esse eleição é nóis, e é no grito. É encher o zap zap de feique niu, de mentira. O povo gosta é de lorota, num votaro no Lula? Ramo butá essa cambada de vagabundo, esses comunista fi do canço, pra correr daqui".
"O senhor vota em quem?", perguntou-me o baixinho de bigode, com a pistola na mão.
"É turista", disse o velhote do pescoço dourado, dando de ombros.
Ah, ah, ah... gritou a ave, que passou de volta cagando na cabeça do gigante de Itabaianinha, emporcalhando-lhe o bigode.
A mentira tem a perna curta, pensei, olhando pro baixinho que se limpava.
palavra da salvação.
* Lelê Teles é jornalista, roteirista e publicitário

* Lelê Teles


Em quem acreditar? Esse é o drama do eleitor sergipano.
Veja você que um dos pretensos candidatos já tenta se passar por outra pessoa.
Na eleição pretérita ele tentou esconder o irmão, que lhe queimava o filme; hoje o sujeito esconde o próprio sobrenome.
Renegando, assim, toda a família, a mesma que ele apresentou numa melancólica arrancada de marcha à ré, no final da eleição passada; como se protagonizasse uma eliminação daquele reality show da Rede Globo: "vem pra cá...".
Dá pra acreditar?
O outro, que já foi aliado de Deus e o mundo, desaliou-se de todo mundo para satisfazer as vontades imperiais do progenitor que, dizem, se desaliou de Deus a um bom tempo.
Dará com os burros n'água. 
Como acreditar num cabra que muda de time conforme o resultado do jogo?
Vazio de ideias, aprendeu a falar grave e imperativo, fala com tanta convicção nada com coisa nenhuma que acaba ele mesmo por crer estar a dizer alguma coisa.
Quem acredita?
Votaram contra o povo, os dois, ao derrubarem, com um golpe, uma presidenta eleita para colocar em seu lugar um sujeito rejeitado por mais de 90% da população.
Ao fazerem parte dessa farsa, ambos contaram a maior mentira para o povo sergipano.
Como vão se livrar disso? Ou pretendem aparecer, sorridentes, abraçados com o Vampirão do Tuiuti?  
Irão esconder-se de si mesmos, rasgarão suas fantasias de manifestoches, tentarão apagar a memória recente do povo, dirão que não foi nada disso; mentirão?
Terão grandes dificuldades para enfrentar o discurso franco de Belivas e as verdades que ele tem a dizer sobre os seus ex-aliados.
O Galeguinho de Simão Dias já deixou claro que não gosta de arrudeios. Cabra bom de serviço, segurou a máquina pública pelas rédeas e imprimiu um acelerado ritmo de trabalho.
A sua primeira ação como governador foi desfazer uma mentira grotesca contada por um secretário, livrando-se do entulho logo em seguida.
Acreditaram que ele pegaria um abacaxi, ao aceitar assumir o governo do estado, e que teria grandes dificuldades em descascá-lo.
No entanto, demonstrando habilidade política, Belivaldo vai conquistando corações e mentes com o seu jeito verdadeiro de encarar as dificuldades, sem tergiversações.
Para botar tudo em pratos limpos, arregaçou as mangas e chamou o povo para um papo reto.
É conversando que a gente se entende.
Penso nisso enquanto tomo um sol na Cordilheira de Itabaiana, sob o véu de uma cachoeira, respirando um ar puro.
Acaba de chegar um ruidoso grupo de escoteiros velhos, falando alto.
A voz de trovão de um deles me lembrou um sujeito que grava áudios no whatsapp, demonstrando uma mastodôntica ignorância sobre tudo.
E é isso o que faz dele uma subcelebridade virtual entre os ignaros.
Com um facão, um dos membros do grupo "limpa" o caminho, ceifando a relva.
Se achegam sem me cumprimentar, sentam-se, abrem um cooler e de lá sacam garrafas e latinhas. 
Parece que a turma bebe desde ontem. 
Uma ave, curiosa com a algazarra, se aproxima do bando, prescrutando-os sobre uma árvore. O baixinho de bigode saca uma pistola, aponta para o pássaro e o bípede emplume, percebendo o perigo, sai voado; grasnando: 
Ah, ah, ah...
Sorte dele, esses homens de bens são um perigo com um revólver na mão. 
Então, o homem da voz do whatsapp, danou a falar de política: "Rapaz, tá difícil pa nóis, viu. Sergipe é uma panela de caranguejo, quando um quer sair o outro puxa pa dentro de volta. Praquê norrâmo ter dois candidato a governo do estado, me diga?"
O baixinho do bigode acrescentou, limpando a pistola com uma flanela verdeamarela: "Tá um sarapatel de coruja desgramado. O outro agora, por falta de assunto, resolveu falar sobre a saúde do estado. Tá... Se ele desmantelou a saúde quando foi secretário, ou ele acha que o povo num tem memória? É suicídio, é?" 
O amigo sentenciou: "Parece que é, tão mais perdido que cego em tiroteio. Enquanto isso, esse Galeguim fi do canço tá fazendo aliança com o estado todo, vai po sertão, vai po litoral, vai pra baixa da égua. Fala em rádio, na internet, na televisão... Ói... E nóis abraçado com André Moura, feito aquelas quenga do Cabaré do Iran, rindo sem vontade de rir".
Um velhote, cheio de ouro no pescoço, sentenciou: "Rapaz, deixe de cunversa. Quem vai ganhar esse eleição é nóis, e é no grito. É encher o zap zap de feique niu, de mentira. O povo gosta é de lorota, num votaro no Lula? Ramo butá essa cambada de vagabundo, esses comunista fi do canço, pra correr daqui".
"O senhor vota em quem?", perguntou-me o baixinho de bigode, com a pistola na mão.
"É turista", disse o velhote do pescoço dourado, dando de ombros.
Ah, ah, ah... gritou a ave, que passou de volta cagando na cabeça do gigante de Itabaianinha, emporcalhando-lhe o bigode.
A mentira tem a perna curta, pensei, olhando pro baixinho que se limpava.
palavra da salvação.
* Lelê Teles é jornalista, roteirista e publicitário