São João, São Pedro e São Paulo

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Publicada em 21/06/2018 às 07:40:00

 

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB
A Igreja celebrará nos próximos dias as festas litúrgicas de São João (dia 24) e São Pedro e São Paulo (dia 29).
São João é aquele do qual disse Jesus: "Entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior do que João, o Batista" (Mt 11,11). No deserto da Judéia, ele preparava o povo para receber o Messias, proclamando: "Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo!" (Mt 3,2). Aos fariseus e saduceus, que vinham receber seu batismo de penitência, bradava com energia: "Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?" (Mt 3,7). Com muitas exortações, diz Lucas, anunciava ao povo a Boa Nova do Evangelho. Enquanto pregava a conversão, aponta Jesus à multidão, dizendo: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). Daí, a tradição de retratá-lo com um cordeirinho nos braços. Não titubeou em denunciar a Herodes, o poderoso de turno que o temia: "Não te é lícito ter a mulher de teu irmão!". Tal intrepidez custou-lhe a cabeça, que foi oferecida num prato à filha dançarina da cunhada-amante do rei.
Nosso Nordeste dá primazia a São João entre os santos juninos, com tradições típicas da época, como comida de milho, dança de quadrilha (meio francesa, meio nordestina) e os fogos juninos. Seria, por acaso, uma lembrança da fogueira que Joaquim teria aceso nas montanhas da Judéia, em regozijo pelo nascimento do filho de sua velhice? A liturgia proclama: "No seu nascimento, todos se alegrarão!".
Perto do fim do mês, ainda temos São Pedro e São Paulo.
Pedro é o príncipe, o chefe dos apóstolos, a Pedra fundamental da Igreja de Jesus, aquele que recebeu do Mestre a missão de confirmar os irmãos na fé, aquele que foi constituído supremo Pastor das ovelhas e dos cordeiros do Senhor, aquele que recebeu a divina promessa de que seria ligado no céu o que ele - e seus sucessores, os Pontífices romanos - ligassem na terra e seria desligado o que eles desligassem.
São Pedro, na tradição brasileira, é o celestial padroeiro dos pescadores, ele que também foi humilde pescador da Galileia, no lago de Tiberíades, e que Jesus chamou em meio às redes e aos barcos de seu humilde ofício para ser chefe de seus discípulos, e apesar de tê-lo negado três vezes, três vezes exclamou contrito: "Senhor, tu sabes tudo, tudo sabes que eu te amo!" (Jo 21,15-17). A fé do apóstolo Pedro é a fé da Igreja: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!" (Mt 16,16).
E Paulo é o grande apóstolo das gentes, o maior evangelizador de todos os tempos, aquele que recebeu do Senhor Jesus - como ele acentua muitas vezes em suas magníficas Epístolas - o Evangelho que anunciou aos pagãos e judeus e abriu, assim, o Cristianismo, a doutrina do Senhor Jesus, para todos os povos. Formado na rigorosa escola dos fariseus, tendo por mestre Gamaliel, foi na mocidade ardoroso perseguidor dos cristãos. E depois, convertido às portas de Damasco - quando ouviu de Jesus a grande pergunta: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" -, tornou-se o grande anunciador do Evangelho aos gentios.
Com Pedro - crucificado de cabeça para baixo - ele sofreu o martírio pela fé cristã, sendo decapitado fora dos muros de Roma, provavelmente em 29 de junho do ano 67.
Que as manifestações populares e tradicionais dos três santos de junho sejam um estímulo de revigoramento da fé e da prática religiosa para nosso povo. 
* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)
dedvaldo@salesianorecife.com.br 

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB


A Igreja celebrará nos próximos dias as festas litúrgicas de São João (dia 24) e São Pedro e São Paulo (dia 29).
São João é aquele do qual disse Jesus: "Entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior do que João, o Batista" (Mt 11,11). No deserto da Judéia, ele preparava o povo para receber o Messias, proclamando: "Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo!" (Mt 3,2). Aos fariseus e saduceus, que vinham receber seu batismo de penitência, bradava com energia: "Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?" (Mt 3,7). Com muitas exortações, diz Lucas, anunciava ao povo a Boa Nova do Evangelho. Enquanto pregava a conversão, aponta Jesus à multidão, dizendo: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). Daí, a tradição de retratá-lo com um cordeirinho nos braços. Não titubeou em denunciar a Herodes, o poderoso de turno que o temia: "Não te é lícito ter a mulher de teu irmão!". Tal intrepidez custou-lhe a cabeça, que foi oferecida num prato à filha dançarina da cunhada-amante do rei.
Nosso Nordeste dá primazia a São João entre os santos juninos, com tradições típicas da época, como comida de milho, dança de quadrilha (meio francesa, meio nordestina) e os fogos juninos. Seria, por acaso, uma lembrança da fogueira que Joaquim teria aceso nas montanhas da Judéia, em regozijo pelo nascimento do filho de sua velhice? A liturgia proclama: "No seu nascimento, todos se alegrarão!".
Perto do fim do mês, ainda temos São Pedro e São Paulo.
Pedro é o príncipe, o chefe dos apóstolos, a Pedra fundamental da Igreja de Jesus, aquele que recebeu do Mestre a missão de confirmar os irmãos na fé, aquele que foi constituído supremo Pastor das ovelhas e dos cordeiros do Senhor, aquele que recebeu a divina promessa de que seria ligado no céu o que ele - e seus sucessores, os Pontífices romanos - ligassem na terra e seria desligado o que eles desligassem.
São Pedro, na tradição brasileira, é o celestial padroeiro dos pescadores, ele que também foi humilde pescador da Galileia, no lago de Tiberíades, e que Jesus chamou em meio às redes e aos barcos de seu humilde ofício para ser chefe de seus discípulos, e apesar de tê-lo negado três vezes, três vezes exclamou contrito: "Senhor, tu sabes tudo, tudo sabes que eu te amo!" (Jo 21,15-17). A fé do apóstolo Pedro é a fé da Igreja: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!" (Mt 16,16).
E Paulo é o grande apóstolo das gentes, o maior evangelizador de todos os tempos, aquele que recebeu do Senhor Jesus - como ele acentua muitas vezes em suas magníficas Epístolas - o Evangelho que anunciou aos pagãos e judeus e abriu, assim, o Cristianismo, a doutrina do Senhor Jesus, para todos os povos. Formado na rigorosa escola dos fariseus, tendo por mestre Gamaliel, foi na mocidade ardoroso perseguidor dos cristãos. E depois, convertido às portas de Damasco - quando ouviu de Jesus a grande pergunta: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" -, tornou-se o grande anunciador do Evangelho aos gentios.
Com Pedro - crucificado de cabeça para baixo - ele sofreu o martírio pela fé cristã, sendo decapitado fora dos muros de Roma, provavelmente em 29 de junho do ano 67.
Que as manifestações populares e tradicionais dos três santos de junho sejam um estímulo de revigoramento da fé e da prática religiosa para nosso povo. 
* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)dedvaldo@salesianorecife.com.br