Índice que mede desenvolvimento dos municípios cresce em 2016

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Publicada em 29/06/2018 às 07:06:00

 

A programação, as variadas comidas típicas e a segurança do local levaram famílias inteiras e turistas à Orla da Atalaia prestigiar a 11º edição do Arraiá do Povo, em Sergipe. O evento continua sendo uma das atrações mais belas do São João em Sergipe. Os bares, restaurantes e barracas de artesanato estão sendo cada vez mais procurados. Adultos e crianças prestigiam a festa que já é tradição no estado.
Tereza Mendonça, 59 anos, que participa de todas as edições desde o começo, compareceu à segunda noite do evento, que compõe o Encontro Nordestino de Cultura, acompanhada de toda sua família. "Não quero que esta festa acabe nunca porque é um ambiente tranquilo para trazer as crianças e a família. Este ano está sendo maravilhoso", comenta enquanto aponta o coreto, o palco e as barracas de comidas típicas.
Enquanto Jussara, 43 anos, conta ser a primeira vez que vai ao evento, garantindo que voltará ano que vem porque é "organizado, bonito e animado".  A sua neta de 5 anos, Janaina, insiste em dar a sua declaração. "Eu vou pedir pra minha avó me trazer outros dias porque gostei muito", diz sorrindo e comentando sobre como sua irmã mais nova ficou observando a estátua humana que circula pelo espaço.
Diogo Tavares é de Maceió e está pela primeira vez em Aracaju, acompanhado de sua esposa. "Gostei muito das apresentações do coreto. É uma festa pacífica, com atrações muito boas, e ano que vem estarei aqui novamente. O São João em Sergipe está de parabéns", reconhece Diogo.

O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), que mede o desenvolvimento dos municípios brasileiros, voltou a crescer em 2016, depois de dois anos de quedas consecutivas. O indicador fechou em 0,6678, abaixo do 0,6715 registrado em 2013.

Esse resultado mostra o impacto da retração econômica que levou a uma queda de 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todas as riquezas produzidas no país, com reflexos nas três vertentes que compõem o estudo: emprego e renda, saúde e educação.

Divulgado nesta quinta-feira (28) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), com base em dados de 2016, o IFDM 2018 monitora os indicadores sociais em 5.471 municípios, onde vivem 99,5% da população brasileira.

O estudo adota uma escala de avaliação que vai de 0 a 1 - quanto mais próximo de 1 maior o desenvolvimento do município. As cidades são divididas em quatro categorias: baixo desenvolvimento (de 0 a 0,4), desenvolvimento regular (0,4 a 0,5), desenvolvimento moderado (de 0,6 a 0,8) e alto desenvolvimento (0,8 a 1). O índice vem sendo aferido há uma década.

No resultado geral, incluída a média das notas dos três indicadores (emprego e renda, saúde e educação), foram observados apenas 431 municípios com alto rendimento, o equivalente a 7,9% do total.

Indicadores - As três vertentes que compõem o IFDM apresentaram crescimento em 2016. O índice de emprego e renda atingiu 0,4664 ponto, voltando a crescer após duas quedas consecutivas, quando acumulou retração superior a 20%. Essa foi a área de desenvolvimento que mais sofreu com a recessão dos últimos anos.

Tanto o IFDM educação como o IFDM saúde apresentaram discreta elevação, mantendo a trajetória observada desde o início da publicação do índice. No entanto, a evolução apresentada pelos dois indicadores foi a menor em 10 anos, indicando que a crise também teve impactos sociais, e não só econômicos. O IFDM educação subiu de 0,7644 (2015) para 0,7689 (2016). Já o IFDM saúde saiu de 0,7534 para 0,7655, no mesmo período.

O estudo sustenta que é preciso acelerar o crescimento econômico - acima de 1,5% ao ano - para garantir o cumprimento de metas assumidas pelo Brasil, interna e externamente, em educação e saúde.Os principais problemas apontados foram deficiências no ensino infantil, com menos de 30% das crianças matriculadas em creches, e no acesso à pré-escola. Na área de saúde, o atendimento às gestantes, bem como a cobertura de atenção básica, estão longe do desejável. 

Segundo o diagnóstico, não houve diminuição de transferência de recursos financeiros para os municípios, mas sim falta de gestão eficiente.  "Acelerar o desenvolvimento no interior do país passa por uma política ampla de capacitação e aprimoramento dos gestores públicos, sobretudo nas regiões menos desenvolvidas", defendem os autores do IFDM. 

"Quando a gente olha o impacto da crise econômica sobre os dados, percebe-se que grande parte dos municípios foi fortemente impactada. Quando se traça o horizonte à nossa frente, vemos que o desenvolvimento dos municípios na vertente emprego e renda, por exemplo, só voltará a um desenvolvimento próximo ao de 2013, que foi o do patamar pré-crise, em 2027", avalia Jonathas Goulart, da Divisão de Estudos Econômicos da Firjan.

De acordo com o estudo, de 2015 para 2016, foram fechados 3 milhões de postos de trabalho formais no país. Em 2016, a recuperação se deu em  2.254 cidades que geraram empregos, mas 60% dos municípios fecharam postos de trabalho, incluindo capitais e grandes centros econômicos.

O indicador emprego e renda registrou pequena recuperação ao atingir 0,4664 ponto, contra 0,4336 de 2015. "O movimento é explicado pelo aumento do rendimento real do trabalhador formal, em parte por conta da política de reajuste do salário mínimo", explica o economista da Firjan.

Ainda assim, o resultado continua em nível historicamente baixo e foi o pior da série histórica. Apenas cinco cidades alcançaram o alto desenvolvimento neste indicador: São Bento do Norte (RN), Capanema (PR), Telêmaco Borba (PR), Selvíria (MS) e Cristalina (GO).