América grande

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Publicada em 21/06/2018 às 07:42:00

 

Há quem diga que o exercício da 
política consiste na arte de 
construir pontes, conciliando interesses, pontos de vista diversos, visões antagônicas de mundo. Para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no entanto, é preciso levantar muros.
A disposição para o isolamento fica manifesta em todos os atos de ofício formulados na Casa Branca - da guerra comercial iminente à política de tolerância zero contra a imigração, eivada de nuances étnicas. O resultado se dá em forma de uma tensão social crescente, que chegou às raias da monstruosidade nos últimos dias, quando a perseguição a estrangeiros sem documentos separou famílias inteiras, pais e filhos de pouca idade, provocando escândalo mundial.
Em seis semanas, mais de 2 mil crianças foram separadas dos pais e levadas para abrigos, aos atropelos, incluindo quarenta e nove crianças brasileiras. O Itamaraty trabalha para identificar e localizar as vítimas, mas enfrenta a falta de transparência e organização do governo estadunidense.
A tensão na fronteira com o México não é inédita, vem se acentuando por décadas a fio. Sem precedentes é a falta de sensibilidade ao tratar do problema. O ex-presidente Barack Obama também aplicou a doutrina da tolerância zero quando enfrentou uma onda de imigração irregular, mas abria exceções a adultos que estivessem acompanhados de crianças, além de atenuar as penas para os imigrantes surpreendidos em sua primeira infração. O seu antecessor, George W. Bush, também acelerou os julgamentos e generalizou as ações penais contra os sem-papéis, mas em geral manteve as famílias juntas.
Assim, na ânsia de se mostrar um governante duro, capaz de fazer a América grande de novo, o presidente Trump se apequena e assume as feições de bicho papão.

Há quem diga que o exercício da  política consiste na arte de  construir pontes, conciliando interesses, pontos de vista diversos, visões antagônicas de mundo. Para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no entanto, é preciso levantar muros.
A disposição para o isolamento fica manifesta em todos os atos de ofício formulados na Casa Branca - da guerra comercial iminente à política de tolerância zero contra a imigração, eivada de nuances étnicas. O resultado se dá em forma de uma tensão social crescente, que chegou às raias da monstruosidade nos últimos dias, quando a perseguição a estrangeiros sem documentos separou famílias inteiras, pais e filhos de pouca idade, provocando escândalo mundial.
Em seis semanas, mais de 2 mil crianças foram separadas dos pais e levadas para abrigos, aos atropelos, incluindo quarenta e nove crianças brasileiras. O Itamaraty trabalha para identificar e localizar as vítimas, mas enfrenta a falta de transparência e organização do governo estadunidense.
A tensão na fronteira com o México não é inédita, vem se acentuando por décadas a fio. Sem precedentes é a falta de sensibilidade ao tratar do problema. O ex-presidente Barack Obama também aplicou a doutrina da tolerância zero quando enfrentou uma onda de imigração irregular, mas abria exceções a adultos que estivessem acompanhados de crianças, além de atenuar as penas para os imigrantes surpreendidos em sua primeira infração. O seu antecessor, George W. Bush, também acelerou os julgamentos e generalizou as ações penais contra os sem-papéis, mas em geral manteve as famílias juntas.
Assim, na ânsia de se mostrar um governante duro, capaz de fazer a América grande de novo, o presidente Trump se apequena e assume as feições de bicho papão.