Cultura fora da pauta

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Publicada em 03/07/2018 às 05:55:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A julgar pelas farpas tro
cadas entre os pré 
candidatos ao Governo de Sergipe, a Cultura não entrará na pauta das eleições realizadas em outubro. Também pudera. Enquanto os artistas da aldeia empenham a voz rouca em todo tipo de causa, engajados em campanhas virtuais completamente dissociadas das questões particulares do próprio ofício, a sensibilidade nativa permanece em segundo plano, em prejuízo dos tambores silenciados da gente sergipana.
Motivo para mobilização, no entanto, não falta. A começar pela situação da Orquestra Sinfônica de Sergipe. Mesmo depois de conquistar um público cativo, se apresentando com casa cheia em concertos celebrados, a Orquestra segue à mercê da boa vontade do governador de plantão. Dedos cruzados, portanto.
Esta página insiste na interrogação inconveniente: Se a ORSSE é mesmo "uma das jóias da coroa", como defendia o saudoso governador Marcelo Déda, qual a razão de permanecer sob um regime jurídico que a torna completamente vulnerável ante conjunturas adversas? Hoje, mais do que nunca, o grupo sinfônico talvez dê a impressão de uma segurança mentirosa. Mantida na base dos cargos em comissão, contudo, a ORSSE é hoje uma instituição sólida como um castelo de cartas, pode ser extinta por golpe de uma simples canetada.
Somente a sua função social resguarda a ORSSE. Em outro tempo, a Orquestra seria enterrada sem choro nem vela. Não tinha qualquer participação na vida social da cidade, nem faria falta ao horizonte cultural da aldeia. Agora, no entanto, a conversa é diferente. Quando assumiu o posto de diretor artístico da ORSSE, há mais de dez anos, o maestro Guilherme Mannis tomou para si a responsabilidade de comandar a reestruturação artística do grupo. Feriu as vicissitudes de muita gente, foi alvo de campanhas difamatórias, mas se manteve firme no propósito de construir um grupo sinfônico a partir de quase nada.
Inserida no panorama brasileiro da música erudita, promovendo o intercâmbio frequente com solistas e regentes de destaque no cenário artístico nacional e internacional, a ORSSE cresceu muito em pouco tempo e acabou adotada pela população, chegando a ponto de dialogar com manifestações musicais paridas aqui e agora, bem embaixo do nariz de todo mundo.  As apresentações realizadas com a banda The Baggios e, mais recente, o trio Crav&Roza, por exemplo, atestam o esforço empregado na formação de público e na educação musical dos sergipanos, um investimento simbólico e didático.
Por todos os seus feitos é que a ORSSE reclama uma solução definitiva. Uma tarefa empurrada para o próximo governador de Sergipe, em função do descaso e o alheamento dos maiores interessados.

A julgar pelas farpas tro cadas entre os pré  candidatos ao Governo de Sergipe, a Cultura não entrará na pauta das eleições realizadas em outubro. Também pudera. Enquanto os artistas da aldeia empenham a voz rouca em todo tipo de causa, engajados em campanhas virtuais completamente dissociadas das questões particulares do próprio ofício, a sensibilidade nativa permanece em segundo plano, em prejuízo dos tambores silenciados da gente sergipana.
Motivo para mobilização, no entanto, não falta. A começar pela situação da Orquestra Sinfônica de Sergipe. Mesmo depois de conquistar um público cativo, se apresentando com casa cheia em concertos celebrados, a Orquestra segue à mercê da boa vontade do governador de plantão. Dedos cruzados, portanto.
Esta página insiste na interrogação inconveniente: Se a ORSSE é mesmo "uma das jóias da coroa", como defendia o saudoso governador Marcelo Déda, qual a razão de permanecer sob um regime jurídico que a torna completamente vulnerável ante conjunturas adversas? Hoje, mais do que nunca, o grupo sinfônico talvez dê a impressão de uma segurança mentirosa. Mantida na base dos cargos em comissão, contudo, a ORSSE é hoje uma instituição sólida como um castelo de cartas, pode ser extinta por golpe de uma simples canetada.
Somente a sua função social resguarda a ORSSE. Em outro tempo, a Orquestra seria enterrada sem choro nem vela. Não tinha qualquer participação na vida social da cidade, nem faria falta ao horizonte cultural da aldeia. Agora, no entanto, a conversa é diferente. Quando assumiu o posto de diretor artístico da ORSSE, há mais de dez anos, o maestro Guilherme Mannis tomou para si a responsabilidade de comandar a reestruturação artística do grupo. Feriu as vicissitudes de muita gente, foi alvo de campanhas difamatórias, mas se manteve firme no propósito de construir um grupo sinfônico a partir de quase nada.
Inserida no panorama brasileiro da música erudita, promovendo o intercâmbio frequente com solistas e regentes de destaque no cenário artístico nacional e internacional, a ORSSE cresceu muito em pouco tempo e acabou adotada pela população, chegando a ponto de dialogar com manifestações musicais paridas aqui e agora, bem embaixo do nariz de todo mundo.  As apresentações realizadas com a banda The Baggios e, mais recente, o trio Crav&Roza, por exemplo, atestam o esforço empregado na formação de público e na educação musical dos sergipanos, um investimento simbólico e didático.Por todos os seus feitos é que a ORSSE reclama uma solução definitiva. Uma tarefa empurrada para o próximo governador de Sergipe, em função do descaso e o alheamento dos maiores interessados.