A lei do mais fraco

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Drama real
Drama real

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Publicada em 28/06/2018 às 07:31:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
'Pixote: A Lei do Mais Fraco' (1981) talvez seja o filme brasileiro mais aplaudido pelos entendidos no assunto, mundo afora. O apreço é tamanho, a ponto de um projeto internacional, dedicado à preservação de peças audiovisuais, ter assumido a missão de restaurar a obra prima de Babenco, então abandonada às traças. Ontem, segundo a Folha de São Paulo, a cópia recuperada ganhou exibição no Cinema Ritrovato. No festival italiano, foi assim revivido um drama muito real, que extrapolou as telas e acabou em sangue.
O filme de Babenco já foi definido pela imprensa americana como uma espécie de "Oliver Twist no inferno de São Paulo". A definição é das mais felizes, mas faltou dizer que a vida imita a arte. Fernando Ramos da Silva, o menino que interpretou Pixote, foi morto aos 19 anos, alguns anos depois de ver o próprio sonho de se firmar como ator virar história. Ele foi alvo de oito disparos de calibre 38 efetuados por um sargento e dois soldados da Polícia Militar de São Paulo. O crime nunca foi esclarecido.
Poderia ter sido diferente. Há quase 40 anos, 'Pixote - A lei do mais fraco', ponto alto de uma filmografia sem um único passo em falso, chamou a atenção do mundo inteiro para o abandono dos meninos ao relento, cujo semblante é reconhecido nas ruas de qualquer cidade brasileira. Aqui, ninguém deu um pio.
Deu no que deu. Babenco ganhou notoriedade, algum dinheiro e todos os prêmios devidos a um diretor de seu porte. Pixote, submetido à única norma vigente entre os seus, por outro lado, seguiu fugindo da polícia, aterrorizando as esquinas. Sem pai nem mãe, formado em diversos reformatórios, Pixote conviveu com todo o tipo de criminoso e delinquente. Até assumir um destino previsível: traficante de drogas, cafetão e assassino, uma carreira iniciada precocemente aos onze anos de idade.
Pixote, o filme de Babenco, está preservado do esquecimento, por obra e graça dos cobres empenhados pela fundação George Lucas, que financiou a restauração já mencionada. Os meninos de carne e osso, passando frio nas grandes cidades brasileiras, no entanto, não gozam a mesma sorte. Vivem um desfecho triste, nada cinematográfico.

'Pixote: A Lei do Mais Fraco' (1981) talvez seja o filme brasileiro mais aplaudido pelos entendidos no assunto, mundo afora. O apreço é tamanho, a ponto de um projeto internacional, dedicado à preservação de peças audiovisuais, ter assumido a missão de restaurar a obra prima de Babenco, então abandonada às traças. Ontem, segundo a Folha de São Paulo, a cópia recuperada ganhou exibição no Cinema Ritrovato. No festival italiano, foi assim revivido um drama muito real, que extrapolou as telas e acabou em sangue.
O filme de Babenco já foi definido pela imprensa americana como uma espécie de "Oliver Twist no inferno de São Paulo". A definição é das mais felizes, mas faltou dizer que a vida imita a arte. Fernando Ramos da Silva, o menino que interpretou Pixote, foi morto aos 19 anos, alguns anos depois de ver o próprio sonho de se firmar como ator virar história. Ele foi alvo de oito disparos de calibre 38 efetuados por um sargento e dois soldados da Polícia Militar de São Paulo. O crime nunca foi esclarecido.
Poderia ter sido diferente. Há quase 40 anos, 'Pixote - A lei do mais fraco', ponto alto de uma filmografia sem um único passo em falso, chamou a atenção do mundo inteiro para o abandono dos meninos ao relento, cujo semblante é reconhecido nas ruas de qualquer cidade brasileira. Aqui, ninguém deu um pio.
Deu no que deu. Babenco ganhou notoriedade, algum dinheiro e todos os prêmios devidos a um diretor de seu porte. Pixote, submetido à única norma vigente entre os seus, por outro lado, seguiu fugindo da polícia, aterrorizando as esquinas. Sem pai nem mãe, formado em diversos reformatórios, Pixote conviveu com todo o tipo de criminoso e delinquente. Até assumir um destino previsível: traficante de drogas, cafetão e assassino, uma carreira iniciada precocemente aos onze anos de idade.
Pixote, o filme de Babenco, está preservado do esquecimento, por obra e graça dos cobres empenhados pela fundação George Lucas, que financiou a restauração já mencionada. Os meninos de carne e osso, passando frio nas grandes cidades brasileiras, no entanto, não gozam a mesma sorte. Vivem um desfecho triste, nada cinematográfico.