Brasil endêmico

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 04/07/2018 às 07:17:00

 

A sensação de que o Brasil anda 
para trás, com a marcha ré en
gatada, ultrapassa a figura de linguagem. O retrocesso ganha contornos definidos em uma infinidade de dados. Doenças erradicadas há muito tempo, por exemplo, voltam a preocupar as autoridades sanitárias. A combinação de recursos escassos e negligência resultou em baixa cobertura vacinal, com o potencial de ressuscitar endemias debeladas em séculos passados.
No Amazonas e em Roraima, por exemplo, o sarampo voltou a ser realidade, com 500 casos confirmados e mais 1,5 mil sob investigação. No outro extremo do país, o Rio Grande do Sul também confirmou seis casos da doença este ano. E pensar que, há pouco tempo, em 2016, o Brasil recebeu certificado da Organização Pan-Americana de Saúde, atestando a vitória contra o vírus.
Os fatos falam por si mesmos: O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, admitiu recentemente que o governo federal fracassou no intento de vacinar contra a gripe as crianças com até cinco anos de idade. Pelo menos 26,6% dos cidadãos nessa faixa etária não foram vacinados. A imunização de gestantes também ficou abaixo do desejável: apenas 73,2% delas foram vacinadas este ano.
Moral da história: a insuficiência de campanhas públicas capazes de convencer a população sobre a importância da imunização por meio de vacina trouxe velhos fantasmas de volta à ativa. Sarampo, pólio, difteria, tétano e até febre amarela. Embora os livros de história lembrem o esforço de Oswaldo Cruz, médico sanitarista responsável pela campanha de erradicação de endemias, ainda no século XIX, o descuido dos gestores públicos garantiu a sobrevida de uma dor de cabeça secular, fortalecida por muitos anos sobre as costas.

A sensação de que o Brasil anda  para trás, com a marcha ré en gatada, ultrapassa a figura de linguagem. O retrocesso ganha contornos definidos em uma infinidade de dados. Doenças erradicadas há muito tempo, por exemplo, voltam a preocupar as autoridades sanitárias. A combinação de recursos escassos e negligência resultou em baixa cobertura vacinal, com o potencial de ressuscitar endemias debeladas em séculos passados.
No Amazonas e em Roraima, por exemplo, o sarampo voltou a ser realidade, com 500 casos confirmados e mais 1,5 mil sob investigação. No outro extremo do país, o Rio Grande do Sul também confirmou seis casos da doença este ano. E pensar que, há pouco tempo, em 2016, o Brasil recebeu certificado da Organização Pan-Americana de Saúde, atestando a vitória contra o vírus.
Os fatos falam por si mesmos: O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, admitiu recentemente que o governo federal fracassou no intento de vacinar contra a gripe as crianças com até cinco anos de idade. Pelo menos 26,6% dos cidadãos nessa faixa etária não foram vacinados. A imunização de gestantes também ficou abaixo do desejável: apenas 73,2% delas foram vacinadas este ano.
Moral da história: a insuficiência de campanhas públicas capazes de convencer a população sobre a importância da imunização por meio de vacina trouxe velhos fantasmas de volta à ativa. Sarampo, pólio, difteria, tétano e até febre amarela. Embora os livros de história lembrem o esforço de Oswaldo Cruz, médico sanitarista responsável pela campanha de erradicação de endemias, ainda no século XIX, o descuido dos gestores públicos garantiu a sobrevida de uma dor de cabeça secular, fortalecida por muitos anos sobre as costas.